Dos 1269 alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que responderam a um inquérito nacional dinamizado pela Associação Académica transmontana, 48 por cento admitiu ter dificuldades financeiras e 310 já pensaram mesmo em abandonar o ensino superior.
O inquérito nacional, ao qual responderam 3862 alunos, de um universo de 130 mil estudantes de dez instituições de ensino superior público, foi levado a cabo por proposta da Associação Académica da UTAD que apresentou a sua análise e conclusões finais nos dias 17 e 18, em Évora, em mais um Encontro Nacional de Direções Associativas.
Os resultados do estudo, nomeadamente na UTAD, deixaram “preocupado” Sérgio Martinho, presidente da Associação Académica de Vila Real. “É preciso fazer alguma coisa”, defendeu o estudante, recordando que a situação dos jovens é agravada com a “perceção de que há dificuldades enormes para conseguir arranjar emprego ou constituir a própria empresa” no final do percurso académico.
Dos 1269 alunos, de um universo de oito mil inscritos, que responderam ao inquérito na Universidade transmontana, 619 responderam que “têm dificuldades económicas”.
À questão sobre a possibilidade de deixar de estudar por causa dessas dificuldades responderam 519 estudantes, dos quais 310 reponderam afirmativamente.
O dirigente associativo referiu ainda que dos 1200 alunos inscritos neste ano letivo pela primeira vez na UTAD, 1092 pediram bolsa de ação social, um número pesado que se justifica ao recordar que 85 por cento dos estudantes da academia transmontana são deslocados, uma situação que representa custos adicionais de alojamento e transporte que as famílias têm que suportar.
“À medida que as bolsas vão sendo recusadas, há muitos estudantes que são obrigados a conciliar os estudos com um emprego ou a recorrerem a empréstimos ao banco para pagar as propinas”, lamenta a AA.
Outra conclusão que levanta preocupações à organização que representa os estudantes da UTAD refere-se ao facto de “mais de metade” dos inquiridos considerarem que a sua formação “não se ajusta às oportunidades de emprego em Portugal”.
Os resultados obtidos na UTAD não fogem aos gerais registados a nível nacional, sendo de sublinhar que, de um total de 3862 alunos que participaram no inquérito, 1885 (40 por cento) confirmaram que vivem com dificuldades financeiras.
“Temes abandonar o ensino superior devido às dificuldades financeiras?”, questionou o estudo, obtendo a resposta de 1871 alunos, dos quais 1224 (64 por cento) disseram que sim.
58 por cento dos estudantes afirmaram que não se sente preparado para entrar no mundo de trabalho e 62 por cento acredita mesmo que a formação que recebe no seu estabelecimento de ensino superior “não se ajusta às oportunidades de emprego existentes em Portugal.
Outro dado importante que resulta do inquérito é o facto de 45 por cento alunos terem manifestado a sua intenção de emigrar após terminar o curso, sendo de referir que, desses, mais de metade explica a decisão com as atuais condições sócioeconómicas do país e 34 por cento com a ambição pessoal.
Analisar as reais dificuldades vividas pelos estudantes foi o objetivo do inquérito, cujas conclusões serão agora utilizadas para “enfrentar a tutela e os órgãos de direito” na exigência de respostas políticas para o ensino superior.






