Quem olhar apenas para o resultado poderá pensar que o Vila Real foi até Parada do Pinhão para ter uma tarefa fácil. Mas isso não foi o que aconteceu. A equipa local bateu-se muito bem e demonstrou que, apesar de estar em último lugar, na tabela classificativa, tem valor e isso ficou vincado, no terreno de jogo. O muito público que acorreu ao Campo do Calvário não esperaria ver tanto equilíbrio entre duas equipas com posições antagónicas, na classificação. Aliás, os visitados adaptaram-se melhor às condições do pelado lamacento e foram os que criaram mais situações de perigo, durante toda a primeira parte. O Vila Real apareceu um pouco atónico, uma vez que sentiu grandes dificuldades em travar as investidas dos locais, sempre muito apoiados pela sua massa associativa que compareceu em peso, num dia histórico para a equipa de Parada do Pinhão.
Os homens da casa sentiam que o líder estava o seu alcance e, por diversas ocasiões, estiveram muito perto de marcar. Mas o avançado Ari esteve pouco inspirado, na frente atacante. Aos 15 minutos, surgiu o primeiro remate perigoso à baliza de Vieira, mas a bola sofreu um pequeno desvio e saiu, pela linha final. Na sequência do pontapé de canto, Ari saltou, sozinho, mas o cabeceamento saiu ao lado. Perto da meia hora de jogo, de novo Ari a criar muito perigo, junto da baliza “alvi-negra”. O primeiro remate do avançado da casa foi travado pela defensiva forasteira e, depois, foi Paulinho a tentar a sua sorte, mas de novo a defesa tirou a bola da zona perigosa. Nem parecia que em campo estava o líder destacado deste campeonato, frente ao último. O Parada do Pinhão conseguia explanar o seu futebol directo e chegava, com muito perigo, junto da área vila-realense. Num outro lance, Hugo teve um excelente trabalho, na esquerda, cruzando para a área, mas apareceu Miguel a fazer o corte providencial, quando Ari já se preparava para alvejar a baliza de Vieira.
A reacção do Vila Real a este ímpeto atacante do Parada surgiu, através de um remate perigoso de Castanha, mas este sofreu um desvio e acabou por sair por cima do travessão. Aos 35 minutos, o árbitro assinalou uma falta, à entrada da área. Deste lance surgiu o primeiro golo, através do livre superiormente cobrado por Nuno Meia. Mais uma vez, se aplicava, perfeitamente, o ditado: “Quem não marca, arrisca-se a sofrer”. Antes do intervalo, o Parada poderia ter chegado ao empate, num erro de Vieira. O guarda-redes, ao tentar aliviar a bola, fez com que esta batesse em Juan, quase entrando na baliza. Mas saiu a centímetros do travessão. A vantagem vila-realense, ao intervalo, não se justificava, uma vez que os homens de Bernardino foram superiores e tiveram mais oportunidades para marcar.
No segundo tempo, tudo se alterou. O Vila Real entrou com maior dinâmica e, com a expulsão de Ari, aos 58 minutos, os visitados sentiram muitas dificuldades para contrariar o maior poderio do Vila Real. A jogar com menos um elemento e sem o fulgor dos primeiros 45 minutos, o Parada não conseguia ser a equipa perigosa que tinha sido durante a primeira parte. As oportunidades dos “alvi-negros” eram, agora, uma constante e adivinhavam-se mais golos, na baliza de Marco. Depois de várias perdidas, Leirós encontrou o caminho de golo, aos 71 minutos. O versátil jogador vila-realense aproveitou um ressalto, desferiu um potente remate, de fora da área, aumentando a vantagem. Pouco tempo depois, surgiu o terceiro golo da tarde. Nuno Meia levantou para o segundo poste, onde apareceu, solto, Miguel, a facturar. Estava feito o resultado final.
Antes do término do encontro, o Parada do Pinhão poderia ter feito o tento de honra que bem fez por merecer. Rui Santos rematou, forte, mas a bola saiu a escassos centímetros do poste.
O Vila Real acabou por justificar a vitória, pelo que produziu no segundo tempo, mas o Parada do Pinhão também não mereceu perder, por três golos sem resposta. Mostrou qualidade, mas faltou-lhe alguma serenidade e eficácia atacante, em momentos decisivos da partida.
