Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2021
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D. António Cardoso Cunha — “Um pastor com cheiro a ovelha”

A Diocese de Vila Real, ao entrar no segundo ano do triénio de comemoração do centenário, retomou as tertúlias mensais, que decorrerão até junho.

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A primeira decorreu no auditório municipal do Peso da Régua, com a presença do bispo do Porto, D. Manuel Linda. 

Foi evocada a figura de D. António Cardoso Cunha, bispo de Vila Real entre 1967 e 1991. Ao longo de quase 25 anos, logo depois do Concílio Vaticano II, o terceiro bispo de Vila Real teve a grande missão de implementar as reformas conciliares nesta diocese jovem que celebrava os seus 50 anos (1972).

D. Manuel Linda, ordenado sacerdote por D. António e reitor do Seminário de Vila Real por ele nomeado, partilhou o seu testemunho sobre a personalidade humana e episcopal deste grande bispo que marcou padres e leigos, a Igreja e a sociedade civil vila-realense.

Apresentou D. António Cardoso Cunha como um homem “simples, apagado e discreto,” mas que tinha um “profundíssimo conhecimento da alma humana”, dotado de uma grande sensibilidade humana. Profundo conhecedor da história e das tradições locais, tinha um sentido prático da vida e não concebia a dimensão religiosa à parte de outras dimensões da vida como a família, a economia ou as tradições.

O segundo traço da personalidade episcopal que lhe apontou e o mais marcante para a vida pastoral da diocese nesses tempos pós-concilio foi a procura de valorização humana, cultural e social do clero. Procurou dar maior consistência à formação teológica dos seminaristas e fundou, juntamente com o bispo do Porto e o abade dos Beneditinos, o Instituto Superior de Ciências Humanas e Teológicas, no Porto, para onde mandou os alunos de Vila Real frequentar o Curso de Teologia a partir de 1968. Mandou depois estudar vários padres para o estrangeiro – Roma, Alemanha, França – e instituiu a Semana de atualização teológica para todo o clero. 

Era também “um homem com grande sentido da história”. Formado no âmbito da História da Igreja, com contactos e amizades por toda a Europa, nomeadamente com o episcopado alemão, estava atento às mutações sociais que iam acontecendo, sem as estigmatizar ou dogmatizar atitudes pastorais. Homem de diálogo, próximo, acreditava na autonomia dos leigos e promovia um bom relacionamento com o mundo. A vida pessoal foi marcada por austeridade e oração. 

D. Manuel Linda concluiu estes traços da personalidade de D. António Cardoso Cunha, atribuindo-lhe as palavras do papa Francisco “um pastor com cheiro a ovelha”.

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