Em Foco(Des)Confinamento?

(Des)Confinamento?

No primeiro dia do novo confinamento, uma pequena volta pela cidade de Vila Real foi o suficiente para dar conta de que a maioria das pessoas não ficou em casa. “Há muita coisa aberta”, disse Sónia Silva, proprietária de um minimercado no bairro S. Vicente de Paulo, para quem “este confinamento é muito desconfinado”.

“É um confinamento muito confuso, desde logo pelo facto de as escolas se manterem abertas, mas os centros de estudo e os ATL’s terem de fechar”, lamenta, acrescentando que “as pessoas podem sair a qualquer hora para ir às compras, por exemplo. Eu contra mim falo, mas acho que devia haver regras quanto aos horários de funcionamento dos estabelecimentos, porque parece que não estamos em confinamento”.

Ali ao lado, Ana, que veio comprar alguns bens essenciais, admitiu evitar os hipermercados, “porque há sempre muita gente e aqui encontro tudo o que é preciso”. Sobre o novo confinamento, esta cliente confessa não estar surpreendida, “mas tinha de ser como da primeira vez. Mais parece um confinamento a brincar. Há muita coisa aberta, não entendo. E depois as pessoas não levam a situação muito a sério”.

A mesma opinião tem Manuel Monteiro. “Devia ser mais rigoroso, acho que anda muita gente na rua”, refere. Encontrámo-lo na farmácia Baptista, onde foi aviar uma receita para a mãe, de 90 anos. “Só saí de casa por necessidade. A minha mãe tem alguns problemas e há medicamentos que não podem faltar” reforça, acrescentando que “as pessoas parecem não ter medo e pensam que é uma brincadeira”.

Isabel Brandão é gerente da farmácia e também ela admite que “este confinamento é muito diferente do de março. No outro confinamento as pessoas pensavam que as farmácias, e os serviços primários, não iam trabalhar tão bem e havia muita afluência, filas intermináveis. Agora não”.

O paracetamol continua a ser o medicamento mais procurado e há quem peça alguns conselhos para não ir ao centro de saúde ou ao hospital. “Nós ajudamos sempre que podemos. Muitas pessoas têm receio de ir ao hospital hoje em dia, é compreensível, mas há situações em que tem mesmo de ser. Não podem ficar em casa, com medo, porque podem ficar pior e, além disso, são locais seguros.”.

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É um dos setores mais afetados, se não o mais afetado, pela pandemia de Covid-19. O novo confinamento trouxe

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