Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

As raízes da história e da fé

Esta igreja histórica do séc. XII convida-nos a meditar na força das raízes. É o cenário apropriado para ouvirmos as leituras bíblicas das Missas deste tempo que nos falam do início da Igreja como o grupo dos seguidores de Jesus Ressuscitado.   Assim introduziu a celebração da Eucaristia em Santa Leocádia o senhor Bispo na […]

Esta igreja histórica do séc. XII convida-nos a meditar na força das raízes. É o cenário apropriado para ouvirmos as leituras bíblicas das Missas deste tempo que nos falam do início da Igreja como o grupo dos seguidores de Jesus Ressuscitado.

 

Assim introduziu a celebração da Eucaristia em Santa Leocádia o senhor Bispo na manhã do Domingo passado.

Santa Leocádia é uma paróquia extensa do concelho de Chaves, situada na margem direita da estrada que sobe de Chaves para Carrazedo de Montenegro, já contígua da freguesia de Serapicos, de Valpaços. Nesta altura do ano a paisagem do planalto é agradável com alguns campos de cereal cobertos de verdura ao lado de zonas de carvalhos envelhecidos e revolvida a terra de vastas extensões de soutos de castanheiros.

A paróquia é constituída por sete aldeias e tem actualmente 154 famílias residentes com 340 pessoas. Numa das aldeias está em funcionamento uma escola do ensino básico onde se reúnem crianças de outra freguesia.

A igreja paroquial é uma histórica igreja românica do séc. XII, muito alterada com pinturas murais a fresco dos séc. XV e XVI e alguma talha no séc. XVIII. O pavimento, formado por antigas sepulturas irregulares, foi recentemente coberto de estrados de madeira. As paredes foram caiadas de branco sem argamassa. Toda essa mistura de coisas e estilos contribui para criar, no interior do prédio, um ambiente desagradável, sem clima pascal. Há mais de dez anos que os serviços oficiais do Estado por ali passam, mas o avanço das obras tem sido lento. Espera-se que a recente remodelação daqueles serviços apresse o restauro definitivo. Vista do exterior, o prédio é agradável com paredes limpas, cornijas habituais e muros reparados. No escadório de acesso ao adro da igreja levanta-se um cruzeiro tradicional, donde se divisa um grande panorama a poente. Dois ciprestes antigos na entrada do adro criam um clima de meditação. A antiga casa paroquial ali ao lado serve para trabalhos de catequese.

Os fiéis receberam o prelado com alegria, havendo famílias e jovens crismandos de outras paróquias vizinhas confiadas ao mesmo pároco.

Na homilia, o senhor Bispo referiu-se ao ambiente sentido dentro do prédio: Esta igreja histórica do séc. XII é como as pessoas idosas, que não têm o encanto dos olhos mas o encanto da história, e convida-nos a meditar na força das raízes. É o cenário apropriado para ouvirmos as leituras bíblicas das Missas deste tempo que nos falam do início da Igreja como o grupo dos seguidores de Jesus Ressuscitado, reunidos ao Domingo e sob a orientação de Pedro. E prosseguiu no comentário às leituras dizendo que este tempo, chamado tempo pascal – que decorre da Vigila pascal ao Pentecostes – é o período original da Igreja. Foi nesse tempo que nasceu a Igreja como o grupo dos seguidores de Jesus Ressuscitado. O tempo pascal é o tempo das origens entusiastas e dolorosas. Para as leituras da Missa a Igreja utiliza o livro dos «Actos dos Apóstolos» onde se sente a alegria e crescimento das primeiras comunidades cristãs na actual Turquia e Grécia, e nelas sobressai a figura de Pedro como o chefe da comunidade cristã e dos próprios Apóstolos, e o Domingo como «dia do Senhor» na expressão do livro do «Apocalipse». Esse livro do «Apocalipse» relata de modo poético a história do martírio da Igreja primitiva perseguida no Império romano, onde se destaca o Apóstolo S. João. E concluiu dizendo que a Igreja viveu sempre num clima de tensão perante o mundo. Esse antigo ambiente hostil faz pensar no martírio de hoje causado pelo laicismo actual. Este não persegue de modo violento, até ao sangue, como nesses tempos primitivos, mas, ao menosprezar os valores do Evangelho que são o fundamento da civilização humana, obriga-nos a grande empenho pessoal e familiar por fidelidade ao Evangelho e amor ao povo e à cultura. Nesta cultura laica nós somos chamados a testemunhar como S. João à força do Evangelho. A partir daqui falou do Crisma como o sacramento da militância cristã, do testemunho pessoal e da adultez cristã.

No final chamou a atenção dos fiéis para a necessidade de animarem a vocação de candidatos ao sacerdócio, para a introdução das «Celebrações dos Domingos sem presença do Padre», e para os desafios da cultura europeia que, ao centrar-se nos valores económicos e num conceito de liberdade exagerada, acaba por ameaçar a vida humana na fase inicial e terminal. Nesta paróquia, o referendo sobre o aborto teve 78 «nãos» e 26 «sins».

Crismaram-se 30 jovens.

A visita foi preparada durante uma semana pelo P. Manuel Martins, dos padres Vicentinos de Chaves.

É pároco o P. António Joaquim Mateus, a quem estão confiadas também as paróquias de Moreiras, Nogueira, ambas de Chaves, e a de Serapicos, do concelho de Valpaços.

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