Durante sete dias, uma comitiva vila-realense esteve em Saurimo, uma cidade da província de Lunda Sul, com a qual o distrito quer estreitar relações e utilizar como porta de entrada, em Angola, de produtos como os vinhos, o azeite e o granito. Considerado como um mercado emergente, o balanço da visita foi “positivo” e elevou ainda mais as expectativas de um sector que já conta com alguma experiência na exportação para o continente africano.
Uma comitiva liderada por António Martinho, Governador Civil de Vila Real, composta por diversos responsáveis pelo sector vitivinícola do distrito, visitou Saurimo, a capital de Lunda Sul, com o objectivo de “aprofundar laços de amizade e cooperação” e “desbravar caminho” para o reforço da aposta no mercado africano.
“Estabelecemos contactos em ambiente de proximidade, sem constrangimentos, sem os problemas próprios de contactos estabelecidos a nível de Estado”, revelou António Martinho, confirmando que a viagem, de facto, “abriu perspectivas de exportações, de investimento e de emprego”, oportunidades que poderão reforçar a exportação que o Douro já faz para Angola.
Em 2007, foram exportados, para Angola, 542.700 litros de vinho do Douro, através de negócios que movimentaram mais de 1,6 milhões de euros, números veiculados por António Graça, Vice-Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que também integrou a comitiva vila-realense.
“Em relação a 2006, assistimos a um aumento de 79,1 por cento nas exportações, o que prova que a apetência do mercado é muita”, revelou o mesmo responsável, explicando que, das quantidades exportadas para a Angola, a maior parte é VQPRD (57 mil caixas de nove litros), seguido do vinho regional duriense, com três mil caixas vendidas, e apenas cerca de 300 caixas de moscatel.
“O sentimento de proximidade dos angolanos por tudo o que é português ainda é uma realidade”, explicou António Martinho, sublinhando que Lunda Sul é um território em forte expansão, estando em curso a resolução de problemas que dificultavam a aposta no seu mercado, como a construção de novas acessibilidades e a criação de um novo porto, isso porque o existente está “saturado” e, muitas vezes, obriga a que os produtos tenham “que esperar meses, em alto mar”, para poderem entrarem no país.
Até 2010, serão construídos, só em Lunda, 39 hotéis, entre muitas outras obras públicas. “Lunda, actualmente, é um autêntico estaleiro”, retratou António Martinho, sublinhando as potencialidades do mercado.
Jaime Borges, Presidente da Direcção da Adega Cooperativa de Vila Real, também membro da comitiva que visitou Lunda Sul, recorda que a adega vila-realense já exporta, para Angola, desde há cinco anos, uma média de 40 a 50 mil litros, por ano.
“O mercado português está muito limitado. Por isso, temos que ir fora de portas, inclusivamente aos países onde não há a grande tradição de beber vinho”, defendeu o Director da Adega Cooperativa vila-realense.
Também a Adega Cooperativa de Favaios, representada, na visita, pelo seu Director Comercial, Filipe Pereira, quer apostar no mercado angolano.
“Movimentamos cerca de 20 mil litros, por ano”, o que representa “apenas, três por cento da facturação de exportação”, explicou o responsável pela cooperativa, mostrando–se encorajado pelo facto de ter encontrado, em estabelecimentos de diversão nocturna de Lunda, o Favaito, ao lado de outras bebidas conhecidas e comercializadas, a nível mundial.
A visita surgiu como consequência do acordo de geminação estabelecido entre o concelho de Alijó e Saurimo.
“Se há geminações frutuosas, esta é, sem dúvida, uma delas”, garantiu António Martinho, sublinhando que, à semelhança do que está a acontecer, no sector dos vinhos, também o azeite e os granitos do distrito de Vila Real querem marcar presença no mercado angolano, estando prevista a participação de vários empresários na Feira Internacional de Luanda (FILDA) que se realizará entre os dias 15 e 20 de Julho.
Maria Meireles






