Também a Câmara Municipal de Ribeira de Pena mostra interesse na salvaguarda desta especialidade regional e típica do concelho. Em breve, vão ser desenvolvidas algumas iniciativas para o apoio e promoção das tão procuradas compotas, que são conhecidas a nível nacional. Actualmente estão confiadas a uma única doceira que a título particular, ainda dedica algum do seu tempo à elaboração das mesmas. “Tudo começou há 12 anos, com quatro mulheres. A ideia foi da professora local a Dª. Ermelinda, natural do Pinhão. Porém, com o evoluir dos tempos, o grupo foi-se desfazendo, acabando por ficar só uma pessoa, Natália Pacheco, mas que já faleceu”, disse ao Nosso Jornal a irmã Filomena Pacheco.
Filomena Pacheco já ajudava na confecção das compotas, e pensou em desistir aquando da morte da sua irmã, mas como tinha vários clientes a pedir as compotas e as frutas já preparadas, Filomena acabou por continuar com o trabalho.
As características destas afamadas compotas assentam no processo tradicional e artesanal. Toda a sua confecção é feita em típicos tachos na lareira e a esterilização dos recipientes é feita em água a ferver. O sabor torna-se inconfundível e podem guardar-se durante alguns meses que não há qualquer sinal de deterioração. São confeccionadas sem corantes, nem conservantes, somente com os frutos da região, como uvas, medronhos, abóboras, melões, maçãs, ameixas, pêssegos e amoras silvestres, entre outros. Mas, para gostos mais tropicais também há ananás e kiwi.
Filomena Pacheco tem receio que esta tradição possa perder-se. “É uma mais-valia para a terra, será triste que acabe, um dia”, concluiu.





