Sem papas na língua e de uma forma muito directa, a responsável pela Delegação de Vila Real da Associação Portuguesa de Apoio a Vítima, APAV, aponta o dedo a algumas famílias de idosos que, além de serem vítimas de maus-tratos, são usurpados, ao nível das suas pensões.
Ao nível dos distritos de Vila Real e de Bragança, às situações que existem, referentes a maus-tratos físicos e psicológicos, também a negligência é um factor negativo.
Segundo Maria José, “as famílias não prestam os cuidados mais básicos que os idosos devem ter, ao nível dos cuidados de alimentação, higiene e saúde e, muitas vezes, acabam por usurpar os próprios recursos económicos dos idosos, ou seja, as suas reformas, fazendo uso dessas reformas, mas não as usando no sentido de lhes dar auxílio, havendo situações de abandono, quer seja em contexto hospitalar ou no próprio lar, muitas vezes deixando os idosos abandonados, na maior parte do dia, o que configura uma situação de crime, por ser uma situação de maus-tratos”.
Esta responsável reafirmou aquilo que, há alguns meses atrás, adiantou, ao Nosso Jornal, e que passava, para além da utilização do dinheiro e bens dos idosos, não em seu proveito, para ser desviado para outros fins.
Os dados do GAV de Vila Real que acaba por abranger o distrito, mas, também, um pouco o de Bragança, apontam para o aumento de pessoas idosas que são vítimas de crime. Na maior parte das situações, as vítimas são do sexo feminino e o contexto de risco para elas é, de facto, o familiar. Elas são “alvo” nas próprias casas e pelos seus próprios familiares e aqui emergem o cônjuge e os próprios filhos. Segundo a APAV de Vila Real, a denúncia das situações podem ser feitas para as instituições locais, Centros de Saúde, Segurança Social e, obviamente, para a APAV.
Jmcardoso



