Sexta-feira, 1 de Julho de 2022

“Queremos fazer história no GD Bragança”

Foi na baliza que começou a dar os primeiros toques na bola, mas nunca se conseguiu afirmar com um grande guarda-redes. Foi para a universidade tirar o curso de Educação Física apenas porque este lhe permitia seguir o rumo que desde muito novo quis seguir: ser treinador de futebol.

Depois do êxito alcançado em alguns clubes por onde passou, os dirigentes do GD Bragança contrataram-no para alcançar um lugar na fase de subida do Campeonato de Portugal, objetivo já concretizado. Agora está aí a segunda fase, onde a sua equipa não é uma das favoritas a subir à II Liga, mas o jovem treinador promete lutar até ao fim.… A prova teve início no passado domingo, em que o Bragança foi derrotado por duas bolas a zero pelo Vizela.

 

Qual o seu percurso no mundo do futebol?

Estive no Sabroso SC, Abambres SC, SC Vila Real, SC Régua, O Crasto, GD Tourizense, FC Oliveira do Hospital e GD Bragança. Durante cinco anos também fui selecionador distrital na AF Vila Real.

 

Enquanto jogador em que posição atuava?

Era guarda-redes.

 

Sei que é formado em Desporto, pela UTAD. O seu objetivo sempre foi ser treinador de futebol? O que o motivou a enveredar por esta carreira?

Gostava de jogar ‘Football Manager’ e um dia gostava de ser muito melhor treinador do que fui como jogador. Foi com um técnico que tive no SC Vila Pouca que percebi que para ser treinador precisava de tirar o curso de Educação Física e Desporto. Foi essa a única razão que me levou a escolher o curso.

 

Como foi possível vencer a Série A, do Campeonato de Portugal (CP)?

Há três factores determinantes. Primeiro, uma escolha criteriosa dos jogadores para interpretarem o nosso modelo de jogo. Segundo, a qualidade do trabalho desenvolvido por todos. O terceiro fator, como consequência dos anteriores, a criação de uma equipa muito competitiva.

 

A quem se deve este êxito?

A responsabilidade é de todos, pela qualidade do trabalho desenvolvido. Fomos a melhor equipa, porque tivemos a melhor defesa e o melhor ataque, isso demonstra a nossa força, numa série em que havia sete equipas a lutar por dois lugares.

Como classifica o atual plantel que dirige?

Muito forte e competitivo.

 

O que foi mais difícil? Em algum momento pensou que não era possível chegar a este objetivo, concretizado no último jogo da 1ª fase frente ao Argozelo?

Toda a primeira fase foi muito difícil e nós acabamos por liderar a série praticamente desde a quarta jornada. Ambicionávamos ter carimbado o apuramento mais cedo, mas sabíamos que com os confrontos diretos, nas últimas três jornadas, com 2º e 3º classificados, isto podia ser equilibrado até ao fim, como acabou por acontecer, uma vez que tudo ficou resolvido na última jornada.

 

Depois deste sucesso nesta primeira fase do CP, até onde pode chegar este Bragança? Ou seja, qual é o próximo objetivo?

Queremos fazer história no clube e alcançar a melhor classificação de sempre.

 

O atual plantel precisa de reforços?

Já reforçamos o plantel com dois jogadores em posições que precisávamos. O Bruninho (ex-Penafiel) já está a trabalhar com o grupo e também chegou o Nera, que vai reforçar o setor defensivo. No entanto não podemos fugir do orçamento elaborado pelo clube. Estamos no grupo das 16 melhores equipas do CP e entre as oito melhores da zona norte, onde pretendemos fazer história.

 

Qual é a relação entre o clube e os seus adeptos? A cidade apoia o GD Bragança?

Os bons resultados e a qualidade de jogo têm levado cada vez mais adeptos ao estádio. O carinho e o apoio são fundamentais para o nosso sucesso.

 

As condições que o clube lhe oferece são ideais ou há algum aspeto que gostaria de ver melhorado?

As condições de trabalho são muito boas, mas nos clubes amadores há sempre aspetos a melhorar. Por exemplo, apenas temos quatro treinos por semana, gostávamos de ter mais tempo para treinar.

 

Como se sente ao ser um dos treinadores mais novos do Campeonato de Portugal?

Sinto-me apenas mais um treinador, que no futuro quer chegar à II Liga, ou seja, ao futebol profissional.

 

Esteve no SC Vila Real, altura em que fez parte da equipa técnica de Carlos Felisberto. O que correu mal para saírem?

Quando entramos o objetivo era sermos campeões, mas não conseguimos. Isso pesou imenso no balanço e na decisão final.

 

Ainda muito jovem assumiu o comando técnico do Tourizense e com bastante êxito. Como classifica essa primeira experiência como treinador principal?

Foi fantástico, pois parecia quase impossível garantir a manutenção quando assumi a equipa como treinador principal. Se não garantisse a manutenção, talvez continuasse a ser treinador-adjunto.

 

Da sua parte havia algum receio por ser mais novo do que alguns dos jogadores do plantel? Há alguma situação engraçada que queira partilhar com os nossos leitores?

Isso nunca foi problema, a competência não tem idade, sexo ou religião. Para termos sucesso temos de fazer acreditar aos nossos jogadores que têm capacidade para dar muito mais em campo, só a qualidade nos traz os resultados. Os atletas acreditam porque ganham muito mais vezes do que perdem ou empatam.

 

Ainda é muito jovem. As suas ideias são bem aceites pelos jogadores, sobretudo os mais velhos?

São os mais velhos que mais disfrutam no nosso modelo de jogo. Pois a maturidade, experiência e capacidade de liderança deles (na sua maioria) é fundamental nos plantéis. Quando não acrescentam algo dentro de campo, acrescentam fora dele.

 

Qual o treinador (ou treinadores) que mais admira? Que qualidades lhe reconhece?

José Mourinho, pelo que ajudou a alterar o paradigma do treino. Guardiola e Jorge Jesus, com modelos de jogo diferentes, mas com formas de jogar que admiro.

 

Qual era o clube português que gostaria de treinar e porquê?

Num futuro próximo, um clube de II Liga.

 

O seu grande sonho? Ou seja até onde quer chegar como treinador?

Ser treinador da I Liga já era fantástico.

 

Como é a sua vida em Bragança? Do que mais gosta na cidade?

É a vida normal de um treinador. De tarde planeio e estruturo o trabalho diário e semanal, ao fim do dia treinamos. Após o jantar, vou tomar o meu café, pôr a conversa em dia com um ou outro amigo. Bragança é uma excelente cidade para se viver, em que tudo gira à volta dos estudantes do Instituto Politécnico, além disso tem uma excelente gastronomia.

-PUB-

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