Terça-feira, 21 de Maio de 2024
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“A ferrovia é necessária e urgente para o desenvolvimento do distrito”

Entrevista ao cabeça de lista do CHEGA | José Pires | Professor | 53 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?
O distrito de Bragança tem-se debatido ao longo dos anos com insuficiente investimento por parte dos diferentes governos e, nesse sentido, as carências são a muitos níveis. As grandes prioridades que defendemos para o distrito são a saúde e a agricultura. Na saúde, pretendemos modernizar o SNS, fazendo uso das inovações tecnológicas e inteligência artificial, garantindo assim uma maior informatização, eficiência operacional e, consequentemente, um melhor serviço prestado ao utente. Queremos também reforçar os cuidados primários e o atendimento de urgência, com a garantia de atribuição de médico família a todos os cidadãos. Já na agricultura pretendemos desburocratizar e simplificar os processos de licenciamento e financiamento para aumentar a riqueza primária gerada nos territórios, promovendo o empreendedorismo e a criação de emprego. Executar eficazmente as políticas comunitárias e nacionais de promoção da agricultura, pescas e florestas.

O setor da saúde atravessa uma fase conturbada. Na região, o que poderá ser feito para ultrapassar esses desafios?
Na atualidade quase todos os setores estão numa fase conturbada, sendo que as manifestações que ocorrem com uma cadência quase diária são o comprovativo dessa realidade. O setor da saúde é um dos mais importantes e face à extensão do território do distrito de Bragança, e às fracas acessibilidades, importa fazer os necessários e urgentes investimentos, designadamente, dotar os hospitais distritais de especialidades e tratamentos que evitem deslocamentos para fora da região, a não ser em casos estritamente necessários. Reforçar a rede de cuidados continuados e paliativos, realizar intervenções de recuperação das instalações de unidades locais de saúde, dotando-as de condições necessárias para o atendimento aos utentes, promover a valorização e fixação dos profissionais de Saúde no SNS.

Quanto à ferrovia. Qual a melhor solução?
A ferrovia é necessária e urgente para o desenvolvimento do distrito, do interior e do país. Não é aceitável estar anos a fio à espera de uma ferrovia que teima em não chegar. Urge implementar o regresso da ferrovia com uma rede moderna num traçado Porto-Vila Real-Bragança, que se integre com a rede europeia, através de uma ligação à rede espanhola.
Relativamente aos impostos das barragens, qual a vossa posição?
Concordemos ou não com a natureza do imposto, todos os impostos devidos devem ser pagos, quer sejam os devedores pessoas singulares, quer sejam pessoas coletivas.
Os impostos relativos às barragens não podem ter tratamento diferente do que é dado a qualquer outro imposto ou contribuinte e, por conseguinte, se é devido tem de ser pago. O não pagamento dos impostos sobre as barragens pode colocar em causa verbas que podem ajudar a alavancar investimentos na região e é uma injustiça para com a população local e todo o distrito de Bragança.

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. Que medidas defendem para combater este flagelo?
Estudos permitem afirmar que viver longe dos grandes centros é hoje mais atrativo do que no passado, até porque o custo de vida no interior é manifestamente mais baixo do que nas grandes áreas urbanas. No sentido de fixar as novas gerações locais e atrair outras para o interior devem ser implementadas medidas que passam, entre outras, por: aposta nas novas tecnologias e o teletrabalho possibilitando que uma pessoa, vivendo no interior, se mantenha conectada com o que acontece nos centros urbanos nacionais e internacionais; implementação de políticas ativas para aumentar a natalidade, nomeadamente aumentando o rendimento das famílias; criar condições para a articulação da vida profissional com a familiar; atrair investimentos na infraestrutura turística, através da criação de incentivos fiscais e da simplificação dos processos de licenciamento; isenção de IMT na compra/venda de casas devolutas, em ruínas ou em avançado estado de degradação; aprovar benefícios fiscais para jovens casais portugueses que se fixem no interior, que tenham três ou mais filhos, ou reabilitem património devoluto.

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