Quinta-feira, 7 de Julho de 2022

Derrota amarga

O Vila Real deslocou-se a Rebordosa e averbou mais uma derrota, preocupante para o futuro da equipa, na 3.ª Divisão Nacional. Apesar de ter controlado completamente o adversário, mais um erro defensivo e a incapacidade em marcar golos ditaram, de novo, um mau resultado. O fosso no fundo da tabela começa a ser significativo e […]

O Vila Real deslocou-se a Rebordosa e averbou mais uma derrota, preocupante para o futuro da equipa, na 3.ª Divisão Nacional. Apesar de ter controlado completamente o adversário, mais um erro defensivo e a incapacidade em marcar golos ditaram, de novo, um mau resultado. O fosso no fundo da tabela começa a ser significativo e a equipa sente pouca confiança para inverter o rumo dos acontecimentos. A precisar urgentemente de uma vitória, para dar outro ânimo à equipa, os transmontanos entraram ao ataque, a tentar empurrar o adversário para o seu reduto. Conseguiram fazer isso, em grande parte do jogo, onde foi evidente a supremacia dos vila-realenses, mas faltou acutilância ofensiva e os golos. Os homens da casa sentiram muitas dificuldades em subir no terreno de jogo, mas, quando o conseguiram, normalmente, através dos flancos, a defensiva “alvi-negra” sentia muitas dificuldades em tirar a bola da zona perigosa.

Numa primeira parte em que foram escassas as oportunidades de golo, o Rebordosa conseguiu marcar o único golo da partida, aos 35 minutos. Numa jogada bem delineada pelo ataque caseiro, Ita abriu o corredor, nas costas da defesa forasteira, Igor falhou o corte, Pereira aproveitou para se isolar e rematar, cruzado, para o fundo das redes. Vieira ainda tentou suster o remate do avançado da casa, mas não conseguiu. Um golo em que a inexperiente defesa transmontana não fica isenta de culpas, pela inoperância e permeabilidade com que os avançados conseguiram entrar na área de Vieira. Na jogada seguinte, mais uma boa iniciativa dos visitados, com Veiga a ultrapassar, com facilidade, vários defesas, mas, na hora do remate, apareceu Vitó, a limpar.

O Vila Real conseguia dominar a meio-campo, mas, no momento de organizar os lances ofensivos, optava pelo centro, em vez de flanquear o seu jogo. Caniggia, a desempenhar o papel de trinco, não funcionava como tal. Sabendo-se que ele é forte nas laterais, as condicionantes do plantel levaram Maki a optar por colocá-lo no centro, onde, claramente, não conseguiu explorar todas as suas potencialidades.

A três minutos do intervalo, Olivier teve uma boa iniciativa, na esquerda, colocou ao primeiro poste, onde apareceu Filipe Lemos, em boa posição, a cabecear, mas o remate saiu ao lado. Poucos minutos depois, o árbitro apitou, para o intervalo. Foi uma primeira parte em que o Vila Real dominou, mas a falta de objectividade e agressividade no último terço do terreno foi uma pecha evidente. Apesar de todo este domínio, a defesa não esteve bem e deu espaço para que o Rebordosa saísse, para o descanso, em vantagem.

Maki, sem grandes opções no banco, teve que repensar uma estratégia, para tentar inverter um resultado muito penalizador, para a sua equipa.

A equipa “alvi-negra” veio com vontade de marcar e dar a volta ao resultado, mas isso só não chegou. Houve uma clara subida de rendimento da formação visitante, onde Filipe Lemos foi o patrão do meio-campo e pelos seus pés passaram as melhores jogadas do desafio. Aos 59 minutos e já com Kalá em campo, Lemos teve um grande remate, à entrada da área, para uma defesa difícil de Ivo. Na recarga, surgiu Ricardo a tentar o golo, mas a bola enrolou-se num defesa e Ivo acabou por defender, nas alturas. No minuto seguinte, mais uma jogada de entendimento entre Lemos e Maniche, mas a defesa da casa aliviou, quando o avançado se preparava para alvejar a baliza. Totalmente balanceada no ataque, a equipa transmontana deixou espaços, na retaguarda. Aos 74 minutos, foi a vez do Rebordosa falhar uma excelente ocasião. Adolfo ficou isolado, mas, perante a saída de Vieira, atrapalhou-se e o remate acabou por sair ao lado. Pouco depois, a equipa da casa ficou reduzida a dez elementos. Pereira viu o segundo cartão amarelo e consequente vermelho, quando fez uma “falta feia”, sobre Lemos.

Até ao final, o Vila Real tentou chegar ao golo, de várias formas. Até Caniggia tentou, em pontapé de canto directo, colocar a bola na baliza, mas Ivo, atento, tirou-a, sobre a linha. Depois, foi Olivier, numa iniciativa individual, a rematar, para mais uma boa defesa de Ivo.

Mais um jogo e os “alvi-negros” tardam em dar um pontapé na crise. A falta de confiança da equipa começa a pesar e os resultados positivos não aparecem. Apesar de ter dominado o jogo, os golos são o fruto necessário para a sobrevivência de qualquer equipa. E esses tardam em aparecer.

Uma última nota para a equipa de arbitragem, vinda de Aveiro, a qual fez um trabalho regular e isento.

 

Márcia Fernandes

 

MAKI, treinador do VILA REAL

“Foi mais uma derrota dolorosa”

Claramente desolado com o resultado, Maki disse que não se vive de vitórias morais.

”Fizemos um bom jogo, mas isso só não chega. Na primeira vez que o Rebordosa foi à nossa baliza, marcou. Sofremos um golo, em mais um erro defensivo e assim, é difícil. Quem não marca perde e foi isso que aconteceu. Não adianta ter dominado completamente o jogo e termos as melhores oportunidades, se os golos não aparecem. Fomos para cima do adversário, fomos melhores em campo, mas as equipas não vivem de vitórias morais. Estamos onde estamos, por culpa nossa. Foi mais uma derrota dolorosa e as nossas aspirações começam a ficar cada vez mais difíceis. Mesmo assim, vamos continuar a tentar melhorar, para não cometermos os erros defensivos que nos têm prejudicado muito, nos últimos jogos”.

 

ADRIANO TEIXEIRA, treinador

do REBORDOSA

“Tivemos a estrelinha da sorte”

O técnico vencedor admitiu que o Rebordosa teve a “estrelinha da sorte”, numa vitória muito suada.

“Foi uma vitória muito difícil. Tenho que dar os parabéns aos vencidos, porque foram uma equipa bem estruturada e organizada. O Vila Real adaptou-se melhor às condições pesadas do terreno de jogo. A equipa do Rebordosa é tecnicamente mais leve e sentiu muitas dificuldades em explanar o seu futebol. Na segunda parte, ficámos privados de um elemento, com a expulsão de Pereira e isso também condicionou a nossa estratégia. Foi uma vitória muito, muito suada. O Vila Real mostrou que é uma equipa forte, com muita qualidade, que merece sair dos últimos lugares em que se encontra. Hoje, tivemos a estrelinha da sorte e assim conseguimos o nosso objectivo, a vitória”.

 

FICHA TÉCNICA

 

Jogo disputado no Estádio Municipal de Rebordosa.

REBORDOSA – Ivo; Filipe, Major (Luís, aos 90’), Ramos e Ita; Domingos, Paulinho, Pereira e Veiga (Adolfo, aos 75’); Paiva (Nuno Silva, aos 58’) e Marinho.

Suplentes não utilizados: Tiago, Daniel, Rocha e Paquete.

Treinador: Adriano Teixeira.

VILA REAL – Vieira; Palmeira (Kalá, aos 52’), Igor, Vitó (Zeferino, aos 75’) e Filipe; Caniggia, Lemos, Ruben e Ricardo; Maniche e Olivier.

Suplentes não utilizados: Jorge, João Miguel, Sandro e Ivan.

Treinador: Maki.

Cartões amarelos: Ramos (12’), Ricardo (14’), Paulinho (17’), Vitó (40’), Igor (44’), Pereira (57’ e 75’) e Filipe (57’).

Cartão vermelho – Pereira (75’).

Ao intervalo: 1 – 0.

Marcador – Pereira (35’).

-PUB-

APOIE O NOSSO TRABALHO. APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências do confinamento, sem termos parado um único dia.

Contribua com um donativo!

Mais lidas

A Imprensa livre é um dos pilares da democracia

Nota da Administração do Jornal A Voz de Trás-os-Montes

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.