A região duriense vai acolher a primeira Central Electroprodutora a Biomassa Florestal. O Consórcio Miese (formado pela empresa Alberto Mesquita & Filhos; pelo grupo espanhol de Engenharia e Construção, Isolux; e pela Empresa Geral de Fomento) será o responsável por este grande empreendimento que está projectado para ser construído, em Parada do Pinhão, no concelho de Sabrosa. Em paralelo, serão criados vários Parques de Recepção de Biomassa Florestal.
As obras desta central, de 11 Mw, deverão arrancar durante 2009. Ao mesmo tempo, o Pinhão (concelho de Alijó) será o “Ponto de Intersecção” deste sistema que, por si só, introduzirá, depois, na Rede Eléctrica Nacional, a energia produzida. Esta Central, por ano, terá de ser alimentada com cerca de 100.000 toneladas de matéria “verde” (folhagens, raízes, resíduos florestais e, até produtos resultantes das intervenções nas vinhas) oriunda das florestas, não só do concelho de Sabrosa, mas da região de Trás-os-Montes e Alto Douro, nomeadamente de Vila Real, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Murça, Mirandela e Moncorvo. Em paralelo, serão criados vários Parques de Recepção da Biomassa que serão localizados nas zonas de maior pendor florestal.
Mas não ficam por aqui as novidades, quanto a este mega-projecto de produção de energia limpa. O projecto prevê, associada à produção da energia térmica, a construção de várias estufas, para a produção agrícola. Ou seja: a energia também será aproveitada para este fim e poderá ser uma mais valia do projecto. Directamente, esta unidade pode criar cerca de trinta postos de trabalho, além da possibilidade de ser uma fonte de rendimento para os produtores florestais da região.
Quem manifestou a sua satisfação por este projecto foi o Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, José Manuel Marques:
“O concelho de Sabrosa possui, a nível distrital, um dos maiores índices de concentração, por hectare, de biomassa florestal, o que pode representar um elemento importante, no abastecimento desta Central Electroprodutora. Este empreendimento será positivo, para o concelho, pois assumirá uma importância geo-estratégica de realce. E, do ponto de vista florestal, será significativo. Porque estamos a falar de resíduos florestais, então teremos a floresta mais limpa e os produtores florestais do concelho e das zonas envolventes poderão ver a sua actividade mais compensatória. Espero, também, que esta oportunidade de desenvolvimento e de produção de energia limpa seja realizada numa gestão integrada bem elaborada, com as associações florestais e produtores”.
O autarca confirmou, ainda, que “a Central será localizada na freguesia de Parada do Pinhão, cuja Junta de Freguesia tem mantido contactos com o Consórcio, para a cedência dos respectivos terrenos e cujo acordo de princípio terá sido já estabelecido”.
Quanto ao papel da Câmara Municipal de Sabrosa, neste empreendimento, “irá apoiar, ao nível da criação de condições para a viabilidade do mesmo e será interlocutora e um pólo dinamizador, assumindo, sempre, um papel vigilante e de monitorização”.
Também a componente dos fogos florestais poderá ser beneficiada com o funcionamento da Central.
“A Zona Norte do concelho é muito florestada, por vezes é causticada por incêndios e julgo que este empreendimento terá, também, um reflexo importante, na prevenção e na redução dos focos de incêndio”.
Quanto a preocupações, apenas duas, deixadas pelo autarca.
“Perceber se há, na região, quantidade de biomassa suficiente para abastecer o sistema e a forma como irá ser gerida a gestão dos Parques de Recepção da mesma Biomassa Florestal”.
José Manuel Marques aproveitou para anunciar iniciativas da Câmara Municipal, no âmbito das energias limpas: “Neste momento, estamos a estudar vários projectos que incidem na criação de micro-hidricas nos rios e linhas de água do concelho, bem como no potencial eólico, em que a instalação de alguns parques está em estudo”.
Mas nem tudo são rosas, neste sector das energias verdes. A alimentação das Centrais a Biomassa Florestal não tem sido “pacífica”, tudo por causa do preço por tonelada pago aos produtores. Sabe-se que milhares de toneladas de resíduos florestais estavam a sair do país, nomeadamente rumo a Itália, porque os fornecedores receberiam 40 euros, por tonelada, face aos 25 euros pagos pelas Centrais, em Portugal. O baixo custo pago pela tonelada de Biomassa Florestal, em Portugal, não incentiva a recolha, já que se estima que a limpeza de um hectare de mata e floresta custe cerca de 500 euros.
De sublinhar que a desflorestação é um receio sempre persistente, quando se instala um equipamento do género, mas uma fonte do Grupo Mesquita garantiu-nos que a mesma não irá funcionar com madeiras, mas sim com “resíduos provenientes das limpezas das florestas, galhos, folhagens, raízes e outros arbustos”. Também sublinhou que “não tem qualquer efeito poluidor ambiental”.
Outro interessado na Central de Biomassa de Sabrosa era o agrupamento Biotermoeléctricas Portuguesas, constituído pelas sociedades Rui Ribeiro Construções, FDO Construções, Edifer – Construções Pires Coelho & Fernandes e Dalkia – Energia e Serviços, mas que se quedou em segundo lugar, no concurso promovido pela Direcção Geral de Energia e Geologia.
De referir que a segunda Central Termoeléctrica a Biomassa Florestal de Vila Real, com 11 Mw, projectada para a zona do Alto Tâmega (Valpaços), já foi entregue ao Consórcio Probiomass, formado pela Proef, Eurico Ferreira, EHATB – Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso e Espírito Santo Capital.
A DGEG espera que a entrada em funcionamento das 15 Centrais de Biomassa atribuídas, num total de 100 megawatts (Mw), venha a dinamizar as soluções logísticas para a sua recolha.
Para o futuro e até 2010, o Governo quer criar uma rede descentralizada de Centrais de Biomassa, com potência total de 250 megawatts (Mw), num investimento que pode ascender a 500 milhões de euros e criar entre 500 a 1000 postos de trabalho.
Em termos gerais, uma Central de Biomassa funciona da seguinte maneira: os resíduos são introduzidos no forno da caldeira que tem água. Esta entra em ebulição, provocando um vapor muito pressurizado que faz mover, depois, a turbina e cujo gerador começa a produzir energia que é introduzida, directamente, na Rede Eléctrica.
José Manuel Cardoso






