InícioMurçaAlteração da zona de refúgio de caça origina queixa na Direcção de Florestas

Alteração da zona de refúgio de caça origina queixa na Direcção de Florestas

“Violação grosseira das leis da caça e abuso de poder” são alguns dos pontos de uma queixa apresentada contra o vice-presidente da Aflodounorte, devido a mudança de posição de algumas placas identificativas de um refúgio de caça. O queixoso pede que sejam apuradas responsabilidades, o acusado garante que a acção prendeu-se, simplesmente, com a “gestão” do espaço florestal e explica que a situação está a ser extrapolada graças ao aproximar das eleições para a associação

João Branco, membro da Direcção da Associação Florestal do Vale do Douro Norte (Aflodounorte), apresentou uma queixa na Autoridade Florestal Nacional (AFN) contra o seu vice-presidente por alegada “violação das Leis da Caça na Zona de Caça Municipal de Jou e Valongo”, na sequência de uma deslocalização das placas de uma zona de refúgio.

Segundo a queixa, Francisco Carvalho Silva, vice-presidente da direcção da Aflodounorte, “ordenou ao técnico superior, da mesma Associação, que mudasse de local as placas de uma zona de refúgio de caça da Zona de Caça Municipal de Jou e Valongo de Milhais”, uma acção considerada, no documento, como “ilegal”, tendo em conta que para tal seria necessário “uma consulta à AFN e uma autorização explícita emitida pela mesma”.

Mais, João Branco, subscritor da queixa, revela que Francisco Silva “emitiu essa ordem sem que tenha havido qualquer deliberação da Direcção da Aflodounorte nesse sentido, e portanto sem qualquer legitimidade”, acusando, o dirigente associativo, de abuso de poder e de ter coagido o técnico da associação quando este se recusou a fazer a alteração pedida.

A mudança das placas verificou–se no dia 10 de Outubro, sendo que “o primeiro dia de caça, desta época venatória, aconteceu dois dias depois” e, como acusa João Branco, “Francisco Silva praticou o acto venatório, nesse mesmo dia, na Zona de Caça Municipal de Jou e Valongo de Milhais”, dando assim, a entender que a deslocalização da sinalética precedeu a um dia de caça, daquele responsável, na zona de refúgio.

Contacto pelo Nosso Jornal, Francisco Silva confirmou que mandou alterar as placas e que recuou na sua decisão alguns dias mais tarde, mas repudiou todas acusações levantadas por João Branco.

“É completamente falso, não fui para lá caçar”, garante o vice-presidente da Aflodounorte, referindo que a situação toda é despoletada com segundas intenções. “Esta situação está a ser extrapolada tendo como objectivo tirar dividendos nas próximas eleições da associação, que se realizam em Dezembro”.

“As zonas de refúgio alteram-se várias vezes” por uma questão de gestão da zona de caça, desta vez decidimos alterar uma faixa de 100 metros, sublinhou Francisco Silva, explicando que o recuo da medida teve a ver com uma repovoamento que se fez recentemente.

O vice-presidente explicou, ainda, que as zonas de refúgio de caça são alteradas porque, segundo alguns técnicos, depois de algum tempo de existência, acabam por ser alvo de uma grande concentração de predadores, o que acaba por ter um efeito contrário à ideia de abrigo para os animais.

“As zonas de refúgio abrem e fecham para a protecção da própria caça”, defendeu Francisco Silva, garantindo que é caçador, mas também é um dos maiores defensores da caça. “Quem me conhece sabe isso”, frisou.

O dirigente associativo voltou a sublinhar que a mudança das placas da área de refúgio foi “um puro acto de gestão”, garantindo ter “a solidariedade de todos os membros da direcção”, à excepção de um elemento que pretende candidatar-se às próximas eleições da Associação, que se realizam em Dezembro, e que foi exactamente quem despoletou a situação.

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