Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022

Sindicato defende que calendário do Túnel não vai ser cumprido

O prazo de execução da obra é o final de 2015, mas o Sindicato contesta o calendário do Governo e acredita que serão precisos pelo menos mais alguns meses para a conclusão do Túnel do Marão. Asseguradas estão todas as condições de segurança

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Um mês depois do reinício dos trabalhos de construção do Túnel do Marão, o Sindicato da Construção de Portugal defendeu que, ao contrário do que está previsto, a obra “poderá estar completamente concretizada até março de 2016”.

“Tendo em conta aquilo que falta realizar, que é cerca de um quilómetro de cada lado dos túneis, o prazo de execução até ao final de 2015 dificilmente será cumprido”, sublinhou Albano Ribeiro indicando o final do terceiro trimestre de 2016 como uma “data mais realista”.

Falando ‘na boca do túnel’, o sindicalista referiu que “há acessos onde ainda nem sequer foram iniciados os trabalhos”. “Dou como exemplo a viga de lançamento, do lado de Amarante ou da parte nascente dos túneis, que demora mais de um mês a ser colocada”, explicou.

Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, corrobora com a ideia do Sindicato. “Acredito mais no sindicato do que propriamente no Governo porque também eu estou convencido que em janeiro de 2016 não teremos a estrada aberta ao público e a obra concluída”, sublinhou.

O mesmo responsável recorda mesmo que junho de 2011, aquando da campanha eleitoral para as autárquicas, defendeu “que provavelmente seria um governo socialista a inaugurar a obra”. “Disse-o num comício: lá para meados de 2016, a obra estará concluída e será o doutor António Costa a vir cá inaugurá-la”.

A contestação ao calendário do Túnel do Marão surgiu à margem da assinatura de um protocolo entre o Sindicato e a Estradas de Portugal, que tem como finalidade “assegurar as condições de segurança” aos trabalhadores.

Albano Ribeiro explicou que se trata de “um protocolo inédito no setor de construção” e ressalvou que “o sindicato vai estar, em conjunto com a Estradas de Portugal e as empresas responsáveis pelas obras, em todas as frentes com ações pedagógicas para evitar acidentes”, a primeira das quais está prevista já para o dia 6 de janeiro.

“Falar em construção é falar em perigos, esses perigos podem ser reduzidos e o protocolo visa precisamente isso”, sublinhou ainda o presidente do sindicato considerando que o Túnel “não é uma obra qualquer”, tem um levado grau de perigosidade, e que é necessário “inaugurar a obra sem qualquer acidente mortal”.

Só este ano, até novembro, registaram-se 34 vítimas mortais em acidentes de trabalho no setor da construção civil em Portugal.

A construção do Túnel foi retomada em novembro, depois desta ter sido suspensa em 27 de junho de 2011.

O troço, que ligará os concelhos de Amarante e Vila Real, beneficiando diretamente cerca de 120 mil habitantes, tem na totalidade 30 quilómetros, 5,6 dos quais em Túnel e a sua construção vai envolver, no pico da obra, cerca de 900 trabalhadores.

 

Autarca alerta para os prejuízos causados às populações locais

 

“Basta circular na zona da Campeã e de Torgueda para verificar o quanto estas populações foram prejudicadas pela paragem das obras do túnel do Marão. Temos estradas e caminhos municipais completamente destruídos”, denunciou Rui Santos.

Segundo o autarca, a suspensão da obra durante 42 meses teve “óbvios prejuízos em termos económicos”, como um elevado número de “postos de trabalho que desapareceram”.

Rui Santos revelou que já foi garantido que a requalificação das estradas afetadas terá sido “entregue a um concessionário”, ainda assim exige que “corrijam rapidamente os prejuízos que durante três anos e meio as populações tiveram de acarretar e sofrer”.

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