Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
No menu items!
RegiãoCrise do Douro debatida nas missas dominicais

Crise do Douro debatida nas missas dominicais

No domingo passado, alguns párocos dos concelhos de Santa Marta de Penaguião, Mesão Frio e Régua aludiram, nas suas missas, a grave crise que afecta o sector vitivinícola duriense e que abrange milhares de lavradores. Viram-se algumas lágrimas nos olhos de alguns lavradores, quando o Padre António Luís, na sua homilia, proferida em S. João […]

-PUB-

No domingo passado, alguns párocos dos concelhos de Santa Marta de Penaguião, Mesão Frio e Régua aludiram, nas suas missas, a grave crise que afecta o sector vitivinícola duriense e que abrange milhares de lavradores. Viram-se algumas lágrimas nos olhos de alguns lavradores, quando o Padre António Luís, na sua homilia, proferida em S. João de Lobrigos, fez alusão aos tempos de crise que afectam o sector vitivinícola do Douro.

Ontem, com missa marcada para as 11.30 horas, o templo religioso encheu-se de fiéis e de viticultores que esperam que a Igreja “deite uma mão, para que a miséria não se instale em muitas familias, no concelho de Santa Marta de Penaguião” – conforme nos disse José Costa, agricultor local.

“Tempos de inquietação e preocupação” assim definiu o padre António Luís, o momento presente. Os preços do vinhos que “enriquecem alguns e não a maioria que trabalha na vinha”, “a divisão das instituições”, “as medidas legislativas, relativas ao plantio da vinha, e que só engordam alguns”, “o turismo que passa e não deixa nada” e “o envelhecimento e o empobrecimento da população” foram os tópicos de uma oratória que apelou “ao consenso, à união das associações do sector, Casa do Douro e Adegas Cooperativas, à sensibilização do poder público”, para que “ os lavradores tenham esperança em dias melhores”.

“Não tenhamos medo, o Douro teve sempre crises e não devemos cruzar os braços. O Senhor não nos vai deixar desamparados. Não o devemos esquecer, nem os poderes instituídos, às muitas das igrejas que existem na região foram construídas nos tempos em que foi criada a Região Demarcada do Douro” – disse, ainda, o padre António Luís.

Entre os presentes na missa estava o Presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, Francisco Ribeiro, também ele apreensivo, quanto ao futuro. O facto do seu concelho ser aquele que, em densidade, por hectare, (a Adega Cooperativa local, em termos de negócios, é a maior da Região Demarcada) é aquele que mais lavradores tem, na Região Demarcada do Douro, preocupa-o.

“Se tudo continuar assim, dentro de 2 ou 3 anos, a ruína atingirá grande parte das famílias do concelho e a desertificação vai instalar-se!”, para acrescentar: “A evolução dos mercados, as novas políticas e algumas gestões pouco conseguidas, nos últimos anos, na Casa do Douro, contribuem para esta crise e para que o viticultor se sinta desprotegido”.

Segundo o Padre António Luís, “os párocos dos concelhos de Mesão Frio, Régua e Santa Marta de Penaguião já estabeleceram contactos, com algumas entidades, prática que vai continuar” – assegurou.

Na Régua, o Padre Luís Marçal salientou, entre outras coisas, que “só uma união, entre a Casa do Douro, Adegas Cooperativas e o poder público podem evitar a crise que afecta os muitos lavradores”.

Em relação à Casa do Douro e às alterações institucionais (redução de poderes e de intervenção, no mercado) que sofreu, Luís Marçal foi incisivo e afirmou que colocaram, sobre a CD, “um autêntico garrote”.

“Nós não estamos a exorbitar, nem a sair do nosso lugar. Estamos no sítio certo. Não podemos deixar de ser sensíveis aos problemas humanos”. Esta foi a reacção a algumas críticas, surgidas sobre a tomada de posição dos párocos dos três concelhos.

“Paz no Douro, aos homens por Deus amado” – disse, ainda, concluindo um discurso todo ele solidário, humano e objectivo, mas, também, interventivo.

 

jmcardoso

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

Mais lidas

PRÉMIO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS