Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

Bagos d’Ouro ajuda a combater isolamento digital das crianças no Douro

A Associação Bagos d’Ouro está a ajudar a combater o “isolamento digital” sentido por crianças e jovens no Douro, após o encerramento das escolas devido à covid-19, colmatando a falta de computadores e acesso à Internet.

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“Nesta altura a desvantagem social sente-se ainda mais”, afirmou hoje à agência Lusa Mafalda Ferrão, coordenadora social da Bagos d’Ouro.

Criada em 2010, a associação sem fins lucrativos tem como missão apoiar crianças e jovens carenciados do Douro no seu percurso escolar.

Segundo Mafalda Ferrão, neste momento a organização trabalha com 166 crianças e jovens, de 81 famílias espalhadas pelos concelhos de São João da Pesqueira, Tabuaço e Armamar, no distrito de Viseu, e Sabrosa, Alijó e Murça, no distrito de Vila Real.

A pandemia levou ao encerramento físico das escolas e, por causa disso, a Bagos d’Ouro reforçou o seu apoio às famílias, ajudando a combater o “isolamento digital” nesta região, já por si “isolada e pobre”. O objetivo foi fazer a ligação entre os professores e as crianças e jovens.

“Tínhamos 46% das crianças sem Internet ou computador. Conseguimos resolver a maioria das prioridades até ao 3.º ciclo. Só nos faltam quatro computadores”, afirmou a coordenadora.

Com o encerramento físico das escolas, as atividades passaram para o ‘online’. A associação ajudou a colmatar a falta de equipamentos e acesso à Internet, através da angariação de computadores e da instalação de serviços de telecomunicações.

Foi instalada Internet na casa de 11 crianças e jovens e foram angariados sete computadores para os alunos, permitindo que, desta forma, já consigam estar em contacto com os professores e assistir às aulas à distância.

“Temos todas as nossas crianças ‘online’, nem que seja através de um telemóvel, um ‘tablet’ ou um computador”, referiu.

A responsável descreveu um trabalho no terreno que teve de desenrascar alternativas em aldeias isoladas e sem rede, e que, em alguns casos, até passaram por colocar ‘routers’ em telhados.

A equipa de terreno da associação ajudou também a fazer chegar as fichas escolares aos alunos, articulando-se com as juntas de freguesia, câmaras ou outros parceiros locais.

Entretanto, foi anunciada a telescola para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos e, “se tivéssemos que pôr todos os alunos mais pequenos 'online', ainda nos faltariam mais 14 computadores”, referiu Mafalda Ferrão.

Depois de ultrapassada esta barreira digital, o grande desafio agora é a “estabilidade emocional” para que as crianças e os jovens consigam manter-se ativos nesta altura de confinamento e, sobretudo, manter interações saudáveis nos ambientes familiares menos estruturados.

A associação conta com 45 voluntários, dispersos por diversas áreas, entre os quais seis psicólogos.

Os contactos que eram feitos regularmente nas escolas são agora mantidos por videoconferência.

“A Bagos d’Ouro intensificou estes contactos e envolveu mais as famílias. Ganhamos imenso porque passamos e estar juntos semanalmente ‘online’. Encontramos aqui uma partilha muito maior, um envolvimento dos pais também maior e, sobretudo, um espaço onde eles também podem partilhar”, referiu.

A equipa tem sensibilizado as famílias para a covid-19, tem ajudado na organização da rotina de trabalho das crianças e no apoio escolar, e faz o levantamento das necessidades e a angariação dos materiais necessários.

Na rede social Facebook foi criado um grupo onde são colocados desafios para os filhos e os pais fazerem juntos, desde exercício físico à leitura.

Para os mais carenciados, as comunidades onde estão envolvidos estão a dar apoio, como por exemplo, as refeições para os alunos que têm subsídio escolar.

No entanto, segundo Mafalda Ferrão, as famílias estão apreensivas por causa dos empregos. É que, se o trabalho agrícola se vai mantendo, no caso do turismo a atividade está praticamente parada e estas são, no Douro, as principais fontes de rendimento.

“Estamos muito preocupados com as situações de desemprego que se avizinham numa comunidade já com empregos tão precários”, apontou.

A associação não dá apoio financeiro, mas pode ajudar com bens alimentares e articular respostas com outros parceiros, como a Segurança Social.

 

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