Sexta-feira, 8 de Maio de 2026

Barcos: a aldeia que já foi sede de concelho

Em pleno Alto Douro Vinhateiro, a aldeia de Barcos é rica em história e cada vez mais pobre em gente, à semelhança do que acontece um pouco por todo o interior do país

CONTEÚDO PATROCINADO >

Mas nem isso demove os que ainda lá vivem, que fazem desta aldeia um centro de convívio ao ar livre.

No largo da aldeia, junto à igreja, encontrámos Maria da Conceição, de 74 anos. O olho azul chama a atenção, assim como a simpatia. Natural de Barcos, “trabalhei toda a vida no campo e criei três filhos”, conta.

É por ali que passa a maior parte dos dias, “a não ser que esteja a chover”, e é quase que uma guia turística, apesar de não falar inglês. Ainda assim, lá se vai entendendo com quem chega de fora. “Volta e meia vêm cá turistas, em excursões. Eu não os percebo, mas faço gestos e a coisa vai lá”.

Enquanto vê a bisneta brincar na rua, dá dois dedos de conversa connosco e recorda que “isto já foi sede de concelho. Tínhamos aqui cadeia e a casa da roda, onde deixavam as crianças”, uma espécie de jardim de infância de antigamente.

Ao percorrer as ruas da parte histórica da aldeia, ainda há sinais de outros tempos, como a forca e os tanques de lavar a roupa. “Agora já toda a gente tem máquina de lavar, não se usam os tanques”, afirma.

 “Antes morava aqui muita gente, agora somos poucos”, frisa, admitindo que “quem vem cá gosta muito disto”. E destaca a festa que se faz em outubro, “que traz muita gente”. É a Festa das Vindimas de Barcos.

Sobre os jovens, “muitos estão para fora, a ganhar a vida. Outros moram mais para cima”.

“ISTO ERA UMA FAMÍLIA”

Numa rua mais abaixo, Maria do Carmo está com o marido à porta de casa. Viveu em Barcos até aos 17 anos, altura em que foi para Angola. Foi lá que conheceu o seu companheiro, minhoto. No regresso a Portugal, depois do 25 de Abril, ficaram por Lisboa, onde vivem até hoje. Contudo, fazem questão de visitar Barcos sempre que podem.

“As casas antes estavam cheias de pessoas, toda a gente se conhecia, éramos praticamente família uns dos outros. Agora, há aqui pouca gente”, afirma, confessando que “recuperei a casa dos meus pais, para ter mais condições, e venho cá de vez em quando. Passo cá uns dias e depois volto para Lisboa, é lá que está a nossa vida”.

Regressar à terra natal tem sempre um gosto especial. “Lá em Lisboa até vivo num sítio sossegado, mas não tem nada a ver. Uma pessoa aqui está mesmo no meio da natureza, a descansar”. O movimento que vai havendo “são os turistas”, vinca.

Outros Artigos

“Temos uma série de medidas em curso que ajudam a fixar pessoas no concelho”

Liderada por Carlos Carvalho, que está a cumprir o terceiro e último mandato, a Câmara Municipal de Tabuaço tem uma série de apoios com vista a melhorar a vida dos habitantes do concelho que, à semelhança de outros tantos, luta contra a desertificação. Além disso, há vários projetos em curso no âmbito da habitação e da mobilidade.

Aposta na promoção do envelhecimento ativo

O município de Vila Flor criou uma Unidade de Envelhecimento Ativo, que é responsável por desenvolver várias iniciativas destinadas aos mais velhos, de modo a proporcionar melhores condições, mantendo e melhorando a saúde física e mental, promovendo o convívio e combatendo o isolamento, à medida que a idade avança.

Rijomax: o relógio mais completo do mundo

Com dois metros de altura, o Rijomax é considerado o relógio mais completo do mundo. Começou a ser construído em 1945, por Amândio José Ribeiro, e ficou pronto em 1973. Foram 28 anos e 16 mil horas de trabalho

Muito para ver, mas também para comer

Situado na região do Douro, o concelho de Lamego tem muito para ver, mas também para comer, tornando-se um verdadeiro paraíso para os amantes da gastronomia. E há muito por onde escolher, desde a famosa bôla de Lamego, passando pelos biscoitos da Teixeira, pelo cabrito assado ou pelo presunto.

Cultura e turismo de mãos dadas

Situado no coração da vila de Boticas, o Centro de Artes Nadir Afonso é considerado uma das mais importantes instituições culturais do concelho e um pilar fundamental para o desenvolvimento turístico local.

Boticas Parque uma porta de entrada no concelho

O Boticas Parque - Natureza e Biodiversidade, situado no concelho de Boticas e que abrange as freguesias de Vilar, Codessoso e Beça, é um centro de natureza e biodiversidade que promove o turismo sustentável, a educação ambiental e a valorização dos recursos locais.

28 bolsas de estudo entregues a alunos do Ensino Superior

Os alunos abrangidos por esta medida receberam, no ano passado, um apoio financeiro no valor de mil euros, para fazer face às despesas associadas aos estudos. Este apoio, dado pela autarquia, pretende criar condições para que os mais jovens possam prosseguir com os seus estudos.