Na quinta-feira, em Alfandega da Fé, a Polícia Judiciária deteve um individuo, de 58 anos, suspeito de maus tratos, exploração e violência sobre uma mulher, de 43 anos, e o seu marido, de 57 anos.
Em declarações ao Nosso Jornal, o casal explicou que tudo teria começado há cerca de 20 anos, quando ambos foram trabalhar para uma quinta em Valverde, aldeia a poucos quilómetros de Alfandega da Fé. Aqui, terão começado os atos de violência e escravidão. “Foram anos de violência e maus tratos. O patrão, que também era meu compadre, ao longo dos vinte anos nunca nos pagou nada. Além disto, ele chamava-me nomes feios e ainda rachou por duas vezes a cabeça ao meu marido com uma vara de pastor. Também lhe batia e obrigava-o a trabalhar na vinha, mesmo só podendo utilizar um braço”, contou Maria de Fátima.
A alegada vítima referiu ainda que o patrão, juntamente com a sua companheira não saiam sem a levar com eles. “Era a forma de nos controlarem para não fugirmos, pois sabiam que o meu marido não ia a lado nenhum sem mim”.
“Várias vezes fui obrigada a ir trabalhar na vindima e na apanha de fruta na zona de Logroño (Espanha) e nunca recebi qualquer valor. O meu marido ficava em Portugal”, acrescentou. A fuga do casal aconteceu em meados de agosto, aproveitando o facto do seu compadre e a esposa se terem ausentado. “Eles foram para a festa e decidi ligar ao meu filho para nos vir buscar”.
O casal apresentou queixa no posto da GNR de Vila Nova Foz Côa, onde a força militar desencadeou todo o processo que levou à intervenção da PJ e a posterior detenção do indivíduo.
Acolhidos na casa da sua mãe, na aldeia de Santa Comba (Vila Nova de Foz Côa), os queixosos, que tem 3 filhos (17, 20 e 21 anos), exigem que se faça justiça e esperam que o alegado sequestrador lhes pague o valor respeitante aos anos que estiveram a trabalhar. Entretanto, depois de ouvido na sexta-feira no Tribunal de Alfândega da Fé, o indivíduo acabou por ser libertado e aguardara o desenvolvimento do processo judicial.






