Sábado, 16 de Outubro de 2021

Unidade de saúde pode estar “a dias” de fechar

Em causa está uma dívida superior a um milhão de euros à entidade gestora do hospital, a Lusipaços, que, apesar de manter em dia os salários de enfermeiros, funcionários, auxiliares e pessoal administrativo, há “três ou quatro” meses que não paga a médicos e mantém dívidas a fornecedores. Com os números a apontar uma levada taxa de utilização e uma gestão eficiente, a empresa não percebe o atraso no pagamento por parte da Santa Casa da Misericórdia e acusa os seus responsáveis de falta de comunicação

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“Financeiramente falando, podemos aguentar uns dias. Mas é difícil contabilizar”, explicou José Ignacio Lopes, sócio–gerente a Lusipaços, empresa responsável pela gestão do Hospital de Valpaços, que, no dia 8, em conferência de imprensa, confirmou que a unidade “corre sérios riscos de fechar”.

A Santa Casa da Misericórdia é não só proprietária do edifício onde funciona hospital como também detém o acordo com o Ministério da Saúde para que a unidade funcione como um hospital público para os utentes do Sistema Nacional de Saúde, ou seja, é a intermediária entre as transferências monetárias provenientes do acordo estabelecido com a Administração Regional de Saúde. É exactamente o bloqueio dessas verbas, somando já mais de 1,1 milhões de euros, que está a causar o estrangulamento financeiro ao hospital e poderá estar na base do seu encerramento.

Segundo José Ignácio Lopes, a comunicação com os responsáveis pela Misericórdia tem sido “muito difícil”, sendo que as únicas informações que conhece, e não de forma oficial, é que, apesar do protocolo com a Lusipaços se manter em vigor até 2014, os acordos com a ARS serão alterados. “Está-se a tentar passar o problema para a ARS porque irão entrar em funcionamento novos acordos em Janeiro de 2011. Mas renunciar o acordo actual vigente porque entrará em vigor um novo acordo, é uma coisa, outra e renunciarem simplesmente”, explicou o mesmo responsável, salvaguardando que por parte da Misericórdia ainda não houve qualquer explicação oficial.

“Não encontro uma resposta razoável para esta situação. Se o hospital não estivesse a correr bem, não me surpreenderia. Mas parece que estamos num mundo ao contrário. Quanto melhor correm as coisas, pior fica a situação”, revelou o sócio-gerente.

José Ignácio Lopes recorda, por exemplo, as centenas de doentes do distrito de Viseu que foram operados em Valpaços. “Nós íamos fazer consultas pré- -operatórias ao Hospital de Viseu e íamos buscá-los e levá-los”, lembra o mesmo responsável, referindo que ainda hoje são muitas as pessoas de outros distritos que são operadas naquela unidade.

Nos últimos quatro anos foram atendidos no Serviço de Atendimento Permanente do Hospital de Valpaços perto de 10 mil pessoas, sendo de realçar ainda a realização de perto de 332 mil consultas externas e meios complementares de diagnóstico (otorrinolaringologia, ortopedia, pneumologia, urologia, cardiologia, radiologia, fisiatria, gastrenterologia, ginecologia, análises clínicas e podologia) e mais de 7200 cirurgias.

“A minha nomeação poderá ter causado alguma apreensão em termos da sucessão”, reconhece Gaspar Borges, actual gerente da unidade hospitalar, renovando, no entanto, uma certeza: “Já há muito tempo fiz saber ao provedor que não passa pela minha cabeça ser o substituto ou a alternativa ao provedor da Santa Casa. Não está nos meus planos figurar em qualquer lista que se disponibilize para suceder à actual mesa administrativa da Santa Casa”.

Gaspar Borges termina referindo que toda a situação deve ser “motivo de grande preocupação” e temendo que “os valpacenses ainda não tenham interiorizado a gravidade que a situação pode trazer ao concelho”.

 

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