O período das vacas magras também chegou ao setor resineiro do distrito, já que a procura está a diminuir e muitos produtores já não sabem o que fazer ao subproduto colhido. Um dos exemplos é o que acontece em Mondim de Basto, um concelho com um potencial resineiro muito bom.
Manuel António é um dos pequenos empresários ligados a esta atividade há cerca de 25 anos, que sente na pele os efeitos desta crise. “Uma empresa de Leiria era uma das maiores compradoras nacionais e deixou de comprar. Agora não tenho dinheiro para pagar ao pessoal nem ao Conselho Diretivo de Baldios. Em Ermelo, extraí cerca de 40 toneladas há mês e meio e não sei o que fazer à resina”.
Este empresário lembrou que a atividade corre riscos de terminar, apesar de ter uma outra vantagem inerente. “Os resineiros, ao andar nas matas, são elementos de vigilância da própria floresta contra os incêndios”.
Por fim, Manuel António pediu ao Governo que olhe para o setor, lembrando que a resina e a cortiça são duas maiores riquezas do país e que dão emprego a muito gente”.
No distrito de Vila Real, os concelhos de Mondim de Basto, Murça, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Chaves assumem um papel importante na extração de resina, que é principalmente utilizada para a produção de aguarrás e pês. A aguarrás é utilizada para diluir e dissolver tintas e vernizes, em graxa de sapato e lacre. Entra também na composição de muitos produtos de limpeza devido às suas propriedades antissépticas e o seu perfume a pinheiro. O pês é utilizado em cola de papel e no fabrico de sabão, vernizes e tintas. A utilização mais conhecida talvez seja para os arcos de instrumentos musicais de corda como o violino.
De referir ainda que, a resina de pinheiro era no passado utilizada nas embarcações de vela para as impermeabilizar.






