Mas nem isso demove os que ainda lá vivem, que fazem desta aldeia um centro de convívio ao ar livre.
No largo da aldeia, junto à igreja, encontrámos Maria da Conceição, de 74 anos. O olho azul chama a atenção, assim como a simpatia. Natural de Barcos, “trabalhei toda a vida no campo e criei três filhos”, conta.
É por ali que passa a maior parte dos dias, “a não ser que esteja a chover”, e é quase que uma guia turística, apesar de não falar inglês. Ainda assim, lá se vai entendendo com quem chega de fora. “Volta e meia vêm cá turistas, em excursões. Eu não os percebo, mas faço gestos e a coisa vai lá”.
Enquanto vê a bisneta brincar na rua, dá dois dedos de conversa connosco e recorda que “isto já foi sede de concelho. Tínhamos aqui cadeia e a casa da roda, onde deixavam as crianças”, uma espécie de jardim de infância de antigamente.
Ao percorrer as ruas da parte histórica da aldeia, ainda há sinais de outros tempos, como a forca e os tanques de lavar a roupa. “Agora já toda a gente tem máquina de lavar, não se usam os tanques”, afirma.
“Antes morava aqui muita gente, agora somos poucos”, frisa, admitindo que “quem vem cá gosta muito disto”. E destaca a festa que se faz em outubro, “que traz muita gente”. É a Festa das Vindimas de Barcos.
Sobre os jovens, “muitos estão para fora, a ganhar a vida. Outros moram mais para cima”.
“ISTO ERA UMA FAMÍLIA”
Numa rua mais abaixo, Maria do Carmo está com o marido à porta de casa. Viveu em Barcos até aos 17 anos, altura em que foi para Angola. Foi lá que conheceu o seu companheiro, minhoto. No regresso a Portugal, depois do 25 de Abril, ficaram por Lisboa, onde vivem até hoje. Contudo, fazem questão de visitar Barcos sempre que podem.
“As casas antes estavam cheias de pessoas, toda a gente se conhecia, éramos praticamente família uns dos outros. Agora, há aqui pouca gente”, afirma, confessando que “recuperei a casa dos meus pais, para ter mais condições, e venho cá de vez em quando. Passo cá uns dias e depois volto para Lisboa, é lá que está a nossa vida”.
Regressar à terra natal tem sempre um gosto especial. “Lá em Lisboa até vivo num sítio sossegado, mas não tem nada a ver. Uma pessoa aqui está mesmo no meio da natureza, a descansar”. O movimento que vai havendo “são os turistas”, vinca.




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