Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2025
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Casal alega cativeiro durante vinte anos

É mais um caso de suposta escravidão humana registado no norte do país, desta vez tendo como vítimas um casal natural de Santa Comba (Vila Nova de Foz Côa). Maria de Fátima e Manuel dos Santos acusam um homem de exploração, maus tratos e violência. O caso está agora em tribunal.

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Na quinta-feira, em Alfandega da Fé, a Polícia Judiciária deteve um individuo, de 58 anos, suspeito de maus tratos, exploração e violência sobre uma mulher, de 43 anos, e o seu marido, de 57 anos.

Em declarações ao Nosso Jornal, o casal explicou que tudo teria começado há cerca de 20 anos, quando ambos foram trabalhar para uma quinta em Valverde, aldeia a poucos quilómetros de Alfandega da Fé. Aqui, terão começado os atos de violência e escravidão. “Foram anos de violência e maus tratos. O patrão, que também era meu compadre, ao longo dos vinte anos nunca nos pagou nada. Além disto, ele chamava-me nomes feios e ainda rachou por duas vezes a cabeça ao meu marido com uma vara de pastor. Também lhe batia e obrigava-o a trabalhar na vinha, mesmo só podendo utilizar um braço”, contou Maria de Fátima.

A alegada vítima referiu ainda que o patrão, juntamente com a sua companheira não saiam sem a levar com eles. “Era a forma de nos controlarem para não fugirmos, pois sabiam que o meu marido não ia a lado nenhum sem mim”.

“Várias vezes fui obrigada a ir trabalhar na vindima e na apanha de fruta na zona de Logroño (Espanha) e nunca recebi qualquer valor. O meu marido ficava em Portugal”, acrescentou. A fuga do casal aconteceu em meados de agosto, aproveitando o facto do seu compadre e a esposa se terem ausentado. “Eles foram para a festa e decidi ligar ao meu filho para nos vir buscar”.

O casal apresentou queixa no posto da GNR de Vila Nova Foz Côa, onde a força militar desencadeou todo o processo que levou à intervenção da PJ e a posterior detenção do indivíduo.

Acolhidos na casa da sua mãe, na aldeia de Santa Comba (Vila Nova de Foz Côa), os queixosos, que tem 3 filhos (17, 20 e 21 anos), exigem que se faça justiça e esperam que o alegado sequestrador lhes pague o valor respeitante aos anos que estiveram a trabalhar. Entretanto, depois de ouvido na sexta-feira no Tribunal de Alfândega da Fé, o indivíduo acabou por ser libertado e aguardara o desenvolvimento do processo judicial.

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