Uma feira com história de altos, baixos e resistência

Associada às festas da cidade, a Feira de São Pedro começou em 1984 e realiza-se anualmente, à exceção dos dois anos marcados pela pandemia de Covid-19, chegando em 2025 à 40.ª edição.

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O certame começou por ser organizado pelo Grupo de Amigos da Feira de São Pedro, no mesmo local de hoje, mas com condições muito diferentes. Não havia um espaço coberto e eram poucos os stands com empresas, a maioria ligada, nesses primeiros tempos, à atividade agrícola, setor dominante na economia do concelho.

Passou, a partir de 1990, a ser responsabilidade da Associação Comercial realizar o certame que se veio a tornar uma das mais importantes feiras empresarias da região, diferenciando-se da maioria que surgia, mais temáticas. As que tinham alguma semelhança no figurino, em Mirandela ou Bragança, acabaram por não resistir.

Dos anos 80 até aos nossos dias, a Feira de São Pedro percorreu um longo caminho, com altos e baixos, épocas de grandes enchentes e muitas vendas, até alturas de algum declínio e menos visitada, mas nunca deixou de se fazer.

“De facto, foi uma feira pujante, que se conseguiu aguentar ao longo destas quatro décadas”, afirma Benjamim Rodrigues.

A história da feira tem “um ciclo diferente, não tem, logo à nascença este caráter de feira empresarial”, afirma Paulo Moreira, presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Macedo de Cavaleiros (ACISMC). Inicialmente, houve um grupo de macedenses que se envolveu e que acabou por dar origem “a esta integração necessária de uma feira empresarial”, conta. A associação comercial surge como “um mecanismo de desenvolvimento do certame. “A Feira foi crescendo, e cada direção que a foi acompanhando, fez sempre o melhor para que ela evoluísse”, frisa.

“Recordo-me de em miúdo andar nesta feira e ser algo gigante, algo que o próprio concelho também não estava de todo preparado, para uma projeção tão grande”, diz.

Na década de 90 havia “empresas a nível nacional que queriam expor e mostrar os seus artigos e produtos”. Mas o processo de crescimento e adaptação foi “gradual”. “Estamos a falar de 40 anos, é muito tempo, são quatro décadas de trabalho, de recursos, de insistência, porque temos que insistir muitas vezes para que as coisas se realizem, fazer acreditar, envolver as pessoas, a população numa estrutura que lhes pertence, porque esta festa não é minha, esta festa é de todos nós”, para impulsionar o melhor do concelho e para o bem de toda a região”.

Este ano, em que se atingem as 40 edições, a organização espera que seja um momento de viragem e de novo impulso deste evento. “É um modelo que está já ultrapassado”, considera Benjamim Rodrigues, justificando a aposta na inovação e em novas iniciativas em 2025.

Origem na Festa de Segadores

Historicamente, houve uma grande evolução desde a génese das celebrações nesta altura do ano em Macedo de Cavaleiros.

Começou por ser realizada uma Festa dos Segadores e foi na sequência desta que Macedo passou a celebrar o São Pedro, como festas principais da localidade.

“Esta era a época das segadas havia imensos campos de trigo, e vinham pessoas de várias proveniências, da zona de Valpaços, de Chaves e outros locais. Ficavam aqui alojadas para fazer as segadas, e faziam festas também. Depois, na sequência destas festas, é que se chegou à Festa de São Pedro” e mais tarde à Feira de São Pedro, que “tinha o intuito de se transformar, não numa feira iminentemente agrícola, mas numa feira que tivesse todas as vertentes e setores do concelho”, incluindo a área comercial e industrial.

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