O projeto MK Nocivo nasceu em 2004 e conta já com inúmeros trabalhos e colaborações. Sagrou-se vencedor do Rock Rendez Worten 2008 e finalista de bandas Sumol Summer Fest em 2014, tendo no ano seguinte ganho o NOS Live Act, com presença no cartaz do festival.
A Voz de Trás-os-Montes procurou saber junto do artista, através de uma entrevista intimista e exploratória, mais pormenores sobre a sua carreira profissional e o seu sucesso.
VTM – Como e quando começa a história do MK Nocivo?
Jorge Rodrigues – Comecei a ouvir Rap em 98 depois de ouvir o clássico “It’s Like That” dos RUN DMC, fiquei logo fascinado não só pela música mas também por toda a arte envolvente apresentada no vídeo, tanto que os meus primeiros passos foram no graffiti e tinha de arranjar um “tag”, algo que me identificasse. MK era um diminutivo da minha alcunha na altura, rápido e eficaz.
Entretanto, comecei a fazer Rap e a produzir em 2004 e foi aí que surgiu o Nocivo em ambiente de batalhas na rua, alguém disse “o teu rap é nocivo”, eu gostei e ficou.
Nasceste em Trás-os-Montes, como chegaste a um estilo musical pouco enquadrado na região como é o caso do hip-hop?
Não vejo isso como uma questão de zona, mas sim como uma questão de identificação, tu podes morar numa grande metrópole e ser fã da desgarrada ou do pimba.
Quais as maiores dificuldades que sentes, ou já sentiste, no teu percurso profissional desde que iniciaste este projeto?
A maior dificuldade sempre foi a exposição, coisa que hoje em dia já está mais facilitada com a internet. Já conseguimos promover bem um trabalho e fazê-lo chegar a todo o lado.
Ainda sinto que há alguma discriminação em relação à zona mas nada de muito preocupante, aos poucos chegamos lá.
Por que razão escolheste temas relacionados com bombeiros e praxes para alguns dos teus trabalhos?
Primeiro, porque para mim o rap tem de ser interventivo e, segundo, porque em ambos os casos os temas me tocavam diretamente. Um dos bombeiros que faleceu frequentou a minha escola, ainda nos cruzámos algumas vezes e isso mexeu comigo. No segundo caso, das praxes, eu era Dux nesse ano e fiquei ofendido com um artigo que li na internet que se chamava “Carta para um Dux”, daí ter resolvido responder com o tema “Carta de Um Dux” e mostrar que nem tudo é como dizem, pois há praxes e praxes.
Em que te baseaste para o tema “livro de reclamações”? O que pretendes ver alcançado com ele?
O “Livro de Reclamações” é um tema que fala do estado do hip-hop nacional, verdades que têm de ser ditas e a minha opinião sobre imensos fatores. O que pretendo alcançar? Abrir os olhos a alguns intervenientes do movimento, aos fãs e a quem se identifique com a cultura.
O último álbum do MK Nocivo, “Pro Domo – Em Causa Própria”, contas com a participação da cantora Vanessa Martins e com a produção de L.O.B. O vídeo oficial do single, lançado no final de 2016, somou 200 mil visualizações apenas no espaço de duas semanas. Como encaras este número?
Exatamente assim, como um número. Não me sobe à cabeça, até porque há artistas com muitas mais visualizações do que eu. Não digo que não fico contente, é sinal que está a chegar a mais pessoas e abrem-se mais portas, isso é bom, mas prefiro ter salas cheias, pessoas a identificarem-se com a minha música e ver sorrisos de satisfação da primeira à última fila.
O tema “Filha de Emigrantes” foi um dos que mais divulgou o teu nome, em conjunto com a cantora Vanessa Martins. Como surgiu a ideia e a oportunidade de se juntarem neste duo?
O tema é a história de vida da minha noiva, ela é a “Filha de Emigrantes”, é tudo baseado nela, história essa que ela me contou numa noite em desabafo.
Eu escrevi o tema e decidi convidar a Vanessa, pois aprecio o trabalho dela e é das melhores vozes com quem já tive o prazer de trabalhar.a Ainda vamos fazer muitas coisas.
Que feedback tens tido do teu percurso? Até onde é que o teu nome já chegou em termos mundiais?
Tem sido bastante positivo, quando comecei nunca pensei que tanta gente viria a conhecer o meu nome para ser honesto.
Em termos mundiais já toquei em Espanha (Madrid e Barcelona) e em França no megalómano festival Paris hip-hop, onde o cabeça-de-cartaz era Wu Tang Clan e onde estavam imensos artistas conceituados mundialmente.
Neste momento, tenho datas para Luxemburgo e Suíça, estamos em negociações para os Estados Unidos, França e Açores. Há também uma possibilidade de tocar no Brasil, mas essa ainda não está assegurada, vamos ver.
Que projetos tens para o futuro que nos possas desvendar?
Estou a trabalhar em temas novos, a preparar uma mixtape e um EP diferente, com uma sonoridade mais Trap, mas sem nunca esquecer as raízes. Fui recentemente convidado a fazer uma música pedagógica para passar em diversas escolas secundárias, um projeto ousado que aceitei de imediato, pois para mim o rap é mesmo isso, educação, intervenção, mensagem. Andámos anos a lutar para a sua aceitação e pelo respeito devido, finalmente está a acontecer.
Futuramente também gostaria de fazer algo em Hardcore ou New Metal, outros estilos musicais que aprecio bastante.




