Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2022
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Aposta em coletividades e empresas locais representa 90% do orçamento

A edição deste ano da Feira dos Santos revela uma aposta clara na “prata da casa” por parte da ACISAT que, a par do equilíbrio entre tradição e inovação, está de olhos postos no retorno que o certame pode trazer a curto, médio e longo prazo, no âmbito da estratégia de promoção do Alto Tâmega e Barroso

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É já este sábado que arranca a Feira dos Santos, com uma edição alargada que marca o regresso do certame à “normalidade”. A este propósito, a VTM falou com Vítor Pimentel, presidente da Associação Empresarial do Alto Tâmega (ACISAT), responsável, em conjunto com o município de Chaves, pela organização da Feira, que sublinhou a importância da mesma para o concelho e para toda a região, afirmando que o retorno supera, em larga escala, o investimento.

Começando pelo cartaz e programa, o responsável explicou que “os quatro dias de feira são fruto do calendário. Calhando o dia 1 de novembro a uma terça-feira e iniciando-se, por norma, a feira ao dia 30, não faria sentido fazer a abertura a um domingo. Portanto, estendemos para o dia de sábado e começaremos a feira no dia 29”. Serão “quatro dias de animação, de mostra de produtos da região, de feira propriamente dita, de tudo aquilo que nós conhecemos”.

Ao mesmo tempo, “efetivamente, 2022 marca o regresso em pleno da Feira dos Santos. No ano passado estávamos limitados a nível da animação de rua e de uma série de outro tipo de eventos. Este ano, por exemplo, vamos ter a festa dos anos 90 no Pavilhão Expoflávia. Lançamo-la em 2019, foi um sucesso e queremos que se repita, agora, em 2022”.

Segundo Vítor Pimentel, este é um dos exemplos que demonstra aquilo que a organização procura fazer na Feira dos Santos, “manter as tradições, mas ir inovando, apelando a um público mais jovem”, com “a noção” de que esta “representa um acréscimo muito importante na região de todo o Alto Tâmega”, vincou.

ORÇAMENTO

O orçamento da Feira dos Santos “ronda os 140 mil euros”, estando “a parte financeira” a cargo da ACISAT. Segundo o seu presidente, “sempre que possível”, a organização canaliza a verba para apostar “em empresas da região e em associados”.

“Nem toda a gente percebe muito bem a dinâmica da Feira dos Santos. Eu olho para o cartaz e acho que é aquilo que ela necessita. É um cartaz cultural, com música popular, mas, também, com artistas que agora estão mais na moda, como é o caso da Adriana Lua. O próprio conjunto musical é de cá”, frisou.

“Dada a grandeza da Feira, poderíamos dizer que a oferta ao nível da animação podia ser mais rica. Quando estamos a olhar de fora, pensamos que se calhar era possível. Prefiro ter um cartaz não tão rico, mas dar dinheiro a ganhar às coletividades e empresas da região, em vez de o gastar em trazer um cabeça de cartaz mais conhecido que nos ia fazer gastar outros recursos e impossibilitar de fazer uma Feira tão completa noutros âmbitos e noutros momentos”, justificou Vítor Pimentel.

“Dos 140 mil euros de orçamento, cerca de 90% é gasto em empresas da região do Alto Tâmega. Só por si, já é uma força que justifica a realização da própria Feira”, vincou, acrescentando que a inflação se faz sentir em tudo, incluindo, “nos preços que somos obrigados a cobrar aos expositores e a todos aqueles que querem participar na Feira” que, segundo o próprio, “atrai gente dos quatro cantos do mundo”.

NOVIDADES

Este ano, a Feira Gastronómica do Polvo será mais alargada. “Era algo que pretendíamos fazer e um compromisso que tínhamos. Quando o 31 (de outubro) é um dia útil, sendo que em Chaves a maioria das pessoas tem tolerância de ponto, as pessoas dos concelhos limítrofes e de Espanha não podem aproveitar o festival do polvo. A nossa ideia passa por estender a tradição do dia 31 ao dia 1, sempre que o primeiro calhar a um dia útil”, revelou.

