Cristiano Ronaldo anuncia retirada da seleção portuguesa de futebol

O avançado Cristiano Ronaldo, de 41 anos, anunciou hoje a retirada da seleção portuguesa de futebol, através de um vídeo divulgado nas suas redes sociais, na véspera de serem conhecidos os convocados para os derradeiros jogos na Liga das Nações.

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“Aos portugueses, chegou o momento de devolver a camisola 7 da seleção de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de a levar para estádios no mundo inteiro. Hoje chegou o momento de a entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque há decisões que não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração”, começou por dizer no vídeo de despedida.

Numa longa e emotiva mensagem nas redes sociais, acompanhada da música Amor a Portugal, de Dulce Pontes, Cristiano Ronaldo disse ser o fim de uma caminhada que começou em 2003 e que mudou a sua vida para sempre.

“Quando olho para trás e penso em tudo o que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, golos, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo emigrantes que durante 90 minutos sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida”, adianta Cristiano Ronaldo.

O avançado despede-se numa leitura acompanhada de um vídeo no qual recorda momentos marcantes, festejos, golos, pessoas, mas também choros e derrotas.

“Quis ganhar, quis ser melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe. E dei tudo o que tinha por esta camisola. Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custam recordar. Também falhei, também sofri, também houve momentos em que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam”, referiu o jogador.

De todos os momentos, Cristiano Ronaldo diz que o sentimento comum foi o orgulho em representar Portugal e que, apesar dos golos, recordes ou taças que ficam nos museus, sabe que o tempo não apagará o lugar que se tem no coração das pessoas.

“Há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas. Se alguma vez vos fiz feliz, se alguma vez um golo meu vos fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação ou sentir orgulho no nosso país, então tudo valeu a pena”, adiantou.

Na mensagem, o histórico capitão da seleção dirige-se também aos companheiros com quem partilhou o balneário das ‘quinas’.

“Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Cada vitória que celebrámos juntos, cada derrota que nos tornou mais fortes. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história. A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalham comigo ao longo destes anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotografias, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível”, referiu.

A finalizar, o jogador mais internacional do futebol português (234 presenças), garante que continuará a sofrer por Portugal, que lhe deu a maior vitória possível, a de poder representar o “melhor país do mundo”.

“Hoje, termina a minha caminhada dentro de campo com a seleção nacional. Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com o ‘simmm’. Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje, percebo que a maior vitória foi ter conseguido representar o melhor país do mundo. Obrigado por estes 23 anos”, disse.

Recordista mundial de jogos por seleções, com as 234 internacionalizações ‘AA’, e de golos, com 146 tentos, Cristiano Ronaldo tem como pontos altos da carreira na seleção a conquista do Euro2016, em França, bem como duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025, depois da final de má memória do Euro2004, em casa.

No dia 30 de setembro, o avançado abandonou o estágio da seleção portuguesa na véspera da partida frente à Dinamarca, a terceira do Grupo A4 da Liga das Nações, no início do ciclo de Jorge Jesus no comando técnico da seleção, que substituiu o espanhol Roberto Martínez depois do Mundial2026.

A primeira internacionalização ‘AA’ ocorreu no dia 23 de agosto de 2003, em Chaves, num particular frente ao Cazaquistão, que Portugal, sob o comando do brasileiro Luiz Felipe Scolari, venceu por 1-0, com o dianteiro, então com 18 anos, a entrar ao intervalo.

Ronaldo esteve presente em seis fases finais de Europeus, desde 2004 até 2024, e noutras tantas de Mundiais, de 2006 a 2026, sendo mesmo o único jogador da história a marcar em seis edições de campeonatos do mundo.

O último jogo pela equipa das ‘quinas’ acabou por ser o triunfo frente ao País de Gales (1-0), disputado no dia 24 de setembro, na primeira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações.

Já o último golo com a camisola lusa acabou por ser marcado no triunfo frente à Croácia (2-1), nos 16 avos de final do Mundial2026, em 03 de julho, em Toronto, ao converter uma grande penalidade.

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