InícioMondim de BastoDoentes são transportados em lençóis

Doentes são transportados em lençóis

Situada em pleno Parque Natural da Serra do Alvão, a aldeia de Assureira, freguesia de Ermelo, concelho de Mondim de Basto, não tem uma rua. Esta realidade dificulta a mobilidade dos seus doze habitantes, principalmente quando adoecem, e tem motivado protestos junto do Município que já se arrastam há mais de 40 anos. O atual executivo manifesta vontade em resolver o problema, mas confessa que não tem fundos para a obra.

São rochas que ainda servem de chão aos pés dos poucos habitantes desta aldeia que suspiram por artérias minimamente acessíveis. Esta situação provoca muitos constrangimentos na mobilidade das pessoas, principalmente quando se trata de socorro e transportes de doentes.

Sem a possibilidade dos automóveis irem até à porta, a única forma de os transportar é levá-los ao colo ou usar lençóis para servirem de apoio, como aconteceu na tarde de domingo com Teresa Horto, de 88 anos, que esteve internada num lar em Cabeceiras de Basto. Para regressar à sua casa, a idosa teve de ser transportada num lençol durante cerca de 200 metros. Os seus familiares contaram ao Nosso Jornal a sua revolta por esta situação. “Estamos em pleno séc. XXI e é uma vergonha o que se passa nesta aldeia. Já há mais de quarenta anos que andamos a pedir à Câmara que faça uma rua para que os automóveis cheguem às nossas casas. Assim, somos obrigados a transportar os doentes desta maneira. Umas vezes às costas, outras em cadeiras e desta vez num lençol”, contou Lurdes Gomes, filha da idosa.

Um outro habitante da localidade, Armindo Mota, revelou que transportou às costas a sua mãe (já falecida) durante cinco anos para a levar até ao carro ou até à ambulância.

Confrontado com estas carências, o presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira, (que já esteve na aldeia a avaliar a situação) explicou, ao Nosso Jornal, que compreende as queixas das populações, lamenta o que se passa, mas recordou que é um problema que se arrasta há muito tempo. Porém, o autarca assegurou que a autarquia “está disponível”, desde que tenha os fundos, para avançar com a construção de pelo menos uma rua. “É uma obra cara porque é um local muito rochoso, o que obriga a várias intervenções para a construção de uma rua, mas logo que possamos, iremos avançar”, prometeu.

Além de não ter ruas, Assureira também não tem saneamento básico. Esta pequena aldeia já teve cerca de uma centena de habitantes tem agora apenas 12 habitantes, dos quais 10 têm mais de 65 anos.

Arrendamento acessívelVeja o limite de renda no seu concelho


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A Voz de Trás-os-Montes
Subscrever a Newsletter

Mais lidas

PRÉMIO