Outra das novidades e que, “muito orgulha” a organização, “graças ao empenho do município”, é a transmissão em direto, ao longo de todo o dia de sábado (29), da RTP1, algo que “não acontecia há muito tempo” e que “vai dar à Feira características de âmbito nacional. Vai promover Chaves”, permitindo “colher frutos ao longo do ano”, sublinhou o responsável, acrescentando que esta aposta se enquadra na “estratégia” de promoção do concelho e da região.

Para já, a organização espera “quatro dias de festa, de animação e de responsabilidade, pelos excessos que marcam esta altura. Naturalmente, será uma Feira de grande euforia, a primeira pós-covid, mas vamos vivê-la com responsabilidade”, apelou Vítor Pimentel.
limitações

Relativamente às ruas e artérias da cidade que serão ocupadas pelos comerciantes e, consequentemente, fechadas ao trânsito, Vítor Pimentel avança que “não há alterações de maior”, mas, “nas zonas de maior aperto”, isto é, na Avenida do Estádio, a organizar procurou “evitar a colocação de barracas dos dois lados da rua, de forma a que a circulação de pessoas possa ser feita com maior segurança e, caso exista uma necessidade no meio da Feira, possamos agir o mais rapidamente possível”, destacou.

A edição deste ano contará com mais de 500 expositores. Uma vez que a grande procura tem originado “filas de espera para entrar” na Feira, Vítor Pimentel avança que “poderá ser necessário discutir alguma reformulação a nível de ruas e de artérias” para, num futuro próximo, minimizar “os constrangimentos” que os expositores causam a moradores e comerciantes locais, “sobretudo durante os quatro dias de Feira”. Fora desta, “a tradição que vem de há muitos anos de as farturas e divertimentos chegarem à cidade tanto tempo antes”, também causa “alguns constrangimentos, sobretudo a nível escolar”.

Contudo, “se pusermos tudo isto nos dois pratos da balança, conseguimos perceber que aquilo que nos deixa é muito mais do que os constrangimentos que nos traz. Portanto, tem de haver um bocadinho de boa vontade de todos, de compreensão, sem que qualquer uma das instituições que participa na organização negue a sua responsabilidade em tentar melhorá-la e adaptá-la para que cause o mínimo de transtorno possível”, sublinhou.

Da parte da ACISAT, Vítor Pimentel garante que a Associação “tentará sempre” fazê-lo. “Já fizemos algumas alterações nesse sentido, mas, por vezes, não é de todo possível. Não conseguimos fazer uma mudança estrutural numa Feira de rua que tem quase cinco quilómetros de comprimento e que, diria, é a maior a nível peninsular”.

RETORNO

Na visão de Vítor Pimentel, “juntamente com outros ativos, como o Museu das Termas Romanas e a Estrada Nacional 2, a Feira dos Santos consegue lançar Chaves no mapa europeu. Portanto, temos de aproveitar isto, não só focados nas contrariedades desses quatro dias de Feira, mas também nos benefícios dos outros 361 dias do resto ano”, frisou.
“Quando falamos em retorno, não falamos só no produto que é vendido nos Santos.

Naturalmente que há quem se adapte e quem participe, até para esvaziamento de ‘stocks’, por exemplo, e há quem não o faça. Quando nós injetamos 140 mil euros na economia local, a juntar à faturação dos restaurantes, hotéis e lojas, à imagem que passamos do nosso concelho e da nossa região, todo esse retorno somado, compensa largamente o investimento que é feito na Feira”, vincou o mesmo responsável.

Quanto ao número previsto de visitantes, Vítor Pimentel adianta que “é muito difícil” avançar com “dados concretos”. “Contudo, posso dizer que durante a Feira dos Santos passarão por Chaves entre 140 a 150 mil pessoas e as expectativas para este ano são idênticas”, concluiu.

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