“A posição geoestratégica de Vila Real, no panorama da região norte, indica que poderá ser um bom local para criar uma base” permanente de meios aéreos, considerou Carlos Silva, comandante operacional distrital da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANP), no âmbito do balanço da época de incêndios florestais.
Apesar de explicar que não tem qualquer informação sobre a possibilidade de instalação de uma base área permanente da ANP em Vila Real, e de sublinhar que essa é uma decisão que será tomada a nível central, o mesmo responsável frisou que os resultados da intervenção do Kamov “foram muito positivos” na região.
Foi uma decisão que se revelou “ajustada e correcta”, portanto, “entendemos que se deverá manter” no próximo ano, em prol da “estabilidade do dispositivo, que é fundamental para que todos os agentes se consigam interligar e compreenderem muito bem as tarefas”.
“Hoje temos agentes bem entrosados, conscientes e empenhados na sua missão”, considerou Carlos Silva, revelando que o balanço deste ano, ao nível dos incêndios florestais, foi muito positivo com uma redução, comparativamente à média dos dois últimos anos, de 25 por cento no número de ocorrências e de 62 por cento em área ardida.
Entre Janeiro e o dia 15 de Outubro, ou seja, até ao final da fase Delta, o distrito registou 966 ignições e 1460 hectares de área ardida, com o concelho de Valpaços a liderar a lista dos que mais incêndios registaram (146) e o de Chaves com maior área a ser consumida pelas chamas (299 hectares).
Se compararmos apenas com 2007, “temos registadas menos ocorrências (1340 no ano passado) e pouco mais de metade da área ardida, que em 2007 foi de 3500 hectares.
Carlos Silva explicou ainda que “não há concelhos que se destacam pela negativa” e sublinhou que, à excepção de Vila Real, que teve sensivelmente a mesma área ardida, todos verificaram reduções, sendo de destacar, por exemplo, o caso de Alijó e de Mondim de Basto que viram uma diminuição de 90 e 95 por cento, respectivamente, na área ardida.
Com a Fase Eco em curso até ao final do ano, as estatísticas não estão ainda fechadas, com o distrito a verificar, ainda, um considerável número de ignições provenientes da utilização do fogo, enquanto instrumento de gestão território, sobretudo nos espaços de pastorícia, uma actividade que se intensifica durante o Outono. “Não queremos acabar com os fogos no distrito, queremos acabar com o fenómeno descontrolado dos incêndios florestais”, garantiu o mesmo responsável, sublinhando que o importante é uma primeira intervenção eficaz, como aconteceu no dispositivo deste ano.
Tanto quanto o Nosso Jornal conseguiu apurar, entre sexta-feira e ontem de manhã, o distrito foi palco de mais de 40 ignições.
“O nosso principal agente de protecção civil são aos cidadãos”, frisou Carlos Silva deixando, mais uma vez, o apelo à população que tome “todas as precauções na gestão através do fogo e que peçam apoio aos técnicos”.
Federação defende
prolongamento das equipas de 1ª Intervenção
O Presidente da Federação Distrital de Bombeiros de Vila Real, Alfredo Almeida, considera que devido às condições atípicas que se têm verificado nos últimos anos, deveria ser prolongado o tempo de permanência dos grupos de primeira intervenção.
“Já tivemos grandes incêndios no início de Outubro, mas é o comando distrital, em função da avaliação que ele faz no Distrito, que decide qual é o número de equipas que devem permanecer para além do tempo normal”, explicou o responsável. Defende, no entanto, que o trabalho destas, deveria mesmo “ser alargado a outras corporações”, devido a condições climatéricas atípicas dos últimos anos.
Fazendo um pré-balanço da última época de fogos, Alfredo Almeida mostrou-se satisfeito. “Nos últimos anos a coordenação no terreno tem evoluído muito. A máquina começa a estar oleada e as forças começam a estar mais preparadas para o trabalho no terreno, que, naturalmente, também foi facilitado por termos um Verão com condições que favoreceram o papel dos agentes de protecção civil”, considerou.
Refira-se que, este ano, segundo a directiva operacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil, foram disponibilizados, a nível nacional, cerca de 9.600 elementos, 2200 veículos e 56 meios aéreos.




