Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Cerca de 100 mil pessoas assitiram ao regresso do Circuito

Foram três dias em que os cinco sentidos dos vila-realenses estiveram virados para as velocidades, para o “roncar” dos motores, o cheiro do combustível, a emoção de cada curva, de cada volta a fazer cruzar a meta. “Históricos” do mítico circuito de Vila Real misturaram-se com muitos outros jovens pilotos, num percurso que muitos classificaram […]

Foram três dias em que os cinco sentidos dos vila-realenses estiveram virados para as velocidades, para o “roncar” dos motores, o cheiro do combustível, a emoção de cada curva, de cada volta a fazer cruzar a meta. “Históricos” do mítico circuito de Vila Real misturaram-se com muitos outros jovens pilotos, num percurso que muitos classificaram como de “coração”. Quanto ao público, os números comprovam o sucesso: mais de 100 mil pessoas, distribuídas, com muita criatividade, por 4,6 quilómetros de percurso.

O futuro já traz garantias, sendo de realçar que, em 2008, as emoções vão ser a dobrar, prevendo-se dois fins-de-semana de corridas.

No rescaldo da organização do 40.º Circuito Automóvel “Dolce Vita” de Vila Real, realizado nos dias 5, 6 e 7 e que representou um regresso das corridas, depois de um interregno de 16 anos, o Clube Automóvel de Vila Real (CAVR) faz um balanço muito positivo, mas assume que “ainda há muito a ser melhorado”.

“Apesar de termos detectado algumas falhas que têm que ser colmatadas, no geral, correu muito bem”, explicou Jorge Fonseca, Presidente do CAVR, especialmente satisfeito com os resultados, ao nível dos espectadores, contabilizando que, no total dos três dias de corridas, “à vontade, mais de 100 mil pessoas” espalharam-se um pouco por todo o circuito, não só nas bancadas ou junto das redes de protecção, mas, também, em prédios em construção, em andaimes improvisados, em cima de carrinhas, em varandas, telhados, árvores.

E foi, exactamente, a aventura de uma espectadora que deu origem ao único incidente do circuito, no Domingo, quando “uma mulher, ao descer de um telhado de onde estaria a ver as corridas, ficou com o sapato preso, acabando por cair, sofrendo um hematoma na cabeça e uma fractura no pulso”, explicou-nos Álvaro Ribeiro, Comandante dos Bombeiros da Cruz Verde, realçando que, depois de assistida, no local, pelo médico da prova, foi conduzida, depois, para o Hospital de São Pedro.

Ao nível desportivo, também era bem visível a satisfação dos vários pilotos, pelo regresso das velocidades, à cidade vila-realense.

“Eu queria chegar ao fim, mas, sobretudo, queria participar na festa”, explicou Rui Lages, de 56 anos, que, em 1996, despiu o fato de piloto, regressando, “exclusivamente” como forma de homenagear o amigo Manuel Fernandes e Vila Real. “O meu regresso às corridas termina hoje”, garantiu o piloto, natural de Braga, o qual deixou, no entanto, a certeza de que, no próximo ano, voltará à capital de distrito transmontana, mas apenas como espectador.

Também o nome de Carlos Santos regressou, ao circuito urbano. Não o piloto que, nas décadas de 60 e 70, arrecadou títulos, em Vila Real, mas, sim, o seu filho.

“O circuito é fantástico”, considerou o piloto, de 41 anos, natural de Amarante que ainda se lembra de acompanhar o pai, nas competições realizadas em Vila Real e que, nesta reedição do circuito, subiu ao pódio do Campeonato dos Clássicos em Velocidade.

Apesar dos vários pódios e dos vários campeões, foi um terceiro classificado do Open de Velocidade que mais fez vibrar o público vila-realense, mais exactamente Manuel Pedro Fernandes, filho de Manuel Fernandes.

“Não estava a contar. O terceiro lugar foi uma sorte”, afirmou, visivelmente emocionado, o piloto, de 31 anos, dedicando a seu pai a subida ao pódio.

Manuel Fernandes foi um dos grandes nomes do desporto automóvel, em Vila Real. Arrecadado cinco títulos de Campeão Nacional de Velocidade. Falecido, em 2005, o apaixonado pelas velocidades foi ainda um dos grande impulsionadores do regresso das corridas. Por isso e pelo seu currículo desportivo, o vila-realense foi homenageado não só através da toponímia, com o baptismo da rua junto ao CAVR com o seu nome, mas, também, e como não poderia deixar de ser, na pista, com a realização de um prova que encerrou o circuito e que contou com nomes históricos do automobilismo, em Portugal, como Rui Lages, António Rodrigues, José Peres e Alcides Petiz (vencedor da corrida memorial).

Também Manuel Martins, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, marcou presença, na cerimónia de homenagem a Manuel Fernandes, no final das corridas, altura em que fez uma análise ao fim-de-semana automobilístico: “Os cidadãos estão felizes com o retomar das provas. Dei uma volta ao circuito e senti que valeu a pena”, explicou o autarca.

Quem também deu uma “volta” ao circuito vila-realense foi Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência que, no primeiro dia de provas, deixou algumas garantias, no que diz respeito à continuidade do apoio do Governo, para o evento que considerou como “uma aposta com potencial ganhador”, tendo em conta não só o seu valor desportivo, mas, também, o seu contributo para a economia local”.

Jorge Fonseca adiantou, ao Nosso Jornal, que, nos próximos “quinze dias”, haverá novidades, em relação às provas previstas, para o próximo ano.

“Em princípio, deverá ser agendado um fim-de-semana, em Junho ou Julho, e outro, em Setembro, este último com provas internacionais”, adiantou o Presidente do CAVR, confirmando, assim, que “as corridas voltaram, para ficar”.

 

Maria Meireles

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