“O jogador erra, o árbitro não o critica. Mas se o árbitro erra, toda a gente lhe cai em cima”, afirma, entendendo que, por isso, “o árbitro deveria ter a oportunidade de dar a sua opinião no final dos jogos e explicar certas decisões”.
Árbitro há quase 30 anos, 10 dos quais em Portugal, tudo começou por uma brincadeira. “Eu fui emigrante em França e jogava futebol numa equipa de portugueses, na qual era o capitão. Num dos jogos, o árbitro não apareceu e o observador disse que o jogo se realizava caso alguém que estivesse na ficha de jogo assumisse a arbitragem. Foi então que me disponibilizei”, recorda, admitindo que “correu bem” e
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Com o final da época, chegou, também, o momento de colocar um ponto final na carreira. E nestes anos, confessa, “não vi grandes mudanças na arbitragem”, nem com a chegada do vídeo-árbitro (VAR), com o qual não concorda.
“Eu sou contra o VAR. Basta vermos o jogo da final da Taça de Portugal. O que estava lá o VAR a fazer”, questiona, afirmando que “não se compreende como é o VAR, havendo agressão, não chama o árbitro”. E acredita que o VAR “tirou um pouco do encanto da modalidade”, porque “os jogadores, muitas vezes, estão mais preocupados em pedir que se vá ao VAR do que em fazer o trabalho deles”. Além disso, “há decisões muito demoradas”.
A decisão de terminar a carreira “não foi fácil, mas foi ponderada”, revela Orlando Valoura, que quer dedicar-se “mais à família”.
E sobre os mais novos, que agora começam a dar os primeiros passos na arbitragem, diz que “muitos querem chegar ao topo muito depressa. Para se ter sucesso não podemos ir de elevador, tem de ser degrau a degrau”, revelando que “é preciso dedicação, tempo e descanso, porque são muitos quilómetros”.



