A autarquia do distrito de Bragança vai começar pelos jovens, como disse à Lusa a presidente da Câmara, Berta Nunes, e pretende depois das férias de Natal, no segundo período, fazer chegar este instrumento aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos.
O “violentómetro” chegará igualmente ao resto da comunidade local e, em todos os casos, a distribuição será também “um pretexto” para discutir o tema em debates e ações de sensibilização antes da distribuição, segundo a autarca.
Berta Nunes explicou à Lusa que a iniciativa resulta de uma parceria com a Universidade de Trás-os-Montes, responsável por este “violentómetro”, e as escolas do concelho, para disponibilizar à comunidade uma ferramenta que ajude a perceber quando é que a violência começa, quais são os primeiros sinais, a evolução da gravidade e a atitude a tomar.
“Mede a gravidade da violência. Por um lado, alerta para situações menos graves que podem passar despercebidas (como o controlo sobre o outro) e, por outro, para a vítima perceber em que situação está”, concretizou.
O objetivo é que toda a comunidade se sinta “responsável para apoiar e prevenir” e para que melhor percebam esta ação, o município pretende promover debates sobre o conteúdo do “violentómetro” “para que as pessoas saibam interpretar e interiorizar”.
“É importante afirmar muito claramente que quem ama não agride, não controla, não é violento. Quem ama quer que a outra pessoa se realiza”, vincou a autarca.
Berta Nunes lembrou que “todos os anos morrem em Portugal mais de 40 mulheres” vítimas de violência doméstica.
A problemática, segundo contou, acompanha-a desde as funções de médica de família neste concelho transmontano com pouco mais de cinco mil habitantes.
“Como médica de família vi muitas situações de violência doméstica e percebi que eram causa de muito sofrimento: depressões, agressões, crianças revoltadas”, partilhou.
Esta experiência levou a que quando assumiu o cargo de diretora da sub-região de saúde de Bragança, impulsionasse a criação de equipas viradas para a problemática nos centros de saúde.
Os dois mandatos na câmara de Alfândega da Fé ficam também marcados pela “promoção da igualdade de género, da cidadania e não discriminação”, com o reconhecimento “como município de excelência para viver em igualdade”, por parte da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género.
Alfândega da Fé assinalou hoje o Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência com um a Marcha Solidária Contra a Violência Doméstica em parceria com o Agrupamento de Escolas e a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promove uma Marcha Solidária Contra a Violência Doméstica.
A marcha saiu da sede do agrupamento de escolas e terminou junto ao edifício da Câmara Municipal.
Juntou, de acordo com o relato feito pela autarca “pessoas de todas as idades, desde jovens a seniores”.
Berta Nunes destacou nesta iniciativa o “papel exemplar da associação de estudantes” que participou e fez um vídeo para divulgar a marcha na Internet.
“Mostra que os jovens estão sensibilizados”, considerou a presidente da Câmara que pretende continuar “a sinalizar a vontade de colaborar na construção de uma comunidade sem violência”.




