O presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, Pedro Lima, sublinhou o papel do certame como um momento de renovação e esperança, estabelecendo um contraste com as dificuldades que o país tem enfrentado, afirmando que o evento é “como que cortar o inverno para uma celebração, quando já é anunciada uma primavera pela floração das amendoeiras”.
O autarca aproveitou para enviar um “abraço enorme de solidariedade” aos portugueses que sofrem com “danos terríveis” causados pelo mau tempo no país, revelando que as receitas do torneio de sueca serão para fins solidários, para apoiar quem sofre com essa “calamidade”.
Pedro Lima destacou o crescimento e a evolução do espaço, que este ano se apresenta mais acolhedor após ouvir os expositores, que este ano são cerca de 70. Segundo o autarca, não houve “grandes transformações” no espaço físico do certame, mas sim “evoluções naturais” para chegar a um patamar diferente e mais apelativo para quem visita.
Apesar de um início marcado por alguma chuva, o otimismo mantém-se elevado para o conjunto dos quatro fins de semana. Questionado sobre o número de visitantes esperados, o presidente apontou para uma expectativa entre as 25.000 e as 30.000 presenças ao longo de todo o certame.
Destaca-se a evolução dos produtores que, em vez de venderem apenas a matéria-prima, investem agora em unidades de transformação da amêndoa. Alexandra Araújo, da Quinta do Pombal, exemplifica esta tendência. Com uma exploração que cresceu de 9 para 14 hectares, a produtora optou por “tirar mais rentabilidade do produto” através da criação de subderivados.
“Começámos a britar a amêndoa, a separar a casca do grão e a evoluir para a manteiga e farinha de amêndoa”, explica a produtora à VTM. Além disso, o produto é apresentado de forma diferente, tendo amêndoas cobertas com chocolate, mel e especiarias. Alexandra Araújo sublinha que a estratégia passa pela diferenciação. “Como toda a gente tinha miolo da amêndoa, nós quisemos ter algo diferenciador”.
Para os pequenos produtores das aldeias vizinhas, como Maria da Luz Cruz, a feira é o momento de contacto direto com o consumidor. “Vem tudo de casa, é tudo caseiro e biológico”, afirma, notando que, embora a concorrência tenha aumentado, a qualidade do figo e do azeite continua a garantir clientes fidelizados, inclusivamente do Porto e de Vila Real.
Tânia Gonçalves, representante da Quinta do Palame, refere que a presença no certame visa, essencialmente, a divulgação do turismo rural. “O vinho, o azeite e os biscoitos são produção própria, mas o essencial para nós é a parte da divulgação”, explica, referindo que o fluxo de visitantes é muitas vezes potenciado, por exemplo, pelos eventos de caça que fazem parte do programa.
Em estreia nas “Amendoeiras em Flor” está Ricardo Santos, da JE Customs, com foco na cutelaria personalizada e gravação de facas. Apesar de o seu mercado habitual serem as concentrações motards, reconhece no certame de Vila Flor um potencial de escoamento e de contacto com novos públicos. No entanto, ainda tenta perceber se consegue estar presente “nos quatro fins de semana”




