Vila RealCIM’s unidas na preocupação com o processo de verticalização da distribuição da água

CIM’s unidas na preocupação com o processo de verticalização da distribuição da água

Além de unidos em prol do desenvolvimento estratégico das regiões que representam, a maior preocupação das três Comunidades Intermunicipais existentes na região é neste momento a questão da água. Francisco Lopes defende ser necessário “tomar medidas urgentes sob pena de alguns municípios entrarem em desequilíbrio financeiro por força do incumprimento com a Águas de Trás-os-Montes”.

As Comunidades de Intermunicipais (CIM) do Douro, Trás-os-Montes e Alto Tâmega vão pedir ao Governo que acelere o processo de fusão dos sistemas de distribuição da água em alta e estão a estudar alternativas à proposta apresentada pela empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (AdTMAD) relativamente à verticalização da distribuição em baixa.

As CIM’s têm reunido com frequência, tendo o último encontro sido realizado em Vila Real, no dia 24, altura em que Francisco Lopes, da Comunidade Intermunicipal duriense, confirmou que as questões relativas à distribuição da água “são uma grande preocupação” de todos os municípios da região.

A reunião representou “mais um passo na preparação de um processo que nos causa enorme preocupação porque está a pôr em desequilíbrio financeiro muitas das nossas autarquias”, sublinhou o autarca de Lamego, lamentando que “as expectativas não sejam de facto muito favoráveis, posto que não há notícias da parte do Governo e do grupo Águas de Portugal em relação à fusão dos sistemas em alta nem em relação ao processo de verticalização”. “Temos que tomar medidas e a próxima será as três CIM voltarem a reunir no sentido de solicitar ao Governo que acelere este processo”, adiantou.

Cada Comunidade Intermunicipal irá agora discutir internamente (a reunião da CIM Douro decorreu ontem, já depois da hora de fecho desta edição), para depois tomar, “seguramente”, algumas medidas com vista “a acelerar” as questões relativas ao abastecimento de água, tanto em alta como em baixa, temáticas que já estão sobre a mesa desde 2009, recordou Francisco Lopes.

O autarca defendeu ser necessário “tomar medidas urgentes sob pena de alguns municípios entrarem em desequilíbrio financeiro por força do incumprimento com a Águas de Trás-os-Montes, dado que as tarifas são absolutamente insuportáveis”.

Mais, o mesmo responsável político revelou mesmo que as três Comunidades estão a “ponderar soluções alternativas que possam passar por uma agregação dos municípios em torno das suas redes de abastecimento de água ou então pela participação de concessionários privados, num estudo alternativo à proposta apresentada pela AdTMAD.

As Comunidades do Douro, Trás–os-Montes e Alto Tâmega têm demonstrado a sua união em várias áreas, como por exemplo ao nível do “desenvolvimento de uma estratégia territorial integrada”, no entanto, como confirmou Francisco Lopes: “o sistema de água é a questão que mais nos liga e mais nos preocupa”.

De recordar que, o projeto de verticalização passa por criar um sistema de abastecimento até ao consumidor final único em toda a região norte, esbatendo-se assim as fronteiras geográficas no que diz respeito aos serviços de água e saneamento.

Alguns municípios estão a favor do processo e da gestão comum pela futura empresa Águas do Norte, outros ainda estão relutantes e muitos já se manifestaram contra um processo que vai uniformizar tarifas e retirar às autarquias o controlo sobre o sistema de distribuição.

Vários municípios já demonstraram a sua discordância com a proposta apresentada pela AdTMAD, sendo que a Câmara de Vila Real já a classificou mesmo de “ruinosa” e até “insultuosa” para os munícipes da capital de distrito.

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