Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022

Como é possível ter em casa um “bocadinho” do Jardim Botânico da UTAD…

O desafio lançado a um grupo de alunos foi o de serem responsáveis pelas visitas guiadas, mas a dedicação às plantas acabou por os levar a colocar as mãos na terra e começar a propagar a riqueza do Jardim Botânico da UTAD. Hoje, quem quiser ter uma aromática ou uma planta ornamental “nascida” do solo da academia trasmontana é só falar com a “Rupestris”, que desenvolve, mais que um negócio, a missão de divulgar o património natural da região

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Criada há pouco mais de um ano, por alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Cooperativa “Rupestris” está a trabalhar na propagação e comercialização de várias espécies de plantas existentes no campus académico, um espaço que representa um dos maiores Jardins Botânicos da Europa.

“Queremos levar as plantas da UTAD, o seu património genético, a sua variedade de espécies mais além”, explicou Daniel Ribeiro, um dos seis elementos que hoje compõem a Cooperativa, todos “produto” da própria academia, formados ou em formação em diversas áreas, nomeadamente Agrícola, Florestal, Biologia ou Ecologia.

Jorge Baptista, outro dos membros da cooperativa, recordou que “a ideia surgiu há cerca de três anos, a partir de um convite do professor Crespi ao Núcleo de Estudo e Proteção do Ambiente (NEPA) da UTAD para que tentasse formar uma equipa que conseguisse dar visitas guiadas ao Jardim Botânico”.

O grupo formou-se, as visitas começaram, mas depressa começaram também a fervilhar novos objetivos, novas missões, todas ligadas de forma específica à riqueza daquele espaço, que possuiu cerca de 2000 espécies vivas e, de uma forma geral, à promoção do património natural português.

Recuperando espaços que não estavam a ser utilizados, nomeadamente estufas e algumas pequenas parcelas de terreno, os jovens decidiram arregaçar as mangas, colocar as mãos na terra, começar a fazer a propagação das espécies existentes no campus e vender essas plantas. Um a um foram “nascendo” vasos de plantas aromáticas e ornamentais que têm a informação genética de espécies do Jardim Botânico, mas que podem agora viajar para os lares e jardins da cidade e da região.

“Estamos a vender na livraria Traga Mundos, também já comercializamos em algumas floristas de Vila Real. Para já só nos restringimos ao espaço da cidade. Tem sido um trabalho porta a porta, mas o nosso objetivo é começar a expandir para uma vertente regional”, explicou Jorge Baptista.

No que diz respeito a plantas ornamentais, a grande aposta vai para a sensibilização sobre a necessidade de “defender o que é nosso”, de “valorizar as espécies autóctones”. “É importante que recomecemos a dar mais valor às espécies que temos em Portugal. Porquê utilizar nos nossos jardins e casas espécies que não são nossas quando temos uma diversidade florística absurda, que dá para as nossas necessidades e gostos? Basta conhecê-la e valorizá-la”, defendeu.

Outra vertente da parte comercial da “Rupestris” são as plantas aromáticas, aqui nem todas as espécies são autóctones, até porque muitas plantas não são portuguesas mas são já muito conhecidas da população.

Tomilhos, salvias, mentas e hortelãs, alfazemas, santolinas, manjeronas, alecrins… Um sem fim de espécies e variedades, algumas com “grande identidade transmontana”, podem ser adquiridas para serem utilizadas no dia a dia, na culinária ou em infusões. E para quem acha que ter uma aromática em casa é uma tarefa difícil, Daniel Ribeiro desmistifica a ideia explicando que “é mais simples do que as pessoas imaginam”. “Comercializamos em vasos maiores do que os normais e num substrato bastante mais equilibrado para que as pessoas só tenham que se preocupar em dar água e luz, em protegê-las do frio, se possível. Basicamente é só regá-las e ir cortando de uma forma seletiva e cuidadosa, de modo a que consiga estar sempre a voltar a crescer”, explicou.

Além da salvaguarda dos nutrientes que se perdem no processo de secagem, a magia de ter uma aromática em casa e consumi-la em fresco está, segundo Jorge Baptista, na possibilidade de “ter um ser vivo que temos de cuidar” e do qual “podemos obter proveito”, “melhorando significativamente os nossos pratos e chás graças a uma planta, “a um ser vivo que está connosco”.

Para já a cooperativa não é rentável, como reconhecem os dois jovens, mas o objetivo é sem dúvida garantir, através das suas várias vertentes, a sustentabilidade dos seus seis postos de trabalho e quem sabe até contratar mais pessoas e conseguir que mais estudantes possam fazer no próprio campus o seu estágio.

 

Eventos promovem o “fascinante” património natural de Trás-os-Montes

 

A “Cooperativa Agrícola e multissetorial” nasceu legalmente em maio do ano passado e atualmente, além do seu objetivo inicial de garantir uma visitação adequada ao Jardim Botânico, promovendo sessões guiadas a centenas de pessoas de todas as idades, vários níveis de ensino e diferentes áreas de interesse (400 só desde janeiro deste ano) e a produção das plantas, dedica-se ainda à realização de eventos da natureza.

“Sendo a nossa sede na UTAD, obviamente que a maior parte dos nossos eventos decorre no campus”, explicou Jorge Baptista, revelando que já foi realizado, entre outras atividades, um encontro micológico, um encontro sobre líquenes (“que são bastante desconhecidos das pessoas mas que têm bastante potencial”) e vários passeios temáticos.

Mas, mais uma vez, os jovens querem ir mais além, e abrir o leque de ações a toda a região, um objetivo que já conseguiram com a realização, no ano passado, da reedição do ArribAves, “um encontro de ornitologia que tem como objetivo promover a avifauna e o território do Planalto Mirandês e das Arribas do Douro” e que este ano realiza-se novamente já a partir de sexta-feira até ao próximo domingo (dias 26, 27 e 28).

“Trás-os-Montes não é só azeite e vinho. É fascinante a diversidade de espécies, fauna e flora, que existe na região. Entendemos que é nossa função divulgar esse património natural”, defendeu o mesmo responsável, explicando assim a ideia de realizar o evento que decorrerá em Bemposta, no concelho de Mogadouro.

O encontro, que contará com a presença de guias, investigadores e palestrantes, não se destina apenas a quem gosta de observar aves, mas sim “a todos que procuram uma experiência agradável e um enriquecimento pessoal sobre a fauna e flora que existe em Trás-os-Montes”.

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