Cerca de 450 pessoas assinaram a petição que, entregue pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, no dia dois, à Câmara Municipal de Vila Real, apela para que seja cancelada “toda e qualquer obra prevista para o Parque do Corgo que implique a diminuição da área verde”.
Segundo João Branco, do núcleo de Vila Real da Quercus, enquanto a petição circulava, foram realizadas duas reuniões entre a autarquia e a associação ambientalista, nas quais o Presidente da Câmara, Manuel Martins, mostrou “abertura para se proceder a alterações no Plano de Pormenor”, de modo a que seja encontrada “uma solução intermédia”. “Estamos convencidos que se encontrará a solução”, revelou o mesmo responsável, referindo que a petição foi assim entregue por respeito a todos aqueles que a assinaram.
João Branco referiu mesmo que o autarca mostrou-se “satisfeito com a participação dos cidadãos”, considerando que, só assim, manifestando as suas opiniões, podem “ajudar os políticos a ver as suas perspectivas”, enquanto habitantes de Vila Real.
De recordar que, o Plano de Pormenor, que esteve em discussão pública em meados de 2008, prevê, para a zona Central do Parque Corgo, “a construção do centro Ciência Viva, de um parque de estacionamento e de uma estrada com 6,5 metros de largura que ligará a Rua Diogo Dias Ferreira à Rua Dr. Manuel Carmona”, intervenções que, a concretizar-se, vão retirar “a paz e a paisagem” daquele local, em grande parte recuperado pelo Programa Polis.
O Plano prevê ainda, no que diz respeito à “zona confinante à Avenida 1.º de Maio” a construção de um edifício de habitação e comércio, um restaurante e um parque de estacionamento, tudo isso numa área classificada como zona de Reserva Ecológica Nacional (REN).
Na altura em que denunciou a situação através de um parecer remetido no âmbito do processo de Consulta Pública, a Quercus apresentou propostas concretas. Para além de defender que não sejam construídos os equipamentos previstos para a REN, a associação propõe o alargamento de toda a zona verde da margem esquerda, situada entre o rio e Avenida Europa e a ampliação “da área verde da margem esquerda e direita, situada entre o rio e o limite das casas existentes no troço entre a Ponte da Timpeira e a Ponte de Codessais”.
Apesar de não avançar com pormenores relativamente às negociações com a autarquia, tendo em conta que a proposta só será oficializada depois de uma resposta da Câmara Municipal à petição entregue pela Quercus, João Branco está confiante de que se conseguirá chegar a uma solução que não seja tão prejudicial para o Parque Corgo.




