Terça-feira, 15 de Junho de 2021
©Luís Amaral

Vilarinho de S. Romão – Terra de gente acolhedora, onde começa a faltar juventude

É no concelho de Sabrosa que encontramos a freguesia de Vilarinho de S. Romão, da qual faz parte, também, a aldeia de Paradelinha.

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4045 Com uma área de 6,27 km², esta freguesia tinha, no ano de 1900, pouco mais de mil habitantes. Hoje, e de acordo com os censos de 2011, são 294.

António Venâncio está à frente dos destinos da freguesia há quatro anos. “Tem sido uma boa experiência”, admite, realçando que “aceitei o desafio para continuar o trabalho que estava a ser feito e penso que estamos a conseguir”.

Questionado sobre as obras dos últimos tempos, o autarca destaca a recuperação de um imóvel da junta onde foi instalado um armazém de apoio à instituição e “uma parte foi aproveitada para fazer um salão multifuncional, ou seja, se alguém quiser fazer uma reunião lá pode fazê-lo, mas se for necessário também pode ser adaptada para ser uma casa mortuária, coisa que não existe na freguesia. Os velórios aconteciam na capela da Nossa Senhora de Ao Pé da Cruz, mas as pessoas queixavam-se do frio e das poucas condições”.

A nível de pavimentações, “tem-se feito alguma coisa, dentro das nossas capacidades financeiras”. Quem o diz é Marcelino Alves, tesoureiro da junta, que conhece bem os cantos à casa, tendo em conta que foi presidente durante 12 anos.

Destaque, também, para “o jeito que demos aos caminhos agrícolas e florestais”, refere António Venâncio. “Dentro da área de Vilarinho limpámos tudo, porque passar a pé era difícil e com um camião de combate a incêndios ainda pior. Investimos aí algum dinheiro, até porque são caminhos que têm de ser feitos por quem sabe”, explica.

Outra coisa que orgulha o atual executivo é ter conseguido concretizar a toponímia da freguesia. “Foi uma tarefa difícil”, confessou Marcelino Alves, acrescentando que “as ruas tinham nomes, mas muito antigos. Não estavam devidamente identificadas”.

Já António Venâncio admite que “isso era uma tarefa da câmara municipal, está na lei, mas houve freguesias que fizeram por conta e risco e a autarquia disse que não ia fazer só para nós e tivemos que tomar a iniciativa”. Foi um investimento na ordem dos seis mil euros, que contou com mão de obra da casa. “Fui eu, o Marcelino e mais outra pessoa, que fizemos tudo. Só falta algumas pessoas virem à junta levantar os números de polícia, foi a única coisa que não colocámos”.

 

 

Associativismo

 

Aceitei o desafio de ser presidente para continuar o trabalho que estava a ser feito e penso que estamos a conseguir”

 

António Venâncio

presidente da JF Vilarinho de S. Romão

A sede da Junta de Freguesia de Vilarinho de S. Romão é, também, sede da Associação Desportiva e Cultural, fundada em 1979. Este é o ponto de encontro dos habitantes desta freguesia. Aqui joga-se às cartas, veem-se jogos de futebol e, em tempos, houve até teatro amador. Agora, com a pandemia, o espaço acaba por estar fechado a maior parte do tempo, “até porque as pessoas têm medo de sair de casa”. Nas paredes, restam as memórias da equipa de futebol, que deixou de existir “há uns 20 anos”, indica Marcelino Alves, lamentando que “agora não há jovens para ter equipa, nem de cinco”.

 

 

Parque de caravanismo

 

No papel está outro projeto, a construção de um parque de campismo e caravanismo. “Já temos lugar para ele que é o antigo campo de futebol, inativo há muito tempo”, indica o presidente da junta, salientando que “há um estudo prévio feito pela junta de freguesia com alguma envergadura, com espaço para caravanas e bungalows. É um local onde há sol todo o dia e com bons acessos. Só falta o dinheiro. Terá de ser com a ajuda de privados, por exemplo, porque estamos a falar de um investimento que pode chegar aos 500 mil euros e a junta não tem capacidade financeira para tal”.

Antiga escola ganha vida

 

Vilarinho de S. Romão tem perdido residentes ao longo dos anos e a maioria da população (70%) tem mais de 60 anos. A falta de crianças fez com que as três escolas que ali existiam fechassem. Contudo, uma delas, situada na sede da freguesia, está a ser recuperada pela Câmara Municipal de Sabrosa. Ali vai nascer um espaço de apoio à visitação turística, direcionado para o Alto Douro Vinhateiro. Uma ideia vista com bons olhos pela junta de freguesia porque “pode trazer turistas”. Mas a ideia há muito que paira por estes lados. Marcelino Alves refere que quando era presidente apresentou uma ideia “semelhante, a pensar no turista de mochila, que com pouco dinheiro faz muita coisa”, mas que acabou por “ficar na gaveta porque alegaram ter outras ideias. Felizmente, agora estão a fazer alguma coisa e temos esperança que o espaço, quando entrar em funcionamento, seja uma mais valia para a freguesia”.

 

 

 

 

 

Curiosidades

 

O padroeiro da freguesia é S. Romão, mas as festividades são em honra de S. João Batista e Nossa Senhora de Ao Pé da Cruz e realizam-se a 24 de junho. Em Paradelinha as festas são em honra da Senhora da Graça nos dias 2 e 3 de setembro.

Ao longo dos séculos, o vinho foi a única fonte de rendimento das famílias. No entanto, a filoxera destruiu as vinhas. A primeira solução foi a produção de tabaco, mas ficava muito caro a nível de impostos. A segunda opção fez de Vilarinho de S. Romão a primeira freguesia em Portugal, e talvez da Península Ibérica, onde foi plantada e conservada batata.

 

 

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