Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
RegiãoRui Rio defendeu a “descentralização com responsabilidade política” para desenvolver o interior

Rui Rio defendeu a “descentralização com responsabilidade política” para desenvolver o interior

Ao fazer uma abordagem à escala nacional, o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, teceu duras críticas ao centralismo de Lisboa, referindo ser um adepto convicto da “descentralização com responsabilidade política”.

“Eu acredito que no dia em que Portugal se predispuser a fazer um debate sério e sensato sobre a regionalização, damos um passo em frente para termos uma despesa pública menor e uma despesa pública muito mais eficiente”, disse Rui Rio, em Tabuaço, durante as Conferências da Cidade – Douro Sul, acrescentando que é preciso “estancar o poder de sucussão do poder central sobre as zonas de baixa densidade”. “Qualquer dia todas as regiões são de baixa densidade, retirando a capital”, ironizou o militante do PSD.  

Afirmou ainda que a regionalização não aumenta a despesa pública “ao contrário do que muitos pensam e dizem”, dando como exemplo a dívida pública, que ascende aos 130 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), em que as autarquias “são apenas responsáveis por 2,5 por cento desse valor”. “Quem deu cabo das finanças públicas deste país não foram as autarquias, foi a administração central, que é despesista. Isto é uma evidência”, sublinhou, adiantando que as câmaras “endividaram-se pouco” e até “fizeram um trabalho notável”.

Rui Rio revelou que só vê um caminho para tentar inverter as coisas, para que daqui a 10 ou 15 anos não estejamos pior a nível das desigualdades territoriais. “Portugal tem de reduzir o seu endividamento, sob pena de continuar a agravar as assimetrias que se vão acentuando ao longo dos anos”. 

Defendeu igualmente que quanto mais perto os políticos estão dos problemas, “maior é a capacidade para gerir bem os recursos disponíveis”. “Se estamos perto, conseguimos fazer mais com menos, se estamos muito longe dos problemas, erramos mais, fazemos menos e gastamos também mais”, reafirmou.

Outro dos convidados, Rui Nunes, professor da Universidade de Medicina do Porto, tem uma visão semelhante, defendendo ainda um debate aberto à sociedade civil para se encontrar novas formas de organização local que promovam sinergias em torno do desenvolvimento comum.  

O anfitrião, Carlos Carvalho, presidente da Câmara de Tabuaço, salientou problemas do Douro Sul e dos territórios de baixa densidade e apontou soluções, defendendo uma “discriminação positiva” para alavancar a região. “Precisamos de fixar e trazer gente para o nosso território e só com a criação de postos de trabalho isso será possível”. 

Leandro Macedo, presidente da Assembleia Municipal de Tabuaço, reforçou a importância de um trabalho conjunto neste território a precisar de soluções sustentáveis. No final, Domingos Nascimento, presidente da Comissão Promotora da Agência Social do Douro, reiterou os desafios para o Douro Sul e indicou que a Agência Social do Douro, será um parceiro agregador das diferentes ações da sociedade civil, potenciando-se, desta forma, uma ação conjunta e concertada.

Nesta primeira conferência sobre o Douro Sul, sociedade civil e autarcas falaram dos principais contextos locais, regionais e nacionais, para que, na diversidade de opiniões e opções sociais e políticas, se construa um caminho de sucesso para esta região. 


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