Uma nova subestação já está em construção, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Outra nova está prevista para Vila Real e as beneficiações das mesmas unidades da Telheira e a remodelação da subestação do Pinhão são algumas das intervenções da EDP e Rede Eléctrica Nacional, REN, para Trás-os-Montes, onde se insere, ainda, a instalação da Central de Biomassa, na zona de Valpaços, e a construção de dois parques eólicos. Um, definido pela EDP como o maior de Trás-os-Montes, ficará situado em Moncorvo; o outro situar-se-á nas cercanias de Macedo de Cavaleiros.
Carlos Filipe, Director Adjunto da Rede e Clientes do Norte, adiantou, ao Nosso Jornal, algumas novidades, em relação aos investimentos. Algumas passam pela “intervenção e alterações, ao nível da subestação da Telheira que serve Vila Real”. “Vamos fazer ali alguns trabalhos de melhoria que vão interligar com uma rede originária da central do Varosa. O mesmo acontece na subestação do Pinhão que sofreu já beneficiações e está praticamente remodelada. Aqui, vamos ter três novas saídas de média tensão. Destaco uma para Alijó, outra para Sabrosa, as mais importantes. As obras, aqui, iniciaram-se depois de algumas dificuldades que tivemos, para colocação de alguns apoios. Sentimos a oposição dos proprietários. É uma das nossas dificuldades, para tentarmos satisfazer as populações, fruto de posições individuais, mas que, enfim, são compreensíveis. De qualquer forma, temos vindo a conseguir ultrapassar essas dificuldades”.
O investimento, “na perspectiva de melhorar a qualidade do serviço, para garantir uma posição de destaque na escala europeia” é outro dos desígnios almejados pela EDP.
“Traduzir, basicamente, na possibilidade de satisfazer melhor as necessidades dos clientes e aumentar, sobretudo, aquilo que a EDP define como selectividade” reforçam a vontade desta empresa num serviço de maior e melhor qualidade.
Carlos Filipe enunciou um exemplo: “Quando houver um problema na rede não podemos evitar que eles existam a 100%, mas, se houver, as populações afectadas serão num número mais reduzido. Isto traduz-se numa melhoria da qualidade do serviço na globalidade e num indicador de qualidade de serviço que nós temos e que é extremamente importante que é o Tempo de Interrupção Equivalente”. Pormenorizando algumas das iniciativas, este dirigente apontou a intervenção na subestação da Telheira (Vila Real) e deu a novidade da construção de uma nova subestação de distribuição de energia.
“Estamos a fazer algumas interligações na rede exterior, indirectamente na Telheira, o que nos vai permitir uma melhor funcionalidade e uma maior versatilidade de exploração da nossa linha. Equacionamos não para o imediato, mas para os próximos três anos, a construção de uma nova subestação, na zona de Vila Real. Não sabemos, ainda, o local exacto, mas irá melhorar, significativamente, a nossa capacidade de servir o público”.
Uma situação que mereceu uma abordagem neste encontro do Nosso Jornal com Carlos Filipe foi a questão das descargas eléctricas, derivadas das trovoadas e as avarias provocadas pelos seus efeitos.
“Neste momento, podemos dizer que, em relação há 10 ou 15 anos atrás, há uma melhoria significativa. Como é que se conseguiu? Primeiro, à custa de iniciativas que referi: aumentar o número de saídas. Quando houver algum problema, ele fica restringido a uma área menor. Segundo, uma vez ocorrida a avaria, actuamos agora de uma forma mais célere. E, para tal, estamos a instalar na rede equipamentos telecomandados que nos permitem actuar à distância: numa primeira fase, nem é preciso ir ao terreno. Isolamos logo as zonas que estão supostamente em avaria, o que faz que também tenhamos menos gente afectada nesses tipos de intervenções”.
A EDP também é um bom cliente da energia eólica e Carlos Filipe referenciou o distrito de Vila Real como um bom exemplo na exploração deste recurso.
“O distrito de Vila Real, como sabemos, é bastante pretendido. Os parques eólicos vão surgindo, nomeadamente nas áreas de Boticas, Montalegre, Ribeira de Pena, Vila Real e Mondim de Basto. Claro que cada vez há menos espaços disponíveis, na medida em que foi, talvez, o território mais povoado desse tipo de equipamentos. Mas, à medida das necessidades, por um lado; e à medida das pretensões e investimentos dos promotores, por outro, vai havendo algum crescimento. Temos, ao nível do distrito de Vila Real, uma parte significativa de energia eólica que está a ser injectada na rede que ronda entre os 10 a 15%”.
Ainda, no que se refere a novas subsestações, a EDP, mais propriamente a REN, está a construir uma outra, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Esta nova infra-estrutura será dotada de Pontos Injectores da REN e estará concluída em meados do próximo ano.
Mário Guimarães, Director de Rede da EDP do Norte que abrange 59 concelhos, referiu, ao Nosso Jornal, que “o crescimento, no distrito de Vila Real, em termos de clientes, cifra-se num aumento na ordem de cerca de 2 %, quer a nível de energia quer a nível de clientes”.
Em termos de novos investimentos, realçou o Parque Eólico de Moncorvo (que será o maior de Trás-os-Montes), a instalação de um outro (em Macedo de Cavaleiros) e, ainda, a construção da Central de Biomassa, na zona de Valpaços.
José Manuel Cardoso



