Agricultores do distrito de Bragança manifestaram à Lusa que o apoio governamental é insuficiente para cobrir as despesas diárias. Pedro Morgado, agricultor de Vilarelhos, afirmou que “a agricultura com o gasóleo a este preço é completamente insustentável”.
Pedro Morgado, que produz azeitona e amêndoa, revelou que gasta entre 1.500 e 2.000 litros de gasóleo por mês. O aumento do preço do gasóleo, que ultrapassa os 1,7 euros por litro, torna difícil a viabilidade da sua atividade agrícola.
O agricultor destacou que na campanha da amêndoa, o custo diário com combustível pode chegar a 370 euros. “Se o dia corre menos bem, a amêndoa que colho não dá para pagar o gasóleo”, lamentou.
Além da produção agrícola, Pedro Morgado também gere um posto de combustível no Vale da Vilariça. Ele alertou que muitos pequenos agricultores estão a desistir devido aos altos custos operacionais e à falta de apoio adequado.
Cristophe Monteiro, outro agricultor da região, partilhou preocupações semelhantes sobre a ajuda governamental. Segundo ele, essa ajuda “não é suficiente para colmatar as dificuldades” enfrentadas pelos pequenos agricultores. Monteiro criticou o Ministério da Agricultura por favorecer apenas aqueles com mais recursos financeiros.
Cátia Afonso, produtora de azeite e pistáchio no Vale da Vilariça, também expressou frustração com os custos elevados. Ela mencionou um aumento de cerca de 58% no preço do combustível desde o início do ano e destacou os desafios adicionais enfrentados por quem opera em Trás-os-Montes.
Recentemente, o Governo decidiu prolongar até ao final do ano o apoio agrícola em 10 cêntimos por litro de gasóleo. No entanto, muitos agricultores acreditam que esta medida não será suficiente para resolver os problemas financeiros que enfrentam.


