Detentora oficial do título de “Capital do Granito”, Vila Pouca de Aguiar continua invicta na ostentação desta designação, fruto das particulares características e da qualidade da rocha nesta zona da região, que constitui o motor de arranque da economia do concelho. Quase 80 por cento da sua produção nacional provém do norte, estando três zonas classificadas como extrativas situadas nesta vila e, apesar do desfalecimento do setor no mercado há cerca de dois ou três anos, recentemente foi registada uma estagnação, um possível sinal de que “melhores dias virão”.
É o mercado o grande responsável pela gestão das vendas e, atualmente “não está muito bom até porque toda gente se encontra com fraca possibilidade de comprar, investir e movimentar”. Domingos Ribeiro, responsável pela AIGRA – Associação dos Industriais do Granito, considera que, para já, “a situação está estável”.
“É óbvio que tivemos uma redução de vendas, também reduzimos um pouco os nossos custos e afinámos um bocadinho a máquina. Estamos a continuar a procurar mercados, com alguma dificuldade, mas as empresas estão a tentar não despedir ninguém e a situação começa a ganhar algum ânimo”, referiu o responsável.
Fundada em 2004, a AIGRA nasceu de uma necessidade crescente de representação e apoio dos industriais do granito em Vila Pouca e nos concelhos limítrofes. Na vila, os exploradores distribuem-se por três polos: o de Pedras Salgadas, o mais antigo e característico, o da Falperra, onde se produz o granito de maior procura, e o de Telões, onde são originados artefatos, tendo a produção de blocos uma contribuição menor para a produção total de rochas ornamentais no concelho.
Mais de 50 por cento do material extraído é exportado, grande parte para Espanha, em bruto. França, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo são alguns dos destinos, não descurando que “os mais próximos são os mais fáceis de conseguir”.
“O setor de rocha ornamental acabou por se tornar o mais visível porque enquanto havia obras públicas para fazer faturava-se muito cá dentro. E também ganhou destaque por ser um produto que se conseguia exportar, o que nos levou a ter um peso grande nas exportações de um global das mercadorias do país”, frisou Domingos Ribeiro.
Alavancar o setor
Em Vila Pouca de Aguiar, o granito é a principal fonte de emprego, abrangendo mais de duas mil pessoas e albergando mais de 50 empresas. Por ano, são extraídos cerca de 100 mil metros cúbicos, o equivalente a 300 mil toneladas, representando um volume de negócios de aproximadamente 100 milhões de euros.
Entre as principais preocupações dos industriais estão as acessibilidades, o gasóleo, a lei dos explosivos, entre outros.
De acordo com o responsável da AIGRA, há várias maneiras de alavancar o setor, tal como aconteceu na zona cativa de Pedras Salgadas, que ganhou um acesso pela autoestrada ao núcleo. Ainda assim, na serra da Falperra, a A24 passa mesmo junto das pedreiras e não tem qualquer acessibilidade. “Os camiões têm de fazer 15 a 20 quilómetros para entrar na autoestrada quando esta passa mesmo ao lado das explorações. Vamos voltar a reclamar essa situação agora com este Governo”, disse o dirigente, recordando as sete pedreiras que existiam naquela zona e foram encerradas por causa da construção daquela estrada. Estava prevista uma ligação da A24 ao IC5, que termina no Pópulo, para que existisse um acesso ao planalto de Jales, que iria permitir aos industriais da Falperra entrar na A24 e no IC5. Agora, têm de fazer um trajeto em terra batida e outro em alcatrão para chegar às grandes vias.
Outra das reivindicações é o gasóleo industrial, que já existe em Espanha. Visto que o consumo destas máquinas é bastante elevado nas viagens, o mesmo responsável defende um combustível especifico mais barato, que acabaria por reduzir os custos às empresas.
“Este é um setor muito característico, não podemos pegar na pedreira e mudá-la de local. Algumas empresas instalaram-se no concelho por existir matéria-prima e outras puderam situar a transformação perto das unidades extrativas”, disse.
Como já é habitual, a vila já está em contagem decrescente para a Feira do Granito, a realizar de 17 a 19 de junho, uma oportunidade para promover a “pedra preciosa” do concelho.





