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Unidouro defende reorganização do sector

Tendo como mote a redução de pipas de benefício, a União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro defende uma organização de uma lavoura forte e representativa de todos os viticultores. O seu presidente acusa o movimento associativo duriense de “continuar distraído”, em que cada um pensa que “resolve o seu problema”.

A quebra na atribuição do benefício também não passou ao lado da Unidouro. Sem papas na língua, o seu responsável, José Manuel Santos, disparou em várias direcções, mas o alvo principal foi o sector do comércio e a própria organização associativa da região. “É preciso falar verdade. Não se entende como é que no ano anterior o presidente do IVDP aprova, com a produção, um quantitativo de 110 mil pipas, e no ano seguinte o montante cai para 85 mil pipas, com o comércio a concordar. Naturalmente que a resposta é sempre a mesma e lá vem a conjuntura internacional e outras variáveis que não estão ao alcance da grande maioria dos viticultores como justificação. Porque se é verdade que aos viticultores se exige que produzam qualidade, aos comerciantes exige-se que desenvolvam todos os esforços para que remunerem os produtores a preços que lhes permita continuarem a sua actividade dignamente. Pois uma situação de “crise” não pode ser suportada somente por um dos parceiros do negócio”.

Este dirigente associativo considera que “é urgente uma reflexão profunda” sobre o futuro da região e dos produtores, antes que o Douro se aproxime de situações de extrema miséria e a imagem e qualidade dos seus vinhos se degradem irremediavelmente.

José Manuel Santos deixou um recado aos dirigentes das adegas cooperativas. “A produção e o sector cooperativo da região devem avançar para a sua reorganização, adoptando procedimentos modernos no campo da gestão, produção e comercialização, deixando de ter a visão passadista do “orgulhosamente só”.

Nesta abordagem em exclusivo ao Nosso Jornal, o dirigente duriense continua a acreditar que o interprofissionalismo vigente na região do Douro só fará sentido num espírito de diálogo, onde sejam discutidas as matérias respeitantes às questões da fixação anual do benefício e à sua distribuição, promoção dos vinhos, os mercados alvo, o cadastro da região e o problema das aguardentes.

Em jeito de conclusão, o presidente da Unidouro apela ao apoio do poder local e dos organismos do Estado. “Chegou a hora da produção se balançar para projectos de verdadeira regulação da economia da região, deixando de estar totalmente dependentes de um comércio cego, surdo e mudo”.

Recorde-se que, o Conselho Interprofissional do IVDP fixou em 85 mil pipas de mosto a beneficiar na próxima vindima, com os votos contra da representação da Produção e o voto de qualidade do presidente do IVDP. Este número significa menos 25 por cento no rendimento dos viticultores durienses.

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