Em Foco“Vila Real foi uma aposta ganha”

“Vila Real foi uma aposta ganha”

Diretor do WTCC, François Ribeiro, tem muitas ideias para tornar o circuito ainda melhor

O circuito de Vila Real poderá sofrer alterações profundas nas próximas edições do WTCC. O diretor da prova mundial e responsável da Eurosport Events, François Ribeiro, referiu que vai propor várias ideias à autarquia de Vila Real e também à FIA, de forma a tornar o circuito mais rápido. Já este ano, tinha proposto à FIA a possibilidade de se poder fazer a rotunda pelos dois lados, para que os pilotos possam usar duas trajetórias, como fazem no Tour de France. “A ideia é parecida com a ‘joker lap’ do Ralicross, mas aqui isso iria acontecer em todas as voltas. Se não podes passar, um vai pela direita, ou pela esquerda”, referiu o francês que é neto de um português nascido no Porto.

Nesta edição não foi possível fazer a alteração, porque a “FIA não deixou”, uma vez que essa rotunda foi usada para a entrada das boxes.

A concretizar-se esta ideia, o circuito citadino vila-realense seria uma caso único a nível mundial. François Ribeiro já falou dessa possibilidade com os pilotos, que até gostaram da ideia. “Se isso acontecer, vai ser um circuito único, e seria fantástico para a televisão. Já me disseram que eu estava doido, mas eu já sou doido, caso contrário não teríamos o circuito de Nürburgring no campeonato”.

Este responsável falou ainda das potencialidades do circuito vila-realense, que poderá vir a tornar-se um dos melhores do campeonato mundial de carros de turismo. “Se continuarmos a trabalhar com a cidade, com a FPAK e com a FIA em 2016 e 2017, este evento vai ser muito forte. Há aqui muito potencial, porque é difícil encontrar um circuito com um traçado tão natural, curvas rápidas, elevações e descidas. É inacreditável. Para ser honesto, em 2011 e 2013, das últimas duas vezes que corremos em Portugal, perguntaram-me porque não considerava Vila Real. Eu pensava que Vila Real era em Espanha. Fiquei envergonhado por não conhecer este circuito”, assume.

Para o próximo ano já estão a ser estudadas algumas mudanças que poderão passar pela chicane de Mateus, que deverá ser menos apertada e mais rápida. Mas há muitas maneiras de melhorar o circuito a longo prazo e o diretor do WTCC está aberto a fazer um circuito mais longo, com um traçado diferente. “Ainda temos que discutir isso com as entidades locais, com a FIA, mas há possibilidade de fazer um circuito ainda melhor”, sublinhou.

Em jeito de balanço, o francês não escondeu o orgulho por ter apostado neste traçado, pelo qual “se apaixonou à primeira vista”, em novembro do ano passado, altura em que veio a Vila Real ver o traçado pela primeira vez. “Acho que foi um desafio ganho”. Apesar de se dizer que o WTCC vai cortar duas provas europeias, Vila Real não deverá estar na lista dos preteridos.

 

“WTCC é um evento de escala global que traz riqueza”

 

O secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro, esteve em Vila Real a assistir a uma prova do WTCC (Campeonato do Mundo de Carros de Turismo) e afirmou que é um evento de “escala global” que traz riqueza ao país. Associado à questão desportiva, “eu valorizo imenso a questão económica e o desporto tem uma cadeia de valor muito interessante, que ajuda à criação de riqueza e emprego. A transmissão televisiva no WTCC é para 55 países e está tudo dito”.

Emídio Guerreiro referiu que Portugal está em alta no desporto automóvel, uma vez que este ano recebeu três provas organizadas de FIA (Federação Internacional do Automóvel), o Rali de Portugal, o Rali Cross em Montalegre e agora o WTCC em Vila Real. Curiosamente foram provas mundiais que passaram todas pelo distrito de Vila Real.

O responsável governamental sublinhou ainda a aposta do atual executivo no desporto. “2015 está a ser o ano em que há mais eventos desportivos internacionais em dezenas de modalidades diferentes. A nossa aposta foi exatamente dizer às federações desportivas que tínhamos de potenciar os eventos e para isso reforçamos o orçamento nessa área. É uma opção que pretendemos continuar a apoiar no futuro”.

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