O Márcio é um menino muito brincalhão, bem-disposto e alegre, que gosta de conviver com as pessoas e passear de carro. Nasceu no dia 14 de outubro de 2014 com apenas 28 semanas. Logo no segundo dia de vida teve uma hemorragia cerebral que lhe provocou um problema de hidrocefalia e paralisia parcial no lado esquerdo e na coluna. Apesar de ter nascido no hospital de Vila Real, teve de ser transferido para o centro Materno Infantil do Norte no Porto, onde foi submetido a três operações. “Ao longo deste tempo, já notamos bastantes progressos, mas os médicos não adiantam grande coisa, dizem que temos de viver um dia de cada vez”, afirma a mãe, Laura Silva, natural de Pegarinhos, concelho de Alijó, que acredita que os tratamentos poderão ajudar o seu filho a ter uma vida melhor. “É considerado um bebé crónico, uma vez que a hidrocefalia não tem cura. No entanto, a paralisia poderá ser minimizada com a fisioterapia. É essa a nossa grande esperança”.
O menino não consegue manter o equilíbrio e tem uma tetraparesia de predomínio no membro superior esquerdo. A rotina desta mãe mudou completamente com o nascimento deste seu terceiro filho. Hoje com 33 anos, Laura teve de deixar o emprego no Centro de Dia para prestar todos os cuidados ao Márcio, que quase todos os dias tem de se deslocar a Vila Real para os tratamentos e por vezes ao Porto para as consultas da especialidade. Por exemplo, na semana passada o Márcio teve hidroterapia na segunda-feira, em Vila Real, onde também esteve na terça-feira a fazer fisioterapia. De tarde, teve de se deslocar ao Porto para uma consulta de oftalmologia. Quarta-feira teve terapia da fala e na quinta teve fisioterapia e terapia ocupacional, também em Vila Real. Este é o exemplo da rotina desta criança, que mesmo assim continua a mostrar uma grande motivação para continuar a lutar por uma vida melhor.
Os dias mais complicados já passaram, quando o Márcio teve de estar internado durante quatro meses no Porto. “Foi muito difícil para todos nós. Até os meus filhos mais velhos (uma menina com 16 anos e um rapaz de 14) sentiram muito a falta da mãe e do irmão, que tem sempre um sorriso para dar”, sublinha a progenitora.
Para ter uma vida “mais confortável”, o Márcio precisa de duas cadeiras, uma para andar na rua e outra para estar em casa, sentado à mesa em posição mais cómoda, uma vez que tem dificuldade em manter o corpo direito. “Servirá sobretudo para manter uma melhor postura enquanto está sentado, de forma a manter as costas mais direitinhas”, frisa a mãe, adiantando que só a cadeira para andar na rua custa mais de três mil euros. “É um valor elevado para nós, uma vez que agora só o meu marido trabalha. No entanto, temos recebido apoio de pessoas de Murça e também de Alijó”.
Este agregado familiar é composto por cinco pessoas e neste momento apenas trabalha o pai, Miguel Silva. Como as duas cadeiras são “bastante caras”, esta família precisa da sua ajuda para as adquirir. Recentemente, uma seguradora de Alijó organizou uma caminhada solidária, onde participaram mais de duas centenas de pessoas, que assim puderam contribuir para ajudar o Márcio a manter o seu sorriso contagiante. Segundo Sofia Ligeiro, funcionária da Figueiredo Seguros, a iniciativa “superou as expectativas”, uma vez que vieram pessoas não só do concelho alijoense, mas também muitas de Murça. “Mesmo assim, o valor angariado ainda não é suficiente e prometemos continuar a ajudar o Márcio, que é um miúdo incrível e precisa de muitos cuidados”, disse Sofia Ligeiro, adiantando que já estão a tentar arranjar uma consulta com o “melhor especialista” nacional em neurocirurgia para ver o caso deste menino.
A família agradece a todos os que já ajudaram, referindo que “não tem palavras” para descrever a solidariedade para com o seu filho.
Para ajudar o Márcio, pode fazer um donativo através de transferência bancária para o IBAN
PT50 0035 0045 00020 7250 3003