Luís Pimentel, treinador do Vila Real
“Fomos mais fortes”
O técnico vila-realense ficou satisfeito com a vitória que acaba por ser um justo prémio para a sua equipa, nomeadamente pelo trabalho efectuado no decorrer da segunda parte.
“Sentimos algumas dificuldades, num campo de dimensões muito reduzidas, que acabou por limitar a nossa estratégia ofensiva. Nós gostamos de jogar em ataque organizado, utilizando as faixas laterais, mas aqui não é possível. As condições do terreno também não eram as melhores e, aliando, ainda, uma grande atitude da equipa do Parada do Pinhão, durante a primeira parte, acabou por ser um jogo difícil, para o Vila Real. Felizmente, fomos os primeiros a marcar e, na segunda parte, tivemos um domínio absoluto. Entrámos muito fortes, dispusemos de várias oportunidades e, a partir do segundo golo, tudo se tornou mais fácil. O importante foi somar os três pontos, num campo que sabíamos, à partida, que era difícil, uma vez que o Parada do Pinhão tem qualidade e isso ficou aqui patente”.
Questionado sobre o comentário feito pelo técnico Bernardino à actuação do árbitro, Luís Pimentel limitou-se a dizer que “o Parada do Pinhão perdeu, porque o Vila Real foi mais forte, teve mais oportunidades, marcou três golos e, sobretudo, ganhou porque foi melhor”.
Bernardino, treinador do Parada do Pinhão
“O árbitro foi um habilidoso”
O técnico da casa, no final do encontro, mostrou-se bastante agastado com o trabalho do árbitro do encontro. Referiu que a sua equipa foi e tem sido, claramente, prejudicada, ao longo da época, por diversas equipas de arbitragem.
“O Vila Real não necessitava da ajuda do árbitro. O Parada do Pinhão não foi em nada inferior ao Vila Real. Na primeira parte, fomos, claramente, superiores e tivemos excelentes jogadas de futebol. O árbitro foi um habilidoso e foi ele próprio a fazer o resultado. No lance que originou o primeiro golo, foi o jogador do Vila Real que fez a falta e o árbitro marcou ao contrário. Quando acontecem estas situações, tenho que lamentar e dizer que estou triste. O Conselho de Arbitragem deveria ter mais cuidado, quando faz as nomeações, porque somos prejudicados em quase todos os jogos. É uma vergonha. O Parada do Pinhão merece respeito. Presentemente, o Parada do Pinhão não fica a dever nada a nenhuma equipa e, possivelmente, vai descer, devido à má organização que teve no início da época. Mesmo assim, não vamos baixar os braços e vamos lutar, para nos mantermos nesta divisão. Se não conseguirmos, vamos continuar a trabalhar, para dignificar a camisola do Parada do Pinhão”.
Márcia Fernandes
FICHA TÉCNICA
Jogo disputado no Campo do Calvário, em Parada do Pinhão.
Árbitro: Marco Cardoso.
Auxiliares: Bruno Pereira e Paulo Guerra.
PARADA DO PINHÃO – Marco; Fredy, Meia, Zé Luís (Rui Santos, 60’) e Miguel; Paulinho (Tiago, 70’), Hugo Macedo, João Macedo (J.J, 85’) e Ari; Juary e Juan.
Suplente não utilizado: Kanu.
Treinador: Bernardino.
VILA REAL – Vieira; Filipe, Nuno Fredy, Miguel e Peixoto (Caniggia, 74’); Norberto, Leirós, Castanha (André Azevedo, 81’) e Pedro Alves; Nuno Meia (Paulo André, 86’) e Palhares.
Suplentes não utilizados: Carlos, Bruno Silva e Nuno Silva.
Treinador: Luís Pimentel.
Cartões amarelos: Peixoto (27’), Hugo Macedo (28’), Fredy (34’), Paulinho (56’), Leirós (90’) e Norberto (90+3’).
Cartão vermelho: Ari (58’).
Ao intervalo: 0-1.
Marcadores: Nuno Meia (35’), Leirós (71’) e Miguel (78’).

