Num comunicado divulgado na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, manifestou publicamente o “desagrado” do seu município no processo de reestruturação dos meios do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que prevê a transferência do helicóptero localizado em Macedo de Cavaleiros para Vila Real.
O autarca referiu que foi enviada uma tomada de posição ao primeiro-ministro, na qual solicita-se que “o processo seja revisto, no sentido de o helicóptero posicionado em Macedo de Cavaleiros aí continue”. A Câmara Municipal decidiu ainda “comunicar os ministros da Administração Interna e da Saúde o evidente desagrado pela rede proposta”, solicitando também àqueles governantes “a sua reavaliação”.
Finalmente, o executivo municipal brigantino lançou um apelo “às câmaras municipais e assembleias municipais do distrito para que tomem posição e a divulguem junto da população”.
“O Nordeste Transmontano tem, nas últimas três décadas, sido a parte do país mais martirizada pela cultura centralista dos sucessivos governos, política que concentra cada vez mais a economia e a população no litoral, abandonando as pessoas e o território da generalidade da fronteira terrestre como se sobre este não existissem obrigações de soberania, fraturando o país, deixando a população do interior cada vez mais entregue a si própria, discriminando-a negativamente, reduzindo competências e extinguindo serviços públicos em áreas como a saúde, a justiça, as finanças, a segurança social, o ensino e outros, ficando os serviços de proximidade cada dia mais distantes e menos acessíveis a um povo fragilizado e empobrecido”, denunciou o mesmo responsável político.
Jorge Nunes questiona o Governo sobre as suas intenções perante esse cenário: “Será que com esta situação de abandono e esquecimento nos querem obrigar a olhar para o território de Espanha como “a alternativa”, continuando o governo de Lisboa a não compreender que o país tem que se reencontrar consigo próprio, promover uma nova visão de coesão e de competitividade para o país no seu conjunto, construindo um futuro que sirva justamente todos os portugueses?”
De recordar que, na semana passada o INEM confirmou ao Nosso Jornal a intenção de, no âmbito de um processo de reestruturação dos seus meios, proceder à centralização em Vila Real de dois dos helicópteros que servem a região norte, nomeadamente Macedo de Cavaleiros e Aguiar da Beira.
Na altura, o INEM garantiu que as “modificações que estão a ser estudadas não vão prejudicar nenhuma das populações que possuem atualmente uma aeronave”, estando já a ser “desenvolvidos esforços para garantir a estas populações alternativas seguras e de qualidade para responderem eficazmente a eventuais situações de emergência médica”.
“Assim, no caso de Aguiar da Beira e Macedo de Cavaleiros, vão ser colocadas ambulâncias operadas diretamente pelo INEM que vão garantir uma resposta diferenciada em tempo útil à população desses concelhos”.





