Que o diga Fernanda Lourenço, proprietária do Café Alfredo, um dos pontos onde mais pessoas se reúnem para ver os carros passar. Aqui, os dias das corridas são sinónimo de “muito trabalho”.
“É um café onde se respira desporto”, vinca. E isso vê-se, desde logo, na decoração, com as paredes a darem destaque a alguns pilotos, entre eles Tiago Monteiro ou Rafael Lobato, este último um piloto da terra. “O café está aberto desde 1997 e como as pessoas de cá gostam de corridas optámos por fazer esta decoração, há uns anos”.
As corridas acontecem ao longo de três dias, mas aqui “é uma semana de muito trabalho, quase não dormimos”, confessa Fernanda Lourenço, revelando que “montamos as bancas dos barris de cerveja lá fora e depois temos bifanas, tripas e comida que seja rápida, para as pessoas poderem levar”.
“A gente é tanta que nem se consegue andar. Eu só ouço o barulho dos carros, porque vê-los só se der depois na televisão”, afirma, admitindo que “vendemos muita comida e, sobretudo, muita bebida. É um evento benéfico para o café”.
O marido, Alfredo, que dá nome ao estabelecimento, não esconde que estes dias, apesar do trabalho, “compensam” na faturação, ainda que “o lucro não seja muito, depois de pagar tudo”.
E até o filho ajuda nestes dias de grande azáfama. Frederico Carneiro fala em “dias de muito trabalho” em que “quase não dá para ver as corridas, só mesmo ouvir o barulho dos carros a passar”.
Esta família, além de ter um café à porta do circuito, mora ali perto, do outro lado da rua, o que faz aumentar o bichinho pelas corridas. No caso de Alfredo havia, até, o sonho de ser piloto. “Tenho um carro e fiz um circuito privado para mim, onde dou umas voltinhas”.
Um sonho que pode ser concretizado pelo filho. “Nunca se sabe. Carro já tenho, quem sabe daqui a uns anos possa participar”.
QUINTA DO PAÇO
Do lado de quem tem , como é o caso de Pedro Lisboa, gerente da Quinta do Paço, as corridas são, também, sinónimo de casa cheia.

“Quando o circuito conta com corridas internacionais, temos 100% de ocupação do hotel”, indica, confessando que, quando são apenas corridas nacionais, como aconteceu no ano passado, “a ocupação não é tão alta, porque há muitos pilotos que são cá de perto e acabam por ir a casa. Havendo as provas internacionais, estamos a falar de equipas inteiras que ficam cá alojadas”. Para a edição deste ano, “já temos tudo cheio”, revela, acrescentando que “também no que diz respeito à parte da restauração há uma grande afluência nesses dias, sobretudo à noite, porque temos uma boa esplanada”.
Contudo, lamenta que “não se saiba as datas das corridas com mais antecedência, para podermos preparar tudo com mais tempo”, para conseguir gerir todos os eventos que acontecem na quinta. “Para se ter uma ideia, este ano, no fim de semana das corridas, temos dois casamentos, o que quer dizer que vamos estar completamente lotados”.
“O retorno é muito porque havendo mais procura o preço sobe”, confessa Pedro Lisboa, indicando que “o alojamento, na época das corridas, ronda os 150 a 175 euros, quando normalmente é de 120 euros”.

Durante três dias, de 4 a 6 de julho, a cidade de Vila Real acolhe uma das etapas do TCR World Tour, sob a chancela da Federação Internacional do Automóvel (FIA), prova que substituiu a Taça do Mundo de Carros de Turismo. O programa inclui ainda uma etapa do Campeonato Portugal Velocidade Clássicos e uma demonstração de supercarros e do Clube Porsche. Do lado da restauração e da hotelaria, avizinham-se dias atarefados.



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