As quatro integrantes do grupo, todas transmontanas e com um amor profundo à região, terminaram o ano passado com o lançamento do vídeo de um dos seus temas, “Feiticeira Transmontana”, representando cada uma delas um elemento: fogo, terra, ar e água. Começam este novo ano com o concerto agendado para o dia 31, sábado, na feira de Macedo de Cavaleiros.
“Ambria Ardena resulta da combinação de dois termos do dialeto da região, que significam Fome Ardente”, lê-se na informação sobre o grupo. Carla Germano Lopes explica que o grupo se formou em 2022, após ter percebido que toda uma tradição oral transmontana ia-se perdendo conforme os mais velhos desapareciam. As integrantes das “Ambria Ardena” são Carla Germano Lopes, Julieta Carneiro, Lisa Eugénio e Sofia Alves de Sousa.
Algum tempo depois de ter regressado com os pais do estrangeiro, recordando-se das palavras das avós quando era mais nova e visitava a aldeia, a fundadora das “cantadeiras” quis criar um “projeto musical que honra a mulher, que tanto sofreu e muitas vezes submissa”. Como “carregamos essas histórias dentro de nós, porque em criança absorvemos tudo, decidi honrar e criar este projeto”.
AUTÊNTICO
O grupo pesquisa e recolhe cantigas, rezas, lengalengas e histórias, um pouco por todo a região, que depois dão origem às suas canções, sempre procurando a autenticidade transmontana. “Faz sentido que seja algo com autenticidade, porque todas somos transmontanas, todas mulheres, todas temos histórias para contar, todas temos origem de uma certa aldeia e gostamos de cantar”, assume Carla Germano Lopes, acrescentando que “a criação desse projeto teve profundidade, teve uma razão”.
A música que deu origem ao mais recente vídeo das “Ambria Ardena” teve origem “através de umas quadras que vimos e que tinha a ver com um cancioneiro brigantino”, explicou à VTM. Após esse instante, decidiram dar-lhes “uma roupagem” nova, porque as palavras estavam “em silêncio. Pegámos nelas e demos-lhes vida”.
FUTURO
Se no final do ano passado o grupo lançou o videoclipe de “Feiticeira Transmontana”, para o futuro pensam em novos desafios. Com mais maturidade musical, as “Ambria Ardena” continuam a trabalhar em novas canções e talvez em mais vídeos. “Pode ser que no próximo videoclipe ainda venham mais elementos que desejamos mostrar, porque o nosso propósito é dar a conhecer a autenticidade da nossa terra, nem que seja uma casa em xisto”, aponta Carla Germano Lopes, que quer dar voz ao que os antigos escreveram e também cantaram.
“As pessoas tinham que inventar canções para passarem o seu tempo. Não havia tanta informação como temos hoje. E através disso, nasceram coisa simples, mas bonitas e profundas”, diz a porta-voz do grupo.





