Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Vandalismo custa milhares de euros aos vila-realenses

Desde paredes grafitadas a vidros partidos, passando por sistemas de rega destruídos ou paragens de autocarros, contentores e papeleiras completamente arruinados, de tudo um pouco se pode ver nas ruas de Vila Real que, apesar de ser considerada umas das cidades com melhor qualidade de vida e seguras, no nosso país, tem sofrido, cada vez […]

Desde paredes grafitadas a vidros partidos, passando por sistemas de rega destruídos ou paragens de autocarros, contentores e papeleiras completamente arruinados, de tudo um pouco se pode ver nas ruas de Vila Real que, apesar de ser considerada umas das cidades com melhor qualidade de vida e seguras, no nosso país, tem sofrido, cada vez mais, com os actos de vandalismo, sendo de registar que, no primeiro semestre deste ano, já foram apresentadas, na PSP, 292 queixas de crimes contra o património, contra 321 que foram apresentadas, durante todo o ano de 2006.

As zonas do Pioledo e de Nossa Senhora da Conceição têm vindo a sofrer, ao longo dos últimos anos, com os actos de vandalismo registados durante as madrugadas, uma situação que custa, aos cidadãos e à autarquia, milhares de euros, por ano.

“Já gastei mais de dois mil euros, em reparações na minha viatura, por causa de actos de puro vandalismo, pura maldade”, contabilizou, ao Nosso Jornal, um dos moradores, proprietário de um estabelecimento comercial na Rua de Santo António, uma artéria próxima da zona do Pioledo que, durante o último ano, tem vindo a ser um dos alvos preferidos dos vândalos.

Com mais de uma década de residência naquela rua e entre vários episódios de estragos em viaturas, o mesmo vila-realense recorda a noite em que conseguiram entrar na sua viatura e “destravar o travão de mão, levando a que esta descaísse, até um muro, causando diversos estragos”, ou a noite em que, em poucos minutos, foram partidos os vidros e espelhos de onze automóveis. Pára-brisas partidos, antenas arrancadas, portas riscadas são, apenas, alguns dos prejuízos enumerados por vários moradores, como é o caso de uma jovem, residente naquela rua, há menos tempo, mas não menos afectada pelo fenómeno. A mesma moradora garante que já apresentou queixa na PSP, uma acção que não teve resultados práticos: “Pelo contrário, o policiamento naquela rua continua a ser praticamente inexistente”.

Ligando a Igreja do Calvário até à Nossa Senhora da Conceição, é exactamente a proximidade com a zona dos bares, o Pioledo, uma das justificações avançadas para o vandalismo, isso porque os moradores desconfiam que os actos destrutivos sejam levados a cabo, na maioria das vezes, não com a motivação do roubo, mas por pura diversão de jovens que, no final de uma noite de copos, optam por destruir propriedade alheia.

“Se a polícia circulasse por estas ruas e fosse vista, durante a noite, inibiria a acção desses indivíduos”, considerou um habitante da Rua Cidade de Espinho, lamentando que não haja qualquer tipo de policiamento e lembrando um episódio, em especial, em que “um vizinho apanhou os vândalos, em acção, e, ao tentar chamar a atenção dos jovens, ainda foi agredido”.

Mas o vandalismo não sai caro, apenas, aos cidadãos vila-realenses. Também os cofres da autarquia têm sofrido, com a situação, já que, por exemplo, cada ecoponto destruído (só no ano passado foram três) envolve um novo investimento de três mil euros, sendo ainda de contabilizar que, este ano, já arderam “cinco ou seis contentores de resíduos sólidos urbanos”, explicou Miguel Esteves, Vereador da autarquia de Vila Real e Presidente da Empresa Municipal de Água e Resíduos (EMAR).

O mesmo responsável adiantou, ainda, outras situações que têm vindo a causar elevados prejuízos, nomeadamente a destruição de alguns pontos de rega automática e de papeleiras, na zona de Nossa Senhora da Conceição, assim como os actos de vandalismo em viaturas estacionadas no parque existente por detrás da EMAR e da EDP.

Apesar de corroborar a preocupação para com a situação, Miguel Esteves considera que esta não tem uma relação directa com a “vida nocturna” do Pioledo.

Também a Corgobus, empresa responsável pela gestão da rede de transportes públicos de Vila Real, tem sido um alvo constante para o vandalismo, sendo de recordar que, já este ano, um poste de uma paragem, situada próximo de Nossa Senhora da Conceição, foi, “cirurgicamente cortado”, causando um prejuízo de cerca de 350 euros, e que, semanalmente, a empresa é obrigada a repor dezenas de horários.

Fonte oficial da Polícia de Segurança Pública de Vila Real revelou-nos que, durante o ano de 2006, foram apresentadas, naquela força de segurança, 321 queixas de crimes contra o património, um número que, durante o primeiro semestre deste ano, já atinge as 292 queixas.

Serafim Tavares, Comandante da PSP de Vila Real, considerou que a situação mais preocupante se prende com a zona do Pioledo. No entanto, realçou que, nos últimos tempos, devido a um reforço no local, os bares têm encerrado a horas, acrescentando que, “este ano, não houve qualquer queixa, por distúrbios”.

“Não temos efectivo para ter um polícia em cada rua, como as pessoas desejariam”, lamentou o Comandante vila–realense.

 

Maria Meireles

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