A época de Natal é uma das melhores para o comércio de rua em Chaves. A par do verão, é uma altura que representa um aumento significativo de vendas, que em alguns casos constitui uma almofada financeira para o resto do ano.
Aqui não há centro comercial e nas ruas vê-se sempre um corrupio de gente à procura da lembrança ideal.
Na loja de roupa, acessórios e carteiras de Daiana Collar os dias já estavam a ser bastantes movimentados na semana passada. “Estamos a ter um fluxo grande, mas a loja está sempre com movimento”, mas agora muitas das compras são embrulhadas para dar de presente. “No Natal sempre se vende bastante”. Este será o segundo ano que a loja está aberta e a expectativa é que as vendas continuem a aumentar até ao dia 24 e se comparem ao verão e aos Santos, que foram “muito bons”. Para oferta, a escolha dos clientes recai sobre diferentes produtos disponíveis. “A pessoa vem e compra para várias pessoas da família, acessórios, carteiras, cachecóis, luvas, brincos”, diz. Conta que tem clientes fiéis, mas também recebe os que vêm passar as festas a Chaves.
“Da minha experiência, as pessoas costumam oferecer roupa, mas com a inflação e falta de poder de compra não temos a afluência que gostaríamos”
Ana Alvadio
Ali perto, numa loja de produtos de decoração e lembranças, a montra e a maioria dos artigos expostos estão relacionados com esta época do ano. “Temos vários artigos alusivos a esta altura festiva, desde carrosséis, caixas de música, canecas e outros objetos com imagens de Natal”, explica Manuela Cunha Gomes. Nada é deixado ao acaso na decoração e os tons alusivos à quadra misturam-se com sugestões de presentes diferentes. “Há aqui muitas peças que podem ser usadas como uma lembrancinha, como um mimo”, diz.
Aqui o movimento é menor e a lojista admite que “parece que o Natal ainda não está tão próximo, porque isto está muito parado. Algumas pessoas entram, dão uma voltinha, mas não compram logo, acho que ainda vão refletir sobre o que vão comprar”. Acredita mesmo que “este ano está a ser uma tendência as pessoas deixarem as compras para os últimos dias”. Manuela mantém também alguma expectativa com a vinda de espanhóis, “principalmente depois do Natal, porque lá trocam prendas nos reis”.
“É uma loja de brinquedos e, como o Natal é para as crianças, fazem-se boas vendas. Mas este ano as pessoas parecem estar a deixar tudo para a última da hora”
Sandra Teixeira
Também convicta de que na semana antes do Natal a procura deverá aumentar está Ana Alvadio, dizendo que, para já, na loja de roupa em que trabalha os clientes ainda aguardam, neste caso pelas promoções. “As pessoas já conhecem a marca e estão à espera das campanhas e das promoções”, que são habituais mesmo antes do final do ano. Ainda que muitas pessoas optem por roupa para pôr no sapatinho, reconhece que “não há um poder económico capaz, e este não é um bem essencial”, já que a qualidade dos artigos da marca portuguesa leva a que os preços sejam mais elevados do que em outros locais. “A inflação e o não aumento dos vencimentos, tudo isso faz com que não haja uma grande afluência como gostaríamos que houvesse”. Por outro lado, muitos já se anteciparam e aproveitaram os descontos da Black Friday.
Onde o movimento não para é nas lojas de brinquedos, mas nem todos os que entram saem com sacos de compras. Sandra Teixeira diz que o negócio “não está mau, mas também não está às mil maravilhas”. Mas como “o Natal é para as crianças”, acaba por ser sempre “uma época do ano mais chamativa”, e mesmo com contenções a procura por novidades é constante. As crianças querem sempre o mais recente, “o que veem na televisão e na internet”, pelo que tentam “ter sempre as novidades à disposição”, havendo uma grande variedade para todos os gostos.

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