Apenas com a intenção de trazer os três pontos na bagagem, os vila-realenses entraram com uma postura ofensiva, na tentativa de chegar o mais rápido possível ao golo. Golo que não tardou em chegar, já que, aos 10’, Lisboa rasga totalmente a defensiva da casa, coloca em Moura que aparece na área e serve na perfeição André Azevedo que atirou sem qualquer dificuldade para o fundo da baliza à guarda de Bruno. Estava feito o primeiro golo da tarde, depois de algumas perdidas iniciais dos alvi-negros. Apesar da vantagem, os forasteiros continuaram a procurar a área adversária, sempre a tentar aumentar a contagem. Aos 26’, surge o segundo golo para os visitantes. Francis levanta para o primeiro poste, onde aparece o central Nuno Fredy a dar um toque subtil na bola que acaba no fundo das redes. A perder por duas bolas, os valpacenses sentiam grandes dificuldades de penetração no último reduto adversário, que mantinha as suas linhas a defender bastante à frente da sua área, não dando espaços para os visitados explanarem o seu futebol. O jogo continuava de sentido único, com os vila-realenses à procura de mais golos. As oportunidades iam aparecendo em catadupa, onde Bruno foi evitando males maiores para a sua baliza. Também o poste evitou mais um golo dos visitantes, quando Bessa rematou cruzado e a bola bate caprichosamente no poste e não entra. O terceiro só aparece aos 43’, quando Lisboa desmarca Moura que vai à linha e oferece o golo a Mico, que rematou colocado, sem hipótese para Bruno. Futebol simples e prático aquele que os alvi-negros colocavam sobre o sintético valpacense.
A perder por três, os homens da casa sentiam muitas dificuldades para organizar o seu jogo, não encontrando soluções para ultrapassar o esquema táctico dos forasteiros, que geriam o jogo a seu bel-prazer. Inconformado com o rumo que o jogo estava a levar, o técnico Carlos Guerra não se cansou de dar instruções para dentro do campo, mas sem ter os resultados esperados.
Na segunda parte, todos esperavam uma reacção do Valpaços, mas a equipa mostrou muitas fragilidades na ocupação dos espaços. Por sua vez, o Vila Real aproveitava para levar muito perigo para a defensiva adversária. Aos 58’, André Azevedo vai até à linha, depois faz o cruzamento rasteiro para Shuster que remata de primeira para o quarto golo da sua equipa. Foi necessário esperar até ao minuto 65 para ver uma tímida reacção dos homens da casa, mas Pedro segurou sem qualquer problema. A melhor ocasião para os valpacenses reduzirem apareceu aos 79’, com Flávio a cabecear para uma defesa instintiva de Pedro a tirar a bola sobre a linha com uma palmada. Foi a melhor oportunidade para o Valpaços chegar ao golo de honra. Depois de algumas perdidas incríveis dos alvi-negros, já perto do final, aos 89’, surge o quinto golo, num lance onde André Lisboa se encontrava em posição irregular, mas que o árbitro assistente deixou passar em claro, e o médio aproveitou para colocar em Luís Alves que só teve que encostar o pé e assim fazer mais um golo para os forasteiros. Já em tempo de compensação, o Vila Real chega à meia dúzia, com uma boa combinação entre Bessa e Luís Alves, que culmina com Bessa a dar o toque final para fechar a contagem, num claro 0-6 a favor dos alvi-negros.
Vitória merecida e justa do Vila Real que, com este resultado, alcança a segunda posição na tabela, estando agora a dois pontos do líder Mondinense. O técnico Carlos Guerra terá muito trabalho pela frente, já que a sua equipa mostrou demasiadas fragilidades quer a defender, quer na construção ofensiva.
No fim-de-semana, os vila-realenses voltam a jogar no campo do Calvário, num jogo a contar para a Taça AF Vila Real, onde recebem o Carrazedo de Montenegro, a partir das 14h30.
Márcia Fernandes
CARLOS FELISBERTO, treinador do Vila Real
“Fomos uma equipa competente e com muita capacidade”
O técnico alvi-negro gostou da exibição e do resultado volumoso da sua equipa que demonstrou qualidade para fazer ainda mais e melhor.
“Fomos uma equipa séria, competente, com muita capacidade durante todo o jogo e o resultado não deixa qualquer margem para dúvidas. Mostramos ambição, nunca ficando a descansar sobre o resultado e sempre na procura de mais. Apesar do volume de golos, ainda tivemos inúmeras oportunidades que não foram concretizadas. Este foi mais um jogo onde ainda houve falta de eficácia, devido a alguma falta de concentração no último remate. Mesmo assim, tivemos diversos processos ofensivos com princípio, meio e fim, onde conseguimos concretizar por seis vezes e alcançar o nosso objectivo principal que era a conquista dos três pontos. Este resultado tranquiliza a equipa que tem vindo a crescer de jogo para jogo e ainda tem uma margem de progressão grande”.
O próximo jogo irá ser no Campo do Calvário, onde a direcção pretende mobilizar os vila-realenses para comparecerem no jogo da Taça.
CARLOS GUERRA, treinador do Valpaços
“O Vila Real tem um enorme potencial”
No final do encontro, o técnico da casa considerou a vitória do Vila Real justa mas por números exagerados.
“A vitória do Vila Real não sofre qualquer contestação, apesar de ser por números exagerados e de haver alguns erros pelo meio da equipa de arbitragem. Conhecíamos bem esta equipa do Vila Real que tem um enorme potencial e isso ficou aqui demonstrado. Vamos pensar já no próximo jogo. A nossa equipa tem que melhorar muito para atingirmos os nossos objectivos. Estamos à espera de reforçar o plantel, porque tem algumas lacunas que têm que ser corrigidas para equilibrar a equipa. Neste momento, não há muitos jogadores disponíveis, mas vamos esperar por aqueles que estão insatisfeitos nas suas actuais equipas. Estamos a analisar a equipa e vamos procurar jogadores para fazerem a diferença e não apenas para somar mais atletas ao plantel”.
FICHA TÉCNICA
Jogo no Estádio da Cruz, em Valpaços.
Árbitro: António Carvalho
Auxiliares: Diogo Martins e Daniel Teixeira
VALPAÇOS: Bruno Santos, Fifi, Zé Campos, Bruno (Roque, 38’), Zé Maria, Micael, Nené, Toni, France, Miguel Rendeiro (Maurício, 68’), Flávio.
Suplentes não utilizados: Victor e Cruzeiro.
Treinador: Carlos Guerra
Vila Real: Pedro, Bessa, Francis, Nuno Fredy (Mica, 59’), Ernesto, André Lisboa, Castanha, Mico, Moura (64’), Shuster, André Azevedo (Luís Alves, 71’).
Suplentes não utilizados: Ivo, André Teixeira, Norberto e Henrique.
Treinador: Carlos Felisberto.
Marcadores: André Azevedo (10’), Nuno Fredy (26’), Mico (43’), Shuster (58’), Luís Alves (89’), Bessa (92’).
Ao intervalo: 0 – 3
Cartões amarelos: Zé Maria (35’) e Fifi (90’).


