“Não há razão para preocupação por parte da população de Boticas”, revela o inquérito interno realizado pelo Centro Hospitalar de Trás-os- -Montes e Alto Douro (CHTMAD) que, divulgado esta semana, pretendeu avaliar a situação dos resíduos hospitalares encontrados no Aterro Intermunicipal do Alto Tâmega.
Em comunicado, Carlos Vaz, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar, explicou que o relatório final do “rigoroso inquérito” levado a cabo concluiu que “não houve por parte dos trabalhadores da unidade hospitalar de Chaves qualquer procedimento incorreto”.
O documento refere ainda que, no âmbito da averiguação feita e da inspeção ao aterro sanitário de Boticas, ficou “provado que os resíduos hospitalares em causa eram do Grupo I (resíduos equiparados a urbanos) e Grupo II (resíduos hospitalares não perigosos), ambos sem necessidade de tratamento específico e, como tal, passíveis de envio no circuito municipal de Resíduos Sólidos Urbanos”.
Além de garantir “não haver preocupação por parte da população de Boticas”, no comunicado o CHTMAD adianta que será reforçada “a monitorização de todos os circuitos, a fim de evitar eventual erro humano”.
De recordar que, no dia 14 foi tornado público a descoberta de lixo hospitalar no aterro municipal, uma situação que desde logo mereceu as críticas da autarquia local, que publicamente manifestou a sua “incredulidade e preocupação”, exigindo que fossem “averiguados os factos e apuradas as responsabilidades”.
Em resposta ao comunicado do Centro Hospitalar, Fernando Campos, presidente da Câmara Municipal de Boticas, explicou que o inquérito “não merece o mínimo de credibilidade, até porque a última coisa a esperar seria de que o Conselho de Administração se incriminasse a si próprio pelo sucedido”.
“Perante tal situação, o município de Boticas reitera a sua posição de que o Conselho de Administração do CHTMAD se deve demitir, sendo promovida a realização de um inquérito rigoroso que determine a proveniência e perigosidade dos resíduos encontrados no aterro sanitário, sem qualquer tipo de interferências com a investigação por parte das entidades responsáveis envolvidas e com interesses em todo este processo”, defendeu o autarca, garantindo que, “ao contrário do que referem as conclusões do mencionado relatório, foram encontrados resíduos que não pertencem ao Grupo I, como sejam algálias, frascos de soro, sacos de urina, cateteres, fraldas, etc.”.
Considerando que o CHTMAD “está apenas a procurar mascarar a verdade e é incapaz de tomar a atitude correta, que seria apresentar a sua demissão e assumir a incapacidade para gerir uma instituição com a dimensão” do Centro Hospitalar, o município voltou a apelar ao ministro da Saúde para que “tome uma decisão sobre o assunto e reponha a normalidade no CHTMAD, devolvendo-lhe os índices de credibilidade que uma instituição desta natureza e dimensão necessita ter”.
De recordar que, também o Partido Ecologista “Os Verdes” pediu explicações ao Governo, através de um requerimento apresentado na Assembleia da República, ao qual até à hora de fecho desta edição não havia resposta.





