Sexta-feira, 1 de Maio de 2026
RegiãoCriadores de gado de Ribeira de Pena saem da Mútua de Basto

Criadores de gado de Ribeira de Pena saem da Mútua de Basto

Um abaixo-assinado com 394 assinaturas de produtores de gado, de várias freguesias do concelho de Ribeira de Pena, foi entregue na Delegação de Braga da Direcção Geral de Veterinária pedindo a desvinculação da OPP-Mútua de Basto. Esta posição foi tomada devido ao descontentamento com o serviço prestado por esta associação sediada em Cabeceiras de Basto, distrito de Braga.

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Está instalada a polémica. O Nosso Jornal soube que elementos ligados a Mútua de Basto estão a contactar os agricultores de Ribeira de Pena, que assinaram a petição, para repensarem a sua atitude e desistirem do pedido de desvinculação.

Tentamos ouvir uma reacção do Presidente da Associação Mútua Seguro de Basto, Joaquim Barreto, por sinal também Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, mas este referiu que “não pretendia comentar a situação”, já que “esta matéria é técnica e da competência da respectiva OPP”.

Noventa por cento dos criadores de gado, do concelho de Ribeira de Pena, dedicam-se à produção de vacas maronesas, e os restantes à cabra bravia e ovelhas.

Apurámos junto de alguns produtores, da freguesia de Limões, que o descontentamento já se arrasta há mais de dois anos. “Não temos nada contra ninguém. Só pretendemos um melhor serviço que responda aos nossos problemas. Não podemos ficar de braços cruzados quando se registam problemas nas nossas explorações e até a nível nacional, de brucelose e leucose. Há falta de eficácia nos serviços prestados pela OPP-Mútua de Basto. Está em causa o mau serviço prestado a mais de 2100 vacas e cerca de 6500 cabras bravias”. Ainda e segundo este agricultor “o mau serviço” da OPP está a provocar muitos prejuízos na actividade e a dificultar a compra de novos animais reprodutores. “Se é para mudar para melhor, temos que avançar. Julgo que a UCADESA, ou outra OPP próxima nos poderá prestar um melhor serviço”.

Este desejo de mudança é ouvido à surdina no sector pecuário do concelho. Em Ribeira de Pena as zonas de maior produção pecuária são as freguesias de Limões, Alvadia, Canedo, Cerva, Salvador e Macieira. Precisamente, em Limões, o Nosso Jornal registou a queixa de José João, um outro criador de gado. “Os produtores do concelho estão muito descontentes. Não criticamos os funcionários da OPP da Mútua de Basto, nem colocamos em causa a competência dos respectivos médicos veterinários, que dão o seu melhor no exercício da sua profissão, o que está em causa é a gestão e funcionamento do organismo e a sua proximidade junto do criador. Estamos a atravessar grandes dificuldades. Debatemo-nos com problemas sanitários, comuns a todas as explorações, e temos pouco apoio no desenvolvimento da nossa actividade”.

Este criador acusa a OPP de não cumprir os prazos na aplicação das vacinas e de haver problemas no rastreio de doenças e ainda nos pagamentos de serviços. “Na identificação de uma vitela, a OPP de Basto leva entre 20 a 45 euros, enquanto que a Associação de Criadores de gado Maronês ou a OPP de Vila Pouca de Aguiar cobram apenas 7,5 euros. Isto é um descalabro total e que não compreendemos esta discrepância de preços”.

O abaixo-assinado já foi entregue e agora os criadores esperam uma resposta positiva da Direcção Geral de Veterinária. No entanto, se a resposta for negativa, há produtores que não voltarão atrás e recorrerão a outras entidades para verem a sua pretensão atendida.

Confrontado com esta polémica, Armando de Carvalho, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura, CNA, reconheceu que há OPPs que estão a ter uma postura incorrecta na sua relação com os produtores pecuários. “Não se percebe que tendo as associações um estatuto de associação pública venham, já há alguns anos, sobrecarregar os criadores e agricultores, com custos elevados e, assim, assistimos a um divórcio entre produtores e as OPPs. Estas, têm de transferir para o Estado as despesas que têm com os seus associados e não os podem penalizar. Por outro lado, também o Governo tem culpa, pois deve apoiar, financeiramente, estas organizações”.

Armando de Carvalho criticou ainda o funcionamento das OPP. “Nenhuma destas organizações, em Trás-os-Montes, apresentou aos seus associados qualquer orçamento, contas ou encargos financeiros com as suas actividades. Compreendo toda esta indignação e revolta por parte dos agricultores, que acabam por ser sempre as vítimas de uma má gestão”.

Há também produtores pecuários do concelho de Mondim de Basto que já manifestaram o seu descontentamento com a OPP e, possivelmente, também querem mudar de OPP.

Armando Carvalho sublinhou que está a par destas situações e em relação aos produtores de Ribeira de Pena referiu que “a União das Cooperativas Agrícolas de Defesa Sanitária do Entre Douro Minho e Trás-os-Montes UCRL (UCADESA) poderá ser a instituição escolhida pelos criadores ribeirapenenses, porém é apenas uma hipótese”.

A Associação Mútua de Seguro de Gado – Mútua de Basto é uma associação de agricultores, privada, sem fins lucrativos, de utilidade pública. Constituída a 17 de Março de 1988, esta Associação está representada nos quatro concelhos das Terras de Basto, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena, respectivamente, onde presta serviços nestes concelhos da Região. Chegou a alcançar os 2.º e 3.º prémios de Melhor Experiência em Associativismo Agrícola, no âmbito da participação da Feira Internacional de Silleda (Espanha). A Mútua de Basto foi fundada por Joaquim Barreto, que está à frente da instituição desde a sua criação.


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