Dayana nasceu em março de 2020 e desde cedo a mãe percebeu que algo não estava bem.
“Ela estava amarela, diziam que era icterícia”, conta Nadjma, acrescentando que “depois veio a saber-se que eram problemas no fígado. Como ela tem nacionalidade portuguesa, aconselharam-nos a vir a Portugal por ser mais fácil ter acesso a tratamentos”.
E assim foi. Em outubro, Nadjma Silva chegou a Portugal acompanhada dos dois filhos, Dayana, na altura com sete meses, e Danyal, de sete anos. Para trás, ficou o marido, por motivos profissionais. Foram acolhidos por Maria da Conceição, cunhada de Nadjma, e uma estadia que se previa curta, acabou por se prolongar “por indicação médica”.
“Ela quando vai ao hospital, nunca sabe se volta ou se a menina tem de ficar internada”, conta Maria da Conceição, explicando que “a minha cunhada veio para uma consulta e disseram-lhe que podia dizer adeus a Moçambique nos próximos tempos. Foi-lhe dito que menina precisa de um transplante e, por isso, não podem voltar”.
O transplante é necessário porque “o fígado dela está estragado. As vias biliares não funcionam bem, estão obstruídas e vai formando pequenos quistos. Ela quando fica internada é porque tem muito líquido e é preciso controlar. Quando isso acontece, a barriga dela cresce”, refere.
A pequena Dayana está em lista de espera para um transplante. “Há aqui várias coisas a ter em conta. A mãe, por ter de estar constantemente com a bebé, está fora de questão ser a dadora”, afirma Maria da Conceição, acrescentando que “os médicos preferem que o fígado venha de um dador morto, para não se correr o risco de, ao tentar salvar uma vida, se perderem duas, tendo em conta as complicações que podem surgir”.
COMO AJUDAR?
Com a vida toda em Moçambique, Nadjma e os filhos contam, apenas, com o apoio da família. Vivem todos na Cumieira, em Santa Marta de Penaguião e, segundo Maria da Conceição, “tivemos de nos adaptar à situação”.
“A casa é pequena. O quarto do meu filho ficou para a Nadjma e para o Danyal, dormem numa cama de solteiro. A bebé fica no meu quarto, onde colocámos um berço. O meu filho dorme comigo, mas quando o meu marido, que trabalha no Porto, vem ao fim de semana, o meu filho tem de dormir na sala”, explica.
Ainda assim, “arranjar-lhes uma casa, fora daqui, está fora de questão”, isto porque “quando a minha cunhada vai para o hospital com a menina, o Danyal fica connosco. Se forem para Santa Marta, por exemplo, não posso dar-lhes o apoio que dou agora”.
Acontece que “temos um quarto, num anexo da casa, onde eles podiam ficar, mas não tem casa de banho”. A VTM visitou a divisão em causa, um espaço acolhedor e que daria, também, alguma privacidade a esta mãe. Falta, realmente, a casa de banho. “Começámos a fazer, como veem temos a porta, mas dentro não temos nada. Disseram-nos que com dois mil euros conseguimos ter uma casa de banho boa e pronta a utilizar”, conta Maria da Conceição.
“Quem nos quiser ajudar, seja com dinheiro, seja com material, ficaríamos muito agradecidos”, confessa.
Mas é possível ajudar com mais coisas. A pequena Dayana é alimentada através de uma sonda. “Faz quatro biberons por noite. Durante o dia já começa a comer sopa, papa e iogurte”, explica a mãe, referindo que “o leite é muito importante, mas as latas são caras”.
Quem tem ajudado esta família nesse sentido é a Cáritas Diocesana de Vila Real. “O leite é especial e gastamos duas latas por semana, cada uma custa à volta de 30 euros”, indica a tia da bebé, salientando que “além disso, a Dayana toma um suplemento em que cada lata custa cerca de 70 euros. A isto somam-se as despesas de deslocação ao hospital de Coimbra”.
Com uma vida estável em Moçambique, Nadjma vê-se agora obrigada a sobreviver da boa vontade da sua família, que, apesar das dificuldades, “queremos o melhor para eles e para a Dayana, claro”.
O futuro da pequena Dayana é incerto, mas enquanto o transplante não chega, fica a vontade de lhe proporcionarem uma vida, dentro dos possíveis, com qualidade. O objetivo é que esta princesa tenha um final feliz.
Cáritas Diocesana de Vila Real — 259 372 020